Fiocruz inicia 2ª fase de pesquisa sobre parto e nascimento no Brasil

A primeira versão do estudo, feita em 2011 e 2012, apontou um elevado índice de cesariana no país, chegando a 90% nas maternidades privadas, e de depressão materna, além de intervenções excessivas no parto

Divulgação

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deu início à segunda fase daquela que é considerada a maior pesquisa sobre parto e nascimento já realizada no País:  “O Nascer no Brasil 2: Inquérito Nacional sobre Partos, Nascimentos e Perdas Fetais”, que tem o objetivo de estimar a prevalência de agravos e fatores de risco durante a gestação, bem como avaliar a assistência pré-natal, ao parto e às perdas fetais, e verificar a ocorrência de desfechos maternos e perinatais negativos e seus fatores associados.

A primeira versão do estudo conduzido pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) apontou elevado índice de cesariana no país, chegando a 90% nas maternidades privadas, depressão materna em um quarto das mulheres entrevistadas, além de intervenções excessivas no parto.

O Nascer no Brasil 2 inclui maternidades públicas e privadas. A coleta de dados já está sendo realizada em todas as regiões do país. Puérperas (mulheres que tiveram um parto recentemente), pais, profissionais e gestores da saúde fazem parte do público-alvo da pesquisa. Questões sobre o tipo de parto, a qualidade dos atendimentos nas maternidades, depressão e ansiedade no pós-parto, violência obstétrica, saúde do pai e muitas outras serão investigadas.

“Nesta nova edição, o estudo será ampliado, incluindo maternidades com menos de 500 partos por ano, e também o tema das perdas fetais precoces, não abordado no estudo anterior. Contamos com a participação de todas as instituições, dos profissionais de saúde e das puérperas para alcançarmos resultados, que, como da outra vez, contribuirá, certamente, para orientação de políticas públicas nesse campo. Esperamos acompanhar cerca de 25 mil mulheres que ingressaram no sistema de saúde para o parto ou por perda fetal precoce”, afirmou a pesquisadora da Ensp/Fiocruz e coordenadora do estudo, Maria do Carmo Leal.

FASES DO ESTUDO

O estudo tem três etapas: uma hospitalar, durante a internação para o parto ou perda fetal precoce, e duas etapas telefônicas. “A adesão das mães e dos pais a todas as etapas da pesquisa é essencial. As mães, além da entrevista na maternidade, serão ouvidas em entrevistas telefônicas dois e quatro meses após o nascimento do bebê. O primeiro contato telefônico busca compreender como está a saúde mental da mãe, já o segundo contato vai investigar o grau de satisfação dela com o atendimento recebido”, explicou Silvana Granado, coordenadora adjunta do nascer.

Uma novidade desta edição é o estudo sobre a saúde dos pais. Eles receberão um link, via WhatsApp, três meses após o nascimento do bebê, com um pequeno questionário sobre as mudanças em sua vida e saúde. Os contatos telefônicos são feitos apenas às famílias entrevistadas previamente na maternidade e são realizados por pesquisadoras capacitadas e identificadas com o logo da pesquisa.

“A maioria das pesquisas avaliam o impacto do nascimento de um bebe? na vida e na saúde da mãe, mas consideramos ser importante conhecer como o nascimento afeta a vida e saúde do pai. A participação masculina nesta pesquisa é muito importante para o desenvolvimento de políticas de saúde mais inclusivas para os homens”, disse a pesquisadora Mariza Theme.

A equipe da Fiocruz não solicita dados pessoais como documentos ou senhas. As respostas são confidenciais e nenhum participante da pesquisa, nem mesmo as instituições hospitalares serão identificadas individualmente. A participação das mães e pais por telefone é fundamental para a construção de melhores condições de assistência à gestação, parto e puerpério para toda a família.

NASCER NO BRASIL

Em 2011 e 2012, ocorreu a coleta de dados do primeiro Nascer no Brasil: inquérito nacional sobre parto e nascimento. Trata-se de um estudo de base hospitalar que coletou dados de mais de 23 mil mulheres, em 191 municípios e 266 hospitais. Em amostra representativa do país, descreveu, pela primeira vez, as práticas de atenção ao parto e nascimento em todas as unidades federativas.

Teve como objetivos conhecer os efeitos das intervenções obstétricas no parto, incluindo as cesarianas desnecessárias; descrever a motivação das mulheres para a opção pelo tipo de parto; as complicações clínicas durante o puerpério e período neonatal; bem como descrever a estrutura das instituições hospitalares quanto à qualificação dos recursos humanos, disponibilidade de insumos, equipamentos, medicamentos e unidade de terapia intensiva para mulheres e recém nascidos. Este estudo subsidiou muitas das melhorias que encontramos nas maternidades nos dias de hoje.

Para saber mais acesse:

Fonte: Agência Fiocruz

Deixe um comentário