Cerca de 30% da população adulta brasileira vive com pressão alta e muitas vezes sem saber; condição pode se agravar ao longo dos anos

A hipertensão arterial, conhecida como pressão alta, é considerada um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. Muitas vezes, manifesta-se de forma silenciosa, sendo descoberta apenas em situações de emergência. Foi assim com Christiano Rema, 38, síndico, que descobriu a doença em 2017, após passar mal.
“Era um domingo à noite. Fui tomar banho e comecei a passar muito mal. Sentei-me, chamei um familiar e disse: ‘Eu não estou bem, preciso ir ao médico’. Depois disso, apaguei. No hospital, aferiram minha pressão e estava muito alta, 22 por 8. E o mais assustador é que eu não sentia nada antes. Foi totalmente silencioso. Tive um princípio de infarto e fiquei três dias com o lado direito paralisado”, conta à reportagem.
A hipertensão atinge cerca de 30% da população brasileira, conforme dados da mais recente Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas, do Ministério da Saúde. No mundo, a doença afeta cerca de 1,4 bilhão de pessoas, muitas das quais ainda desconhecendo ter esta condição de saúde e, assim, não realizando o tratamento adequado.
Essa característica silenciosa faz com que a hipertensão arterial seja frequentemente descoberta apenas quando já provocou complicações graves, como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).
A pressão arterial considerada normal é aquela abaixo de 12 por 8 (por exemplo, 11 por 7). Quando os valores começam a subir para algo entre 12 por 8 e 13 por 9, já é um sinal de alerta, chamado de pré-hipertensão, indicando que a pessoa precisa cuidar mais da saúde. A partir de 14 por 9, configura-se a hipertensão estágio 1, quando o acompanhamento médico se torna indispensável. Se a pressão chega a 16 por 10 ou mais, o quadro já é mais grave, classificado como hipertensão estágio 2, exigindo maior atenção e, muitas vezes, uso de medicação. Já níveis acima de 18 por 11 são considerados uma crise hipertensiva, uma situação de emergência que requer atendimento imediato, pois há risco à vida. Veja abaixo:
OS MARCADORES DA PRESSÃO ARTERIAL
Fonte: Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025

DIAGNÓSTICO E RISCOS
De acordo com Rodrigo Barbosa Esper, cardiologista intervencionista, membro titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia e Hemodinâmica, a hipertensão arterial é o principal fator de risco para doenças cardiovasculares. “O diagnóstico de hipertensão é fundamental, porque essa doença está diretamente ligada ao infarto e ao AVC, que lideram as causas de mortalidade”, explica.
Esper ressalta que a doença é mais comum a partir dos 40 ou 50 anos e pode atingir até 50% das pessoas acima dos 60 anos. “É uma doença muito comum, mas também muito negligenciada, principalmente porque muitos não procuram avaliação médica”, afirma.
“A maioria das pessoas não sente absolutamente nada. Quando surgem sintomas, geralmente a pressão já está muito elevada”, alerta. Por isso, o diagnóstico depende da aferição regular da pressão arterial. “Após os 50 anos, o ideal é medir a pressão pelo menos uma vez por ano; entre 40 e 50 anos, a cada dois anos”, orienta.
PREVENÇÃO E CONTROLE DA HIPERTENSÃO
* Realizar check-ups periódicos, especialmente após os 40 anos;
* Medir a pressão em condições adequadas (estar em repouso e em ambiente calmo);
* Controlar doenças associadas, como diabetes, obesidade e colesterol alto;
* Não confiar em aplicativos e sites para diagnóstico – procure sempre a devida orientação médica;
* Aferir a pressão arterial regularmente: dos 40 aos 50 anos, isso deve ser feito a cada dois anos; após os 50 anos, anualmente.
PRÉ-HIPERTENSÃO E MUDANÇA DE HÁBITOS

O cardiologista destaca mudanças recentes nas diretrizes médicas. “Hoje já se fala em pré-hipertensão, quando os níveis estão acima do ideal, indicando maior risco de evolução para a doença. Isso serve como alerta para agir antes que o quadro se agrave”, afirma.
A principal estratégia de prevenção é a mudança no estilo de vida. “A medicação entra quando só isso não é o suficiente”, enfatiza.
Após o diagnóstico, Christiano Rema alterou sua rotina e iniciou tratamento contínuo. “Além da medicação, a principal mudança foi na alimentação mais saudável. Tive que cortar muita coisa, principalmente o sal. Faço acompanhamento médico de três em três meses e aferição da pressão três vezes por dia”, diz.
Esper reforça que a conscientização é fundamental. “Muitas pessoas só descobrem a hipertensão após um evento grave, como um infarto ou AVC. O ideal é que isso não aconteça. O diagnóstico precoce salva vidas”, conclui o cardiologista intervencionista.
CUIDADOS ESSENCIAIS NO DIA A DIA
O tratamento da hipertensão envolve acompanhamento médico e, quando necessário, uso de medicamentos – sempre com prescrição. No entanto, os cuidados diários são determinantes para o controle da doença.
✓ Praticar atividade física regularmente (recomenda-se, no mínimo, 150 minutos por semana);
✓ Reduzir o consumo de sal;
✓ Manter alimentação equilibrada;
✓ Evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool;
✓ Dormir bem e controlar o estresse;
✓ Monitorar regularmente a pressão arterial.




