
Com o início da propaganda eleitoral nas ruas e redes sociais, no próximo dia 16, e do horário eleitoral gratuito no rádio e na tevê, no dia 28, o tema das eleições ganha ainda mais destaque no cotidiano das pessoas. Atenta a esta realidade, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou, já em junho, uma mensagem ao povo brasileiro, na qual reafirma o compromisso da Igreja com a promoção da vida, da dignidade humana e do bem comum; estimula a participação consciente dos cidadãos no processo eleitoral; e lembra que a Igreja Católica não indica candidatos nem partidos políticos, mas que reconhece a política, quando orientada pela ética, como uma das formas mais elevadas de caridade e serviço à sociedade.
Alguns regionais da CNBB também já publicaram subsídios aos fiéis a respeito das eleições, entre os quais a cartilha “A Política Melhor e a Cultura do Encontro”, produzida pelo Regional Sul 2, que congrega as dioceses do estado do Paraná.
A IGREJA, A POLÍTICA E AS ELEIÇÕES
Inicialmente, o subsídio do Regional Sul 2 apresenta aspectos centrais da perspectiva da Igreja sobre a política e as eleições, entre os quais:
✓ A Igreja se compromete com a defesa da vida em sua integralidade, com a promoção da paz, da fraternidade e do bem comum, valores que também são próprios da ação política;
✓ A Igreja não assume posições partidárias nem ideológicas, tampouco indica ou recomenda candidatos;
✓ A propaganda eleitoral em espaços eclesiais não é permitida, pois pode configurar uma infração ou crime eleitoral; e se recomenda cuidado “com candidatos que divulgam fotos ao lado de padres ou religiosos em suas campanhas, sugerindo apoio institucional”;
✓ É fundamental que o cidadão conheça os candidatos e avalie suas propostas;
✓ O discernimento do cristão nas eleições também se dá por meio da oração, para “pedir a luz do Espírito Santo para iluminar a inteligência e orientar o coração, ajudando a fazer escolhas coerentes com o Evangelho”.
O PROCESSO ELEITORAL
O segundo capítulo do subsídio detalha conceitos sobre política, democracia, cidadania e ética, bem como o funcionamento do sistema político brasileiro – características e atribuições dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário – e dos dois sistemas eleitorais no País: o majoritário, para a eleição aos cargos do Executivo (presidente da República e governador) e de senador; e o proporcional, para a escolha de deputados federais, estaduais e distritais: “Nele, em vez de eleger apenas os candidatos mais votados, as vagas são distribuídas entre os partidos e federações conforme o total de votos que cada um obteve. Depois disso, dentro de cada partido e federação, assumem os candidatos mais votados”.
Também há explicações sobre as atribuições para cada um dos cargos em disputa nas eleições de 2026; o papel da Justiça Eleitoral; as atualizações na legislação eleitoral perante as novas realidades no ambiente digital; o que é permitido e proibido ao longo do calendário eleitoral; as formas de financiamento de campanha; e o papel do cidadão em fiscalizar os eleitos e atuar politicamente não somente durante as eleições.
A POLÍTICA MELHOR E A CULTURA DO ENCONTRO

Na parte conclusiva do subsídio são recordados apontamentos do Papa Francisco na encíclica Fratelli tutti acerca da “política melhor”, aquela “colocada a serviço do bem comum, orientada pela fraternidade e pela amizade social”, e que ajuda a construir uma sociedade fraterna, justa e verdadeiramente humana.
Também se fala sobre a cultura do encontro no contexto eleitoral, destacando o fato de que “candidatos são adversários, com ideias, propostas e visões distintas, mas não inimigos a serem combatidos ou eliminados”. O texto lembra que candidatos abertos a esse princípio “não reduzem o outro a uma ameaça ou a um rótulo, mas se abrem a compreender as razões, os argumentos e as preocupações que estão por trás de cada posição”. Por outro lado, “quando candidatos e eleitores passam a se enxergar como inimigos, o debate público se empobrece, abre espaço para a intolerância e enfraquece a própria democracia”.
O subsídio também alerta para os riscos da “teologia do domínio” na política e como o uso inadequado da inteligência artificial pode comprometer a transparência do processo eleitoral e a livre formação da opinião dos eleitores, bem como promover fake news.
Por fim, recomenda-se que os leitores estejam atentos às propostas dos candidatos para a área econômica, à promoção do bem comum, à “cultura da vida” (que engloba a defesa da dignidade humana desde a concepção até a morte natural); e às questões ambientais, sempre olhando para a política com responsabilidade e esperança: “Participar, discernir, escolher com consciência e acreditar que, mesmo em meio às dificuldades, é possível construir uma política mais justa, fraterna e comprometida com a vida plena que Jesus veio oferecer para todos”.
Para saber mais sobre a cartilha, acesse: https://cnbbs2.org.br.




