
Na Coletiva de Imprensa realizada nesta quarta-feira, 22, na 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida (SP), foram apresentados o documento 85 da CNBB, sobre a Juventude, e o bicentenário da relação Brasil Santa Sé.
Participaram da coletiva, Dom Vilsom Basso, bispo da diocese de Imperatriz (MA), presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB; e Dom Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília e presidente da Comissão Especial para o Acordo Brasil-Santa Sé.
Dom Vilsom apresentou aos jornalistas o processo de atualização do documento intitulado “Evangelização da Juventude: desafios e perspectivas pastorais”, que foi publicado inicialmente em 2007 para orientar o trabalho da Igreja Católica com jovens no Brasil.
Nos últimos anos, o documento passou por um processo de atualização, levando em consideração uma pesquisa nacional que ouviu quase 12 mil jovens e adolescentes de todo Brasil, para conhecer melhor a juventude do Brasil. Dessa pesquisa, foi formada uma comissão para atualizar o documento.
Segundo Dom Vilsom, a nova redação acolhe o magistério do Papa Bento XIV e do Papa Francisco e inclui duas novas linhas de ação: “Comunicação e novas linguagens digitais”; e “Ecologia Integral”. O bispo também aponta a Iniciação à Vida Cristã como uma grande resposta que a atualização traz para a inserção do jovem na Igreja, em que a comunidade tem o papel de acolher e acompanhar. “O caminho é a proximidade, a atenção, a clareza”, destacou.
O que mais chamou a atenção da comissão de atualização do documento foi o grande número de respostas que a equipe recebeu na pesquisa. “Isso mostra que não é que a juventude não queira participar, não queira religião. Muitas vezes ela não quer a estrutura, mas tem abertura para a fé. O digital abre a possibilidade para novos desafios. Se a gente usar de maneira positiva é uma grande ferramenta”, falou o bispo.
“Como diz o documento no número 1: a juventude mora no coração da Igreja. O documento é uma carta de amor aos jovens, para dizer a eles que nós amamos e queremos caminhar com eles”, destacou Dom Vilsom.
200 anos do acordo Brasil-Santa Sé
No ano do bicentenário das relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé, a 62ª Assembleia Geral da CNBB é também um momento de reforçar os laços de cooperação diplomática entre o Estado Brasileiro e a Santa Sé. Em sua fala na coletiva, dom Paulo Cézar destacou a bonita contribuição que a Igreja deu ao Estado brasileiro tanto em nível de discussão quanto em nível de obras nestes 200 anos.
“A quantidade de hospitais, de universidades, de escolas, de obras sociais sob o domínio da Igreja. Podemos dizer que sociedade brasileira seria um pouco mais pobre sem a Igreja. A presença da Igreja foi uma presença positiva, que muito acrescentou ao Estado brasileiro”, defendeu.
Estado laico
No contexto das relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé, Dom Paulo ressaltou que a laicidade do Estado não quer dizer que o Estado é ateu, mas que ele é parceiro das religiões. “A verdadeira laicidade acontece onde o Estado protege as religiões, dá condições para exercerem atividades educacionais, sociais e religiosas com liberdade. Essa é a verdadeira liberdade, é uma parceria positiva, que dignifica a vida da Igreja e da sociedade”, concluiu Dom Paulo Cézar.
Fonte: CNBB




