
O Instituto Polaris lançou, em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), o Programa Impulso, iniciativa que une capacitação, mentoria e microcrédito para fortalecer microempreendedores em situação de vulnerabilidade social.
O projeto-piloto começa com 100 participantes e oferece formação prática em gestão financeira, organização empresarial, precificação, planejamento estratégico e elaboração de plano de negócios. Depois, os empreendedores poderão se tornar aptos a receber financiamentos de até R$ 12 mil, com prazo de pagamento de até 36 meses.
A proposta nasce em um momento em que o Brasil registra crescimento contínuo do número de microempreendedores, muitos deles impulsionados pela informalidade, pelo desemprego ou pela necessidade de geração imediata de renda. Boa parte desses trabalhadores ainda enfrenta dificuldades para acessar crédito, organizar financeiramente os negócios e estruturar um modelo sustentável de crescimento.
Gigi Cavalieri, presidente do Instituto Polaris, explica que o projeto surgiu da necessidade de ampliar o impacto social da instituição, criada a partir da reformulação do antigo Inocoop (Instituto Nacional de Orientação às Cooperativas Habitacionais), em 2020, feita com o apoio da Fundação Getulio Vargas.
“Nosso foco passou a ser educação e construção de oportunidades. O Programa Impulso nasce justamente para ajudar pessoas vulneráveis a realizarem seus sonhos de forma sustentável”, afirma Gigi.
Ela destaca que a parceria com a Fundação Dom Cabral foi construída a partir da convergência de valores entre as duas instituições: “A Fundação Dom Cabral já era uma referência para a nossa família na área empresarial e sempre tivemos muita identificação com os princípios e valores defendidos pela instituição. Quando juntamos o conhecimento deles com o propósito social do Polaris, percebemos que poderíamos criar algo transformador”.
Além da formação técnica e financeira, Gigi diz que o projeto abraça um propósito humano e social de longo prazo: “Nós acreditamos muito na dignidade humana e na capacidade das pessoas de transformarem as próprias histórias quando recebem oportunidade, orientação e apoio”.
ESTRUTURAÇÃO

Karen Jyo, CEO do Instituto Polaris, afirma que o projeto foi estruturado para evitar o endividamento irresponsável e garantir que o empreendedor esteja preparado para utilizar o recurso financeiro: “O interesse do Polaris não é simplesmente entregar dinheiro. Queremos incentivar o empreendedor desde que isso represente um benefício real para o negócio e para a sua vida”.
Os participantes precisam ter ao menos um ano de experiência comprovada na atividade que exercem, possuir CNPJ ou MEI ativo e demonstrar viabilidade financeira do empreendimento.
Após a etapa de formação e mentoria, os empreendedores ainda passam por análise de crédito antes da eventual liberação do financiamento.
“O crédito sozinho não resolve. Muitos empreendedores começam um negócio sem estruturação, sem planejamento e acabam encerrando as atividades rapidamente. Por isso, acreditamos tanto na união entre capacitação e financiamento”, afirmou Karen, comentando ainda a intenção de que o projeto cresça progressivamente e alcance outras regiões do Brasil.
AUTONOMIA FINANCEIRA E CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL


No lançamento do programa, na sede da FDC, na quinta-feira, 21, Sérgio Cavalieri, conselheiro do Instituto Polaris, destacou que o projeto foi idealizado com foco na capacidade criativa do empreendedor brasileiro.
“O brasileiro é criativo, resiliente e capaz de transformar pouco recurso em grandes resultados. Quando essa criatividade recebe capacitação e estrutura, ela pode transformar vidas e devolver dignidade às famílias”, afirmou.
Segundo Sérgio, o objetivo não é criar um programa assistencialista, mas promover autonomia financeira e crescimento sustentável: “Não se trata apenas de fornecer recursos. Queremos acompanhar o desenvolvimento desses empreendedores para que prosperem, consigam crescer e, assim, possam devolver esse recurso ao sistema, permitindo que outras pessoas sejam beneficiadas”.
COMBATE À DESIGUALDADE SOCIAL

Na parceria, a Fundação Dom Cabral é responsável pela formação dos participantes. Antônio Batista da Silva Júnior, presidente da instituição, afirma que a proposta une conhecimento e crédito como ferramentas de combate à desigualdade social.
“O Brasil possui uma potência empreendedora enorme nas comunidades e periferias, mas muitos empreendedores não têm acesso à formação em gestão, liderança e planejamento financeiro. O programa surge justamente para aproximar essas pessoas do conhecimento e do crédito”, disse.
Vanja Abdallah Ferreira, head de Novos Negócios da Fundação Dom Cabral, afirma que muitos dos participantes chegam ao projeto sem qualquer estrutura de gestão financeira: “Muitos misturam o dinheiro da empresa com o pessoal, não sabem precificar o produto e acabam trabalhando sem planejamento. O programa ajuda a organizar o negócio e dar direção ao empreendedor”.
Entre os participantes está a microempreendedora Janaína Leite da Silva, que trabalhava na área administrativa hospitalar antes de abrir o próprio negócio após dificuldades enfrentadas durante a pandemia.
Atualmente, ela atende clientes na sacada de casa e pretende abrir sua própria esmalteria. “Nunca tinha conseguido empreender. O curso abriu minha visão e me deu direção. Hoje, consigo enxergar uma possibilidade real de crescimento”, contou.
Interessados em conhecer detalhes sobre o projeto podem acessar o site https://impulsopolaris.com.br.




