
A Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza, até quinta-feira, 8 de outubro, na Casa Dom Luciano Mendes de Almeida, em Brasília (DF), o II Seminário Nacional de Patrimônio Cultural Católico e o III Encontro dos Equipamentos e Centros Culturais Católicos.
Realizados no contexto do Acordo de Cooperação Técnica entre a CNBB e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), os eventos têm como tema “Os bens culturais da Igreja e sua gestão integrada a serviço da evangelização”.
Patrimônio, beleza e evangelização
Para Dom Gregório Paixão, presidente da Comissão para a Cultura e a Educação da CNBB, o encontro busca despertar, entre bispos, sacerdotes e leigos, um olhar mais atento para o patrimônio cultural da Igreja e para a responsabilidade de preservá-lo. Segundo ele, o Brasil possui uma riqueza cultural que precisa ser reconhecida, valorizada e colocada a serviço de todos.
“Nós recebemos uma herança maravilhosa e que precisamos conservar”, afirmou. Dom Gregório destacou ainda que a beleza presente no patrimônio da Igreja não deve ser compreendida apenas a partir de seu valor histórico ou artístico, mas também como caminho de evangelização e de formação.
O bispo ressaltou que o objetivo é fazer com que as reflexões realizadas durante o seminário ultrapassem o grupo de especialistas reunido em Brasília e alcancem as dioceses de todo o país. A expectativa é que os conteúdos sejam incorporados à formação de sacerdotes e seminaristas e também compartilhados com o povo de Deus.
Segundo ele, essa capilaridade deve contribuir para fortalecer “a preservação e o amor ao nosso patrimônio e à nossa cultura”, garantindo também às futuras gerações o acesso a essa herança.
Responsabilidade de preservar e transmitir
Dom Dirceu de Medeiros, membro da Comissão, também chamou a atenção para a dimensão do patrimônio cultural sob responsabilidade da Igreja no Brasil. Segundo ele, a Igreja é responsável por uma parcela significativa dos bens tombados em nível nacional, o que exige esforços permanentes de salvaguarda, conservação e transmissão desse legado.
Para enfrentar esse desafio, ele apontou a importância da criação de canais de diálogo e cooperação com órgãos governamentais e com a sociedade civil, além do investimento na formação e qualificação de pessoas que atuam diretamente na gestão dos bens culturais.
“Os bens culturais da Igreja servem prioritariamente à evangelização”, destacou. Para dom Dirceu, além de preservarem a memória e a história, esses bens constituem uma “via da beleza” capaz de comunicar a fé e dialogar também com pessoas de outras tradições religiosas ou sem vínculo religioso.
Nesse sentido, o encontro contribui para unir esforços e ampliar a consciência sobre a responsabilidade de guardar aquilo que foi legado à Igreja e transmiti-lo às futuras gerações.
Cultura de encontro
Nesta terça-feira, 6 de outubro, pela manhã, a programação contou com aula magna conduzida pela diretora do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) de Portugal, doutora Isabel Maria Alçada Cardoso.
Em sua exposição, Isabel abordou a relação entre pastoral da cultura, bens culturais católicos, expressões culturais e centros culturais, destacando como essas diferentes dimensões podem estar a serviço da missão evangelizadora da Igreja.
Segundo ela, o patrimônio recebido pelas atuais gerações carrega a fé de um povo e deve ser cuidado, atualizado e transmitido àqueles que virão depois. Nesse processo, ações como inventariar, preservar e promover os bens culturais ganham uma dimensão que vai além da conservação material.
A especialista portuguesa também ressaltou a importância da troca de experiências e do aprendizado conjunto. Para ela, esse caminho deve contribuir para uma cultura de encontro, aberta ao diálogo e à construção coletiva.
Gestão integrada e políticas públicas
Ainda na manhã desta terça-feira, o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direitos Culturais, Vitor Studart, conduziu a conferência “Novas Perspectivas do Direito do Patrimônio Cultural Eclesiástico para sua Gestão Integrada, Captação de Recursos e Promoção”.
Durante a exposição, Studart abordou a importância de uma atuação articulada entre União, estados, municípios e sociedade civil na formulação e execução das políticas culturais. Também destacou a necessidade de planejamento, produção de dados e indicadores, financiamento, qualificação técnica e definição clara das responsabilidades relacionadas à preservação do patrimônio.
O especialista chamou atenção ainda para a necessidade de conhecer e documentar os bens culturais, estabelecer prioridades e garantir condições para sua conservação. A gestão do patrimônio, segundo a abordagem apresentada, precisa integrar proteção, monitoramento, financiamento e promoção, de modo que os bens permaneçam vivos e acessíveis à sociedade.
Studart também ressaltou a importância da elaboração prévia de projetos e da regularização da documentação dos bens como condições que podem facilitar a captação de recursos e a realização de intervenções. A preservação, nessa perspectiva, depende não apenas de instrumentos legais de proteção, mas de planejamento, capacidade técnica, articulação institucional e recursos financeiros.
Programação segue até quinta-feira
O encontro reúne representantes das arquidioceses, profissionais e técnicos do Iphan, integrantes de equipamentos e centros culturais católicos como museus, memoriais, arquivos e bibliotecas eclesiásticas e especialistas de diferentes áreas.
Ao longo dos quatro dias, os participantes refletem sobre preservação e sustentabilidade dos bens culturais da Igreja, identificação do patrimônio, captação de recursos e investimentos. A programação contempla ainda inventário e catalogação, conservação preventiva, Lei Rouanet, projetos de intervenção e adequação de espaços litúrgicos, além do uso de técnicas científicas e inteligência artificial aplicadas ao patrimônio cultural.
Entre os resultados esperados estão a apresentação de uma proposta de gestão integrada dos bens culturais da Igreja e a construção da Rede Eclesial Nacional de Equipamentos e Centros Culturais (RENECC).
Fonte: CNBB




