No ônibus adaptado, o banho solidário às pessoas em situação de rua

Projetos no Rio de Janeiro e em São Paulo oferecem – além dos serviços de higiene –, atendimento médico e social, corte de cabelo, doação de roupas e alimentação a pessoas em situação de vulnerabilidade social

foto: Ong Ores

Na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro, o projeto Banho da Cidadania, liderado pela ONG Organização de Reintegração e Estímulo à Socialização (Ores), fundada em 2016, proporciona às pessoas em situação de rua um pouco de dignidade por meio do banho, corte de cabelo, doação de roupas, atendimento médico e social.

Em 2020, a entidade ampliou sua frente de atuação e comprou um ônibus, retirou todos os bancos e adaptou o espaço interno, criando quatro cabines com chuveiros, maca médica, sala de atendimento e pias.

As iniciativas da Ores já beneficiaram mais de 50 mil pessoas na capital fluminense. A proposta da entidade é, além de oferecer o básico, retirar as pessoas das ruas, reinseri-las em suas famílias e incentivar a profissionalização.

Ônibus itinerante

Ricardo Machado Tavares, 55, empresário e idealizador da ONG Ores e do Banho da Cidadania, acredita que quem está à margem da sociedade, se estiver limpo e bem vestido, tem mais possibilidades de arrumar um emprego e, automaticamente, sair das ruas.

A missão do projeto é proporcionar ao morador de rua o direito a um banho de chuveiro digno, com todo o suporte higiênico necessário.

“Quando comprei o ônibus, foi a realização de um sonho, consegui expandir as ações aos que mais precisam de uma mão estendida em determinado momento da vida. Muitos estão nas ruas por causa do crescente desemprego e da inflação dos aluguéis; outros, pelo vício das drogas”,  afirmou Tavares.

Banho de cidadania

“Com a ação do Banho, devolvemos à população em situação de rua um pouco de dignidade. Com a unidade móvel, o ônibus, oferecemos uma estrutura completa com itens básicos de higiene e, sobretudo, dignidade e esperança”, disse o idealizador, pontuando que a proposta da entidade é retirar as pessoas das ruas, por meio do banho e, sobretudo, da ressocialização e do incentivo à profissionalização.

Em um único dia, o projeto atende, em média, 130 pessoas com os banhos solidários. O ônibus circula pelos bairros da capital carioca. Entre os bairros atendidos estão Copacabana, Largo da Carioca, Méier, Penha e a meta é abranger todas as regiões da cidade.

Fazer o bem

foto: Ong Ores

A ONG Ores já ultrapassou a marca de mais de 50 mil atendidos. Entre as ações, a entidade, além dos banhos, distribui marmitas e cestas básicas a 200 famílias cadastradas e barracas.

“Com as ações, não queremos incentivar a estada nas ruas, mas amenizar a situação de quem não tem um teto”, disse Tavares, afirmando que foram mais de 5 mil marmitex doadas durante a pandemia.

Em paralelo a essas ações, a ONG atua com um módulo de banho, uma estrutura móvel montada sobre chassi de um automóvel, que circula às terças e quintas-feiras em parceria com o Projeto Ruas.

“Mais do que atender à necessidade pontual, nosso intuito é resgatar essas pessoas da invisibilidade das ruas para a visibilidade da sociedade e um recomeço digno”, afirmou o idealizador, feliz ao falar dos resultados positivos das ações que promovem oportunidades.

Sorrisos de felicidade

Renato, 33, ficou desempregado e, devido a conflitos familiares, foi morar na rua. Ele encontrou na ONG Ores um suporte para enfrentar as dificuldades no período em que permaneceu nas ruas do Rio de Janeiro.

“Vinha aqui no ônibus tomar banho, escovar os dentes, cortar o cabelo, graças a essa oportunidade básica e por meio das capacitações, consegui um emprego na área de serviços gerais, aluguei uma quitinete. Hoje tenho uma cama para dormir, um chuveiro e sou grato por essa ONG que me despertou para a vida e resgatou minha dignidade”, disse Renato.

Fabio destacou que seu ponto de esperança era o ônibus da Ores. “Foram muitos banhos nesse ônibus. Foi uma passagem pela rua, hoje tenho um teto, um trabalho e comprei uma moto”, disse, agradecido pelo atendimento que o fez acreditar em seus sonhos.

Ambos imprimem no rosto sorrisos de felicidade e gratidão ao projeto Banho da Cidadania, que, muito mais que um simples banho, possibilitou novas oportunidades e reinserção no mercado de trabalho.

foto: Ong Ores

Banheiros e lavanderias

Em São Paulo, o projeto “Ação Vidas no Centro” é uma iniciativa da prefeitura municipal, que oferece banheiros, banhos e lavanderias a pessoas em situação de rua e, desde seu início, em abril de 2020, realizou mais de 1,5 milhão de atendimentos.

O projeto oferece pias com água potável, lavanderias equipadas com máquinas de lavar e secar roupa e banheiros que oferecem banho. Ao chegar aos postos de atendimento, espalhados pela cidade, a pessoa recebe um kit com sabonete e toalha para tomar banho; nas lavanderias, sabão e acesso às máquinas de lavar e secar.

Estações da Ação Vidas no Centro

Banhos e sanitários

• Praça da Sé (com lavanderia)

• Praça da República (com lavanderia)

• Parque Dom Pedro II

• Largo do Paissandu – acesso pela Avenida Rio Branco.

Funcionamento: todos os dias, das 7h às 19h.

Unidade móvel

Também em São Paulo foi inaugurada uma unidade móvel, que utiliza um ônibus como estrutura física. O equipamento móvel atenderá de forma itinerante em regiões com maior concentração de pessoas em situação de rua.

Giulia Pereira Patitucci, coordenadora de políticas públicas para pessoas em situação de rua da Secretária Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), pontuou que os projetos desenvolvidos em âmbito municipal visam a proporcionar dignidade às pessoas em situação de vulnerabilidade.

“O público-alvo será atendido na unidade móvel por uma equipe multidisciplinar composta de coordenadora, educadora, advogada e assistente social, com experiência no atendimento de pessoas em situação de rua. Os profissionais farão o atendimento direto e, também, a busca ativa para ofertar escuta e assistência”, disse a coordenadora.

Após identificar a necessidade da pessoa atendida, a equipe a encaminha para os serviços públicos mais adequados às suas necessidades, explicando como eles funcionam e como  podem ser acessados.

A unidade móvel atua em três frentes: articulação das políticas públicas para as pessoas em situação de rua;  atendimento e acolhimento qualificado; e ações educativas.

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