Jovens disponibilizam podcasts sobre educação financeira

Projeto pastoral EFV, com base nas espiritualidades inaciana e franciscana, busca despertar nas famílias a atenção com a gestão das próprias finanças.

Ao ler a carta do Papa Francisco, há dois anos, estimulando os jovens para a participação no evento “A Economia de Francisco”, Ana Carolina Fernandes Alves, 27, economista, e Augusto Luís Pinheiro Martins, 30, filósofo e teólogo, iniciaram o projeto Educação Financeira para a Vida (EFV).

“É uma proposta de pastoral social que visa despertar a importância da educação financeira nas famílias, tendo como fundamento os princípios do Pensamento Social Cristão e as espiritualidades franciscana e inaciana. Nosso trabalho visa oferecer acompanhamento às famílias com uma equipe formada por profissionais nas diversas áreas do conhecimento humano – Direito, Psicologia, Economia, Contabilidade, Administração, Teologia e Filosofia”, contam Ana Carolina e Martins, que também são noivos.

Na Diocese de Toledo (PR), o EFV se concretizou em uma iniciativa pastoral, com o apoio do bispo diocesano, Dom João Carlos Seneme, e o acompanhamento do Padre André Boffo Mendes, Coordenador da Ação Evangelizadora Diocesana.

Pandemia e potencialização das ações

A proposta inicial era de trabalhar diretamente com as famílias nas comunidades, mas a pandemia inviabilizou tal ação. Por isso, Ana Carolina e Martins passaram a oferecer gratuitamente conteúdos de educação financeira por meio do formato de podcast, em diferentes plataformas, como Anchor, Amazon, Deezer, Spotify, Google podcast, Breaker, PocketCasts, Radio Public, Apple e outras.

“Nos episódios, trazemos temáticas da educação financeira de maneira simples e fácil, com leveza e profundidade, de forma descontraída. Com um óculos todo próprio, as lentes das finanças e da espiritualidade, que é a marca do EFV. Dessa maneira, oferecemos aos que escutam um serviço de informação e formação integral, para que o conhecimento ali transferido e as experiências compartilhadas ajudem os ouvintes a viver melhor seu cotidiano”, contam.

Os 65 episódios do EFV estão disponíveis no site https://edufinvida.wixsite.com/site e nas redes sociais (@edufinvida) e já foram ouvidos em 34 países, dos cinco continentes, totalizado 8,2 mil reproduções. As publicações acontecem sempre às segundas-feiras e duas redes de rádio do Paraná  também veiculam os conteúdos.

Apenas em setembro de 2020, foi possível realizar a primeira atividade presencial em uma comunidade periférica em Cascavel (PR), que consistiu no treinamento às educadoras sociais que auxiliam famílias em vulnerabilidade. Já em abril deste ano, Ana Carolina e Martins passaram a assinar um coluna mensal na revista diocesana, Cristo Rei.

Cartaz com um dos mais recentes podcasts

Educação financeira sob a ótica franciscana e inaciana

Fraternidade, misericórdia e ecologia integral são, segundo os idealizadores da EFV, os principais ensinamentos da espiritualidade franciscana para a educação financeira.

Ana Carolina e Martins recordam que São Francisco de Assis viveu a cultura do encontro, vendo no outro sempre um irmão da mesma casa comum. “Na prática, aprendemos de Francisco que para começarmos a ‘falar sobre dinheiro em casa/empresa/comunidade’ temos que partir de uma comunicação não-violenta”.

Eles ressaltam que fraternidade e misericórdia estão intimamente relacionadas com a ecologia integral. “Esta espiritualidade pode contribuir para que as pessoas se enxerguem parte de um todo maior, a família, a sociedade, a vida. E isso contribui ativamente para o bem comum, pois, ninguém se salva sozinho”.

