Dia do Idoso expõe necessidade de inclusão em uma sociedade que envelhece

Uma mudança no perfil etário da população brasileira ao longo dos anos aponta para a exigência de se preparar o País para lidar com a nova realidade, sobretudo no campo profissional e previdenciário

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

As estatísticas demonstram que em 2030, pela primeira vez na história, o Brasil terá um número maior de idosos do que de crianças. Em 2050, as pessoas com mais de 60 anos representarão 30% da população brasileira, um contingente de quase 70 milhões de pessoas. Será o dobro de participação em comparação ao ano 2000.

Essa realidade deve ser levada em consideração, sobretudo porque, na sexta-feira, dia 1º, é celebrado o Dia do Idoso. A data chama a atenção para essa tendência demográfica e para a necessidade de incluir a população mais velha, tanto social quanto profissionalmente.

CENÁRIO

O cenário traz desafios sociais e econômicos. A expectativa de vida, que hoje é de 76,6 anos, aumentou em 31 anos desde a década de 1940, impactando a previdência. O processo de modernização das atividades, baseado na digitalização de processos, tende a excluir profissionais mais experientes do mercado, à medida que a tecnologia absorva funções diversas. Os mais velhos também sofrem com o estigma de serem mais conservadores e desatualizados tecnologicamente.

 “Estamos vivendo uma revolução da longevidade”, escreve Sofia Esteves, presidente do conselho do grupo Companhia de Talentos, em artigo para a revista Exame.  “É a partir dessa configuração populacional que se deve pensar o futuro do trabalho e a relação intergeracional dentro das organizações. Afinal, se a inclusão de pessoas acima de 50 anos não for integrada às estratégias das empresas, o país irá enfrentar problemas de falta de mão de obra em pouco tempo.”

QUESTÃO SOCIAL

Os idosos correspondiam, em 2019, a quase 20% dos chefes de família, acima da média geral, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas. Eles estão mais presentes nas classes mais altas, e representam 17% dos 5% mais ricos.

Com o envelhecimento da população, mais famílias estão tendo de cuidar de idosos. O número de familiares que se dedicavam a cuidados de indivíduos de 60 anos ou mais saltou de 3,7 milhões em 2016 para 5,1 milhões em 2019, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O abandono e os maus tratos, no entanto, se acentuaram com a COVID-19. No início da pandemia, em março do ano passado, o número de denúncias de violação do direito de idosos, realizados pelo serviço Disque100, era de 3 mil mensais. Dois meses depois, havia passado para 17 mil.

Nesse campo, o trabalho do Terceiro Setor é importante para preencher lacunas deixadas pelo poder público, por meio de instituições que promovem a inclusão de idosos em situação de vulnerabilidade social.

O VALOR DA EXPERIÊNCIA

Em relação ao mercado de trabalho, há o desafio de preparar os brasileiros para a idade avançada. Um caminho apontado por especialistas é o de preparar os profissionais e as companhias para exigir alto desempenho de seus funcionários desde cedo e, ao mesmo tempo, trabalhar conceitos como o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho para, lá na frente, esses profissionais sentirem menos o impacto da idade e do estresse da vida cotidiana, sobre o seu corpo e mente.

Sofia Esteves, da Companhia de Talentos, usa uma analogia esportiva para demonstrar a importância de as empresas prepararem seus profissionais para um rendimento de excelência no curto prazo.

“No âmbito do esporte, os atletas antes se aposentavam cedo, principalmente por causa do esforço físico. Nós vemos no Ronaldo [Fenômeno], por exemplo, que um dos grandes motivos de ter se aposentado foi uma série de contusões e as consequências das oscilações de peso constantes. Tom Brady, por outro lado, sempre foi muito disciplinado. Mesmo em um esporte com muito corpo a corpo, ele sempre teve um preparo físico adequado”, diz Sofia.

“Os obstáculos diminuíram muitos nos últimos anos. O mercado está muito pronto para abrir espaço para profissionais mais velhos que fizeram uma segunda graduação. Trazer pessoas com maturidade tem se tornado uma forma de trazer equilíbrio para as equipes também”, conclui Sofia Esteves.

Fonte: Exame

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