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‘Católicos, Democracia e Redes Sociais’ é tema de encontro formativo em São Paulo

‘Católicos, Democracia e Redes Sociais’ é tema de encontro formativo em São Paulo
Luciney Martins/O SÃO PAULO

Diante da proximidade das eleições 2026, a Comissão do Testemunho e Ser­viço da Caridade da Arquidiocese de São Paulo realizou no sábado, 25, no Centro Pastoral São José, na zona Leste, um en­contro formativo com o tema “Católicos, Democracia e Redes Sociais”.

“Neste momento importante da vida do País, de eleições, a Igreja tem a prática de ajudar na reflexão dos católicos, ofe­recendo elementos, critérios de sua Dou­trina Social, para que estejam preparados para um voto muito consciente. Com este evento, buscamos contribuir com o processo político, diante deste contex­to novo, com as mídias digitais, a partir de onde estamos e de como podemos agir para fazer a diferença”, explicou, ao O SÃO PAULO, o Cônego José Renato Ferreira, Coordenador da Comissão.

Inicialmente, foi lida a mensagem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ao povo brasileiro para as eleições deste ano. No texto, os bis­pos reafirmam o compromisso da Igreja com a promoção da vida, da dignidade humana e do bem comum, ao mesmo tempo em que destacam a participação consciente dos cidadãos no processo eleitoral. Também sublinham que a Igre­ja Católica não indica candidatos nem partidos políticos, mas que reconhece que a política, quando orientada pela ética, é uma das formas mais elevadas de caridade e serviço à sociedade.

AGIR PELA LÓGICA DO DEUS TRINITÁRIO

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O encontro formativo teve três as­sessores. Um deles foi o Frei Marx Ro­drigues, OFM, integrante da Comissão do Testemunho e Serviço da Caridade. Ele sublinhou que somente quem está enraizado na fé agirá a partir daquilo que crê. Deste modo, apontou que os cristãos devem se alicerçar no Deus tri­nitário, que aponta para uma estrutura relacional, de partilha e de unidade, que é completamente oposta a ideais totalitá­rios e autoritários, pelos quais alguns se apresentam como “único canal político” para agir conforme a vontade de Deus.

“O Reino de Deus veio para todos, está a serviço da vida, começando pelos que mais precisam. Cristo teve com­paixão dos enfermos, das viúvas, dos idosos e conversou com os pecadores. Nesse sentido, ser cristão requer, essen­cialmente, pensar nos pequeninos, pois Jesus tinha um projeto preferencial pe­los pobres”, comentou Frei Marx.

A DEMOCRACIA NA ERA DA HIPERCONECTIVIDADE

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Na sequência, o Padre Antonio Iraildo Alves de Brito, SSP, Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e professor da Fapcom, re­fletiu sobre a democracia na era da hiperconectividade.

O Sacerdote destacou que o de­bate político tem ocorrido majorita­riamente nas redes digitais, pautado pela instantaneidade do fluxo de in­formações e com os influencers assu­mindo uma postura de “panfletagem digital”, nem sempre trazendo fatos, mas narrativas apresentadas como verdade.

Padre Antonio Iraildo também ex­plicou que os algoritmos definem o que será visto prioritariamente pelos usuários nas redes, criando bolhas que no decorrer do processo eleitoral divi­dem a sociedade, algo potencializado com a manipulação de conteúdos por meio de ferramentas de inteligência artificial.

“Proteger as eleições na era da hi­perconectividade exige encarar o fato de que a tecnologia não é neutra. Ela atende a interesses econômicos e po­líticos. Um voto verdadeiramente livre depende da qualidade da informação que chega até as pessoas antes de to­marem sua decisão. Nesse cenário, reforçar a importância das pequenas redes comunitárias torna-se urgente”, enfatizou o Padre.

A AÇÃO POLÍTICA NA PRÁTICA

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Outro assessor do encontro foi o jornalista Cláudio Lima Vieira, coor­denador da equipe da Campanha da Fraternidade no Regional Sul 1 da CNBB. Ele enalteceu a democracia como sistema político “com suas luzes e sombras” e observou que no Brasil as pessoas têm buscado votar em quem possa responder às demandas que in­cidam diretamente em suas vidas.

Claudio explicou que a Campanha da Fraternidade trata especialmente sobre os direitos sociais como saú­de, educação, habitação, alimentação, lazer e segurança, olhando para as situações em que estão sendo desres­peitados e chamando o laicato cristão à ação para transformar estas realida­des, o que também se faz por meio da política.

Ele observou que atualmente há “um abismo” entre os que são eleitos e o “mundo real” das pessoas, mas que ainda assim é preciso acreditar na for­ça política, não apenas na época das eleições aos cargos no Legislativo e no Executivo, mas em outras situações, como na atuação nos diversos conse­lhos participativos. Na parte final do encontro, os de­batedores responderam a dúvidas dos participantes.

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