
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresentou a iniciativa do Fundo Patrimonial para o Patrimônio Cultural da Igreja Católica no país durante o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, promovido pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), em São Paulo (SP).
Padre Luciano da Silva Roberto, assessor da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da CNBB, e padre Leandro Megeto, subsecretário adjunto-geral da Conferência, representaram a instituição no evento que reuniu, na última quinta-feira, 27, cerca de 350 convidados, entre lideranças e especialistas para fortalecer a filantropia no país, promover conexões e estimular a construção de soluções para os desafios sociais.
Bens culturais da Igreja
Durante o painel “Capital em reinvenção: novas arquiteturas de financiamento cultural”, Padre Luciano falou do trabalho iniciado no Setor de Bens Culturais da Comissão para a Cultura e a Educação da CNBB, a partir de 2019, quando foi feito um levantamento junto com o Iphan a respeito do patrimônio cultural brasileiro que pertence à Igreja Católica.
“Chegamos à porcentagem 35% dos bens tombados em nível nacional, se tratando apenas das edificações”, partilhou o padre, destacando a porcentagem do patrimônio cultural brasileiro que pertence à Igreja Católica. Este número tende a aumentar quando for feito o levantamento do patrimônio móvel, que é acervo presente em cada uma das edificações.
Padre Luciano explicou a articulação da CNBB com órgãos de conservação do patrimônio cultural, especialmente por meio do Acordo de Cooperação Técnica firmado pela Conferência Episcopal com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), para ações em vista da promoção, salvaguarda, recuperação do patrimônio cultural nacional.
Este apoio com o poder público levou à realização, há um ano, de um seminário que discutiu alternativas para o financiamento da preservação do patrimônio cultural da Igreja, especialmente após casos em que bens tombados sofreram com a ação do tempo sem recursos para garantir sua conservação.
“A partir do desabamento do teto da igreja de São Francisco do Convento, em Salvador (BA), o Ministério Público Federal (MPF) fez uma nota técnica sugerindo para que a Igreja pudesse estudar a criação de um fundo patrimonial para o Patrimônio Cultural. Daí, realizamos o Seminário no Rio de Janeiro com a assessoria do IDIS”, contou o padre.
Neste ano, a Assembleia Geral da CNBB aprovou a criação do Fundo Patrimonial para o Patrimônio Cultural da Igreja Católica com o objetivo de captar doações privadas para restaurar, conservar e garantir a sustentabilidade financeira da gestão de bens culturais religiosos sob responsabilidade da Igreja, criando uma fonte permanente de financiamento para sua preservação.
Esse fundo terá a governança coordenada pela CNBB, considerando a diversidade do patrimônio, nas suas formas e contextos; a descentralização da gestão do patrimônio, garantindo o protagonismo das dioceses; e a equidade no acesso aos recursos para conservação, tanto públicos quanto privados.
“A proposta do fundo é justamente para apoiar, assessorar e prestar consultoria a estas dioceses para a gestão do seu patrimônio cultural. E aí pensamos a gestão integrada dos bens culturais da Igreja, que vai desde o seu levantamento até diversas ações de promoção do patrimônio cultural. A proposta de criação do fundo é para manter um serviço ligado ao patrimônio cultural da Igreja no Brasil. Este serviço poderá ajudar e auxiliar as dioceses no seu protagonismo de cuidado para com o patrimônio cultural”, explicou padre Luciano.
Confira a participação da CNBB na íntegra:
Fonte: CNBB




