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‘Jesus precisa ser anunciado, não importa as circunstâncias’, diz Diácono seminarista Vinícius em missão na Amazônia

Na etapa final de preparação para ser ordenado sacerdote, ele esteve em missão nas áreas mais longínquas da Diocese de São Gabriel da Cachoeira (AM)

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Diácono seminarista Vinícius Pinheiro Nunes em Formação Diocesana de Música Litúrgica

Nos meses de julho e agosto, os diáconos seminaristas Leonardo de Oliveira Leopoldo, Vinícius Pinheiro Nunes, Victor Silva Natali e Fabiano Henrique da Silva estiveram em missão em dioceses na região amazônica, como parte do itinerário final de preparação para serem ordenados sacerdotes. Eles receberam o diaconato pela imposição das mãos do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, em 13 de dezembro do ano passado.

O jornal O SÃO PAULO tem publicado uma série de reportagens sobre as experiências de missão que eles vivenciaram. Desta vez, o destaque vai para o Diácono seminarista Vinícius Pinheiro Nunes, 26, que até 27 de agosto esteve na Diocese de São Gabriel da Cachoeira, no Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mais especificamente na Paróquia São Miguel Arcanjo, no distrito de Iauaretê, no estado do Amazonas.

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Diáconos seminaristas Leonardo e Vinícius com Dom Vanthuy

A EXTENSA IGREJA DO RIO NEGRO

Composta por 11 paróquias, a Diocese de São Gabriel da Cachoeira localiza-se no extremo noroeste do Brasil, a aproximadamente 850 quilômetros da capital do Amazonas. O atual bispo é Dom Raimundo Vanthuy Neto.

“A Diocese de São Gabriel, conhecida como Igreja do Rio Negro, é a maior em extensão territorial do Brasil, com aproximadamente 300 mil Km2 (equivalente ao território da Itália), contempla um território que faz fronteira com Colômbia e Venezuela e faz divisa com o estado de Roraima. A população é 95% de indígenas, distribuídos em 23 etnias”, detalha o Diácono seminarista.

Vinícius destaca que cada paróquia é composta por, no mínimo, 16 comunidades espalhadas ao longo do Rio Negro e afluentes, o que impõe desafios pastorais adicionais.

“A missão no Rio Negro, que possui mais de 100 anos, é marcada por períodos chamados de itinerância, nos quais os padres visitam as comunidades e, devido à distância de horas no barco, precisam passar de 7 a 20 dias em uma comunidade realizando os sacramentos necessários”, comenta.

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Diáconos seminaristas em Maturacá junto às lideranças indígenas

‘É SEMPRE UMA FESTA QUANDO O PADRE CHEGA’

O Diácono seminarista observa que especialmente nas comunidades no interior da Diocese, a visita dos padres demora para acontecer: “As pessoas sobrevivem com a celebração da Palavra e com os catequistas ali preparados. É sempre uma festa quando o padre chega para a realização das visitas!”.

Vinícius comenta, ainda, sobre uma tradição das comunidades locais: “Em todas, ao final das celebrações, as pessoas se reúnem para a Quinhapira, um momento no qual as famílias trazem comida para partilharem em comunidade. Além da participação dos agentes de pastoral que zelam pela comunidade, há também um sentimento fraterno de cuidado e de celebrar juntos ao redor da mesa”.

Especialmente sobre a Paróquia São Miguel Arcanjo, em Iauaretê, onde realizou a missão, o Diácono seminarista recorda que é marcada pela missão salesiana, hoje aos cuidados dos Padres Wellington de Abreu, SDB, e João Batista, SDB.

“Já se está vivendo os preparativos para se completar 100 anos de presença dos Salesianos no Distrito, junto com as Irmãs Filhas de Nossa Senhora Auxiliadora, ramo feminino da missão fundada por Madre Maria Domenica Mazzarello. Possui um povo bem preparado e disposto a ajudar a paróquia em todos os âmbitos, mesmo diante de todas as dificuldades”.

Ele também destaca que os fiéis são bem preparados nas questões de fé e estão sempre dispostos a ajudar, mesmo diante das dificuldades: “As pastorais caminham bem, há muitas crianças e jovens, todos agindo com grande responsabilidade e carinho”.

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Da esquerda pra direita: Padre Wellington de Abreu Pároco, Diácono seminarista Vinícius, Padre Freddy, SX (Pároco de Terezita, Colômbia) e Padre João Batista (Vigário)

APRENDIZADOS PARA TODA A VIDA SACERDOTAL

Nestes dois meses de missão na Diocese de São Gabriel da Cachoeira, o Diácono seminarista relatou ter passado por grandes dificuldades para se deslocar, sempre de barco: “Partindo da sede da Diocese, são quase nove horas para chegar a Iauaretê; e 12 horas para chegar em Maturacá, onde nos encontramos com os Yanonami”.

Estas grandes distâncias percorridas pelo Rio Negro e afluentes e a fé que testemunhou do povo, trouxeram uma certeza a Vinícius: “Jesus Cristo precisa ser anunciado, não importa as circunstâncias. A Boa Nova do Evangelho deve chegar a todos os povos; uma mensagem amiga e cheia de esperança que abraça todas as culturas e todas as gentes”.

‘Jesus precisa ser anunciado, não importa as circunstâncias’, diz Diácono seminarista Vinícius em missão na Amazônia - Jornal O São Paulo
Batizado em Santa Cruz do Cabari

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