‘Economia de Francisco’: jovens dialogam com o Cardeal Scherer

Arcebispo de São Paulo participou de reunião virtual com três brasileiros integrantes ADCE que participam do evento internacional

Franchesco Lopez, Lucas Galhardo e Matheus Machado são três dos mais de 2 mil jovens, de 115 países, que participarão neste ano do evento “Economia de Francisco”, o encontro convocado pelo Papa Francisco com jovens economistas e empreendedores para pensar o presente e o futuro da economia global.

O evento aconteceria em março, em Assis, na Itália, mas, em razão da pandemia de COVID-19, foi remarcado para o período de 19 a 21 de novembro e será totalmente on-line, porém, com a mesma proposta de que os jovens partilhem experiências, trabalhos, propostas e reflexões em 12 eixos, chamados de “vilas temáticas”: trabalho e cuidado; gestão e dom; finança e humanidade; agricultura e justiça; energia e pobreza; vocação e lucro; políticas para a felicidade; CO2 da desigualdade; negócios e paz; economia e mulher; empresas em transição; vida e estilos de vida.

As reuniões on-line das vilas têm ocorrido regularmente com a participação dos inscritos no evento, como é caso de Franchesco, Lucas e Matheus, que integram a ADCE-Jovem, iniciativa da Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa (ADCE) que desde 2014 dissemina entre os jovens e futuros empresários valores cristãos, com o objetivo que construam uma sociedade mais justa, ética e cristã.

Na quarta-feira, 23, os três jovens realizaram uma videoconferência com o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, para falar sobre os preparativos do encontro de novembro. Também participaram da reunião on-line o Padre Valdeir Goulart, Assessor Espiritual da ADCE, e Gigi Cavalieri, presidente da ADCE-SP.

Desafios e perspectivas

Lucas Galhardo e Franchesco Lopez estão inscritos na vila “vocação e lucro”. Lucas afirmou que nas reuniões on-line muito tem se falado sobre como os jovens, efetivamente, podem colocar sua vocação a serviço de outras pessoas, preocupando-se não apenas com o lucro financeiro que terão pela atividade que exercem, mas em como podem colaborar com as outras pessoas e com o planeta a partir de suas atividades. 

“Estamos conectados e animados ao chamado do Papa Francisco que fez essa convocação aos jovens economistas e empreendedores do mundo inteiro”, assegurou Franchesco, que nasceu na Bolívia e vive no Brasil desde 2013, que assegurou que as empresas podem gerar impactos positivos à sociedade.

Matheus, que está na vila “finança e humanidade”, lembrou que nas reuniões virtuais os jovens têm se conhecido melhor e que os encontros são marcados pela preocupação em olhar a realidade, julgá-la e propor ações. “Procuramos, também, ter momentos de espiritualidade, ouvir tudo aquilo que a Igreja já nos passou. A Laudato si’ também é uma fonte de inspiração de todo o evento. Tudo tem sido uma experiência muito rica”, afirmou.

Assim como estes jovens, os participantes do evento “Economia de Francisco” são pesquisadores, estudantes, empreendedores, dirigentes empresariais e com atuação em organizações locais e internacionais, atentos a realidades sobre o meio ambiente, desenvolvimento sustentável, pobreza, desigualdades sociais e o uso das novas tecnologias.

Dom Odilo: ‘O Papa aposta nos jovens’

Ao ouvir o relato dos jovens, Dom Odilo se disse feliz pelo interesse que há sobre o evento que expressa a preocupação do Papa Francisco com o futuro da humanidade.

O Cardeal lembrou que as reflexões do encontro a ser realizado em novembro estão em conformidade com a Doutrina Social da Igreja, e que o Papa acredita que os jovens são capazes de apresentar ao mundo um novo olhar para a economia.

“O Papa aposta nos jovens e os convida a refletir sobre a economia mundial. E esta é a pergunta de fundo: é possível termos uma economia diferente dessa atual?”, afirmou Dom Odilo, observando que o modelo econômico atual é muitas vezes danoso ao próprio homem, ao meio ambiente e a toda a casa comum.

“Uma economia que tem como centro o lucro, demasiadamente, é uma economia que caminha para o suicídio da comunidade humana e também da natureza, e isso leva a pensar em grandes desastres não só ambientais”, prosseguiu o Arcebispo.

Dom Odilo também externou aos jovens sua preocupação com a concentração de renda no Brasil, com o grande contingente de pobres na sociedade, e com uma economia que, muitas vezes, prioriza a produção e o consumo de coisas supérfluas.

Por fim, ele reforçou seu otimismo com o evento Economia de Francisco:  “Nas vilas, jovens de muitos lugares, culturas e condições econômicas diferentes pensam juntos e vão tornar esse encontro extremamente interessante e rico. Lançarão sementes e fermentos que poderão transformar a economia com o passar do tempo”.

(Colaborou: Flavio Rogério Lopes)

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