Sobre a espiritualidade inaciana, os noivos recordam que Santo Inácio de Loyola desenvolveu os ‘exercícios espirituais’, um método de discernimento e de autoconhecimento que mostra como os desejos, afetos e aspirações de alguém pode auxiliar esta pessoa no encontro com Deus e na busca de sentido para vida.

“Essa realidade se aplica para a nossa relação com o dinheiro, uma vez que em meio a tantos estímulos e influências do marketing, temos muita dificuldade de entender o que queremos e que o nos faz feliz”, pontuam. Desse modo, a partir da ferramenta do discernimento inaciano, é possível “nos questionarmos sobre o que realmente nos motiva, compreendendo que o dinheiro é apenas um meio, um instrumento de realização de sonhos e de serviço à vida”.

A boa saúde financeira da família

Ana Carolina e Martins destacam que ter equilíbrio financeiro na vida significa compreender a necessidade de fazer escolhas relacionadas ao presente ao futuro. “A partir desta lógica, devemos buscar o equilíbrio entre consumir (hoje) e poupar (para consumir no futuro). Assim como não se pode viver ‘gastando como se não houvesse amanhã’, não podemos apenas poupar para o futuro e deixar de desfrutar as coisas boas no presente”.

Nessa perspectiva, recordam, é que é possível alcançar a sustentabilidade financeira, que surge da compreensão de que, “quanto mais ‘financeiramente planejados’ estivermos, conseguiremos ter uma vida mais tranquila, tendo suporte para passar por momentos de imprevistos e crises. O equilíbrio e a sustentabilidade das finanças é que vão ajudar as famílias a encontrar a situação financeira que lhe garanta mais qualidade de vida”, apontam, ressaltando, porém, que isso não significa eximir os governos da responsabilidade de garantir os direitos básicos da população, como renda e emprego, “sem os quais nem mesmo uma educação financeira pode garantir qualidade de vida”.

Cenário de preocupação

Augusto Luís Pinheiro Martins, 30, filósofo e teólogo, e Ana Carolina Fernandes Alves, 27, economista, CEOs do projeto Educação Financeira para a Vida (EFV)

Os CEOs da EFV recordam que atualmente 60 milhões de brasileiros estão endividados e metade destes superendividados, ou seja, sua renda não é capaz de arcar com o pagamento das despesas do cotidiano e as outras dívidas.

Outra dado que desperta a atenção é que somente 5% conseguem poupar recursos regularmente. “Há ainda muitos ‘traumas financeiros’ herdados da história econômica do Brasil. Os períodos de hiperinflação, o confisco das poupanças realizado pelo governo em 1990 e a época de bonança e acesso ao crédito que veio com a virada de século, são fatores que reforçaram o apelo ao consumo imediato em detrimento do comportamento de poupar”, pontuam.

Ana Carolina e Martins indicam que em razão da falta de educação financeira há ainda muito medo e desconfiança sobre o hábito de investimento. “Essa lacuna também recai sobre o sentimento de ‘não estou garantido o meu futuro financeiro’, compartilhado por tantos brasileiros que não conseguem ao menos formar uma reserva para imprevistos (reserva de emergência). Soma-se a isso outros fatores como a crise decorrente da pandemia de COVID-19 e outros aspectos como o desemprego e inflação que vêm prejudicando milhares de pessoas e famílias’.

Por fim, os criadores da EFV ressaltam que um dos principais erros das famílias é o de não gerir os próprios recursos, ou seja, “não ter o hábito de fazer o orçamento doméstico, anotar o quanto se ganha e com que se gasta o salário. Em segundo lugar, não poupar e não ter uma reserva de emergência. Estas são as duas principais portas de entrada para o endividamento, que é um grande problema a ser resolvido no Brasil. Hoje temos uma população com dívidas, desempregada e sendo maltratada pela alta constante dos preços. Mais do que nunca, o cuidado com as contas e o planejamento financeiro são necessários”.

CONHEÇA MAIS SOBRE O EFV

Site: https://edufinvida.wixsite.com/site

Redes sociais: @edufinvida

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