Há 15 anos, o Papa Bento XVI realizava viagem apostólica ao Brasil

“De todos os cantos do mundo estão rezando pelos frutos desta viagem, a primeira viagem pastoral ao Brasil e à América Latina que a Providência me permite realizar como Sucessor de Pedro!”. 

Há 15 anos, o Papa Bento XVI realizava viagem apostólica ao Brasil
Papa Bento XVI com Dom Odilo Pedro Scherer e outros bispos do Brasil na cerimônia de canonização de Frei Galvão, em 11 de maio de 2007 – Luciney Martins/O SÃO PAULO – Mai. 2007

Com estas palavras, da sacada do Mosteiro de São Bento, na capital paulista, o Papa Bento XVI saudou a multidão de cerca de 10 mil fiéis reunida no Largo São Bento na tarde de 9 de maio de 2007. Antes, na chegada ao País pelo Aeroporto de Guarulhos (SP), o Pontífice foi recepcionado por autoridades civis e militares. “Estou muito feliz por poder passar alguns dias com os brasileiros. Sei que a alma deste povo, bem como de toda a América Latina, conserva valores radicalmente cristãos que jamais serão cancelados”, declarou na ocasião. 

Ao longo dos cinco dias da viagem apostólica, Bento XVI presidiu a canonização de Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, no Campo de Marte, reuniu-se com cerca de 35 mil jovens, no estádio do Pacaembu; conduziu a oração da Liturgia das Horas com os bispos do Brasil, na Catedral da Sé; além de ter visitado a sede da Fazenda da Esperança, em Guaratinguetá (SP), e aberto, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho. 

Em seu primeiro discurso no País, Bento XVI declarou que sua visita apostólica ultrapassaria fronteiras nacionais, ao se referir à Conferência de Aparecida. “Por uma providencial manifestação da bondade do Criador, este País deverá servir de berço para as propostas eclesiais que, Deus queira, poderão dar um novo vigor e impulso missionário a este continente”, afirmou. 

ENCONTRO COM OS JOVENS 

No dia seguinte, 10 de maio, Bento XVI teve um encontro com os jovens no estádio do Pacaembu, ocasião em que pediu que valorizassem e respeitassem os valores da família, e lembrou-lhes: “A Igreja precisa de vocês, como jovens para manifestar ao mundo o rosto de Jesus Cristo, que se desenha na comunidade cristã. Sem o rosto jovem, a Igreja se apresentaria desfigurada”. 

Bento XVI também pediu aos jovens que vivessem, desde a preparação para o sacramento do Matrimônio, a fidelidade: “Deus os chama a respeitar-se também no namoro e no noivado, pois a vida conjugal que, por disposição divina, está destinada aos casados, é somente fonte de felicidade e de paz na medida em que souberem fazer da castidade, dentro e fora do Matrimônio, um baluarte das suas esperanças futuras”, ressaltou. 

CANONIZAÇÃO DE FREI GALVÃO 

No dia 11 de maio, em missa no Campo de Marte, com a participação de mais de 400 bispos e 1,2 milhão de fiéis, o Pontífice canonizou Frei Galvão. 

“Sinto-me muito feliz porque a elevação do Frei Galvão aos altares ficará para sempre emoldurada na liturgia que hoje a Igreja nos oferece”, ressaltou Bento XVI, que também mencionou as diversas virtudes de Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, enaltecendo seu trabalho caridoso aos pobres. “Que belo exemplo a seguir deixou-nos Frei Galvão! Como soam atuais para nós, que vivemos numa época tão cheia de hedonismo, as palavras que apare- cem na cédula de consagração da sua castidade: ‘Tirai-me antes a vida que ofender o vosso bendito Filho, meu Senhor’.”

COM OS BISPOS NA CATEDRAL DA SÉ 

Ainda no dia 11, na Catedral da Sé, o Papa conduziu a oração da Liturgia das Horas com os bispos do Brasil. Aos prelados, ele destacou que a função do bispo é congregar e unificar os trabalhos pastorais das dioceses para que eles sirvam de testemunho evangélico da transformação que a fé em Cristo pode fazer. 

Também comentou que as pessoas mais vulneráveis ao proselitismo das novas seitas e a incapacidade de resistir às investidas do agnosticismo, do relativismo e do laicismo geralmente “são os batizados não suficientemente evangelizados, facilmente influenciáveis porque possuem uma fé fragilizada e, por vezes, confusa, vacilante, ingênua, embora conservem uma religiosidade inata”. 

DIAS DE MUITA GRAÇA 

Dom Odilo Pedro Scherer, que havia assumido como Arcebispo Metropolitano em abril daquele ano, acompanhou todos os compromissos públicos do Papa Bento XVI na capital paulista. 

“Foram dias de muita graça para a Arquidiocese de São Paulo, para todo o nosso povo. Eu gostaria de compartilhar esta minha felicidade e minha emoção também com todo o povo da Arquidiocese, os padres, os religiosos e religiosas, os diáconos, os seminaristas, todo o povo de nossas comunidades, os agentes de pastoral, as famílias, os jovens”, disse em entrevista na ocasião. 

CONFERÊNCIA DE APARECIDA 

Após visitar a Fazenda da Esperança, no dia 12, o Pontífice presidiu, no dia 13, a abertura da V Conferência Geral do Episcopado da Igreja da América Latina e do Caribe, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. 

Nesta semana, entre os dias 12 e 13, no Santuário Nacional, acontecerão eventos celebrativos para recordar os 15 anos da Conferência de Aparecida, alguns dos quais com a participação do Cardeal Scherer, Arcebispo de São Paulo. Leia os detalhes na próxima edição do O SÃO PAULO

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