Em 11 de maio de 2007, há exatos 19 anos, em missa solene no Campo de Marte, na zona Norte de São Paulo, diante de 1,2 milhão de fiéis, o Papa Bento XVI, durante a visita que fez ao Brasil para a abertura da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho, canonizava Santo Antonio de Sant’Anna Galvão (1739-1822).

“Sinto-me muito feliz porque a elevação do Frei Galvão aos altares ficará para sempre emoldurada na liturgia que hoje a Igreja nos oferece. Saúdo com afeto, a toda comunidade franciscana e, de modo especial as monjas concepcionistas que, do Mosteiro da Luz, da capital paulista, irradiam a espiritualidade e o carisma do primeiro brasileiro elevado à glória dos altares”, disse Bento XVI.
O Pontífice destacou que Frei Galvão foi um “homem de paz e caridade” e recordou o trabalho caridoso do Frade junto aos pobres.
“Queridos amigos e amigas, que belo exemplo a seguir deixou-nos Frei Galvão! Como soam atuais para nós, que vivemos em uma época tão cheia de hedonismo, as palavras que aparecem na cédula de consagração da sua castidade: ‘tirai-me antes a vida que ofender o vosso bendito Filho, meu Senhor’. São palavras fortes, de uma alma apaixonada, que deveriam fazer parte da vida normal de cada cristão, seja ele consagrado ou não, e que despertam desejos de fidelidade a Deus dentro ou fora do Matrimônio. O mundo precisa de vidas limpas, de almas claras, de inteligências simples que rejeitam ser consideradas criaturas objetos de prazer”, afirmou o Papa, ao se referir do exemplo do primeiro santo brasileiro.
À época recém-empossado como Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer agradeceu a Bento XVI pela canonização de Frei Galvão: “Os católicos paulistanos e o povo brasileiro sentem-se hoje muito felizes e agradecidos porque Vossa Santidade acolheu favoravelmente o pedido do episcopado brasileiro, em particular da Arquidiocese de São Paulo, de canonizar aqui mesmo o Beato Frei Galvão”.

SOBRE FREI GALVÃO
Nascido em Guaratinguetá (SP), em 1739, filho de Antônio Galvão de França e Izabel Leite de Barros, Frei Galvão cresceu em um ambiente profundamente religioso. Aos 13 anos, foi enviado para estudar no Seminário da Companhia de Jesus, dos Padres Jesuítas, na cidade de Belém de Cachoeira (BA). Aos 21 anos, ingressou no noviciado da Ordem dos Frades Menores, no Rio de Janeiro. No ano seguinte, fez a profissão solene dos votos religiosos, sendo ordenado sacerdote em 11 de julho de 1762.
Depois de ordenado, Frei Galvão foi enviado para o Convento de São Francisco, em São Paulo, para aperfeiçoar os estudos e praticar o apostolado. E foi no apostolado que o franciscano começou a destacar-se por suas virtudes e empenho pastoral, em um período em que a liberdade religiosa era muito ameaçada pelo Império. O Frade chegou a ser membro da Academia Paulista de Letras”.
Designado confessor do Recolhimento Santa Teresa, em 1770, o franciscano conheceu Irmã Helena Maria do Espírito Santo, religiosa de profunda oração e grande penitência, que afirmava ter visões pelas quais Jesus lhe pedia para fundar um Recolhimento para mulheres que viviam de maneira comunitária, dedicando-se à oração, sem, no entanto, professarem os votos religiosos, uma vez que o Marquês de Pombal não permitia fundações de casas religiosas.
Após estudar tais mensagens e discerni-las com o auxílio de pessoas sábias e esclarecidas, Frei Galvão fundou um recolhimento em 2 de fevereiro de 1774, dedicando-o a Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência. Esse Recolhimento se tornou um mosteiro apenas em 1929, sendo incorporado à Ordem da Imaculada Conceição (concepcionistas).
Durante 14 anos, entre 1774-1788, Frei Galvão se empenhou pessoalmente na ampliação das instalações do Recolhimento, cujas vocações não paravam de crescer. Por outros 14 anos (1788-1802), dedicou-se à construção da igreja, inaugurada em 1802.

Frei Galvão era grande devoto de Nossa Senhora e propagador de sua imaculada conceição, que ainda não havia sido proclamada como dogma de fé, mas por séculos era difundida pelos frades. Ele consagrou-se à Mãe de Deus como o seu “filho e escravo perpétuo”, em 9 de novembro de 1766.
Defensor da virgindade da Mãe de Jesus antes, durante e depois do parto, Frei Galvão difundiu essa convicção especialmente nas famosas pílulas confeccionadas e distribuídas pelas monjas do Mosteiro da Luz. Certo dia, o Frade foi procurado por um senhor aflito, porque sua mulher estava em trabalho de parto e em perigo de morte. Escreveu em três papeizinhos o versículo do Ofício da Santíssima Virgem – Pos partum Virgo, Inviolata permansisti: Dei Genitrix intercede pro nobis (Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta: Mãe de Deus, intercedei por nós) – e entregou ao homem. Após a esposa dele ingerir as pílulas, o parto ocorreu normalmente. Caso idêntico aconteceu com um jovem que sentia fortes dores provocadas por cálculos na vesícula.
Frei Galvão passou a etapa final de vida no Recolhimento da Luz, depois de obter autorização de seus superiores, devido ao fato de não ter mais forças físicas para se deslocar diariamente do Convento Franciscano para atender às religiosas. Ele morava em um cômodo no fundo da igreja, atrás do sacrário, quando faleceu em 23 de dezembro de 1822.




