Os desígnios de Deus são infinitamente maiores e, digamos até, mais “humanos” do que aqueles que nós, homens e mulheres marcados pelo pecado, podemos conceber e realizar. Assim destacou o Papa no Angelus do 25º Domingo do Tempo Comum, dia 20.

Na alocução que precedeu a oração mariana, o Pontífice ressaltou que pela boca do profeta Isaías, o Senhor nos dá um grande motivo de esperança, dizendo que os seus pensamentos não são os nossos pensamentos e os seus caminhos não são os nossos caminhos (cf. Is 55, 8). Por isso, acrescentou, eis – mais atual do que nunca – o apelo do profeta: abandonar os nossos caminhos tortuosos e regressar ao Senhor, que é misericórdia e perdão.
NOVIDADE DO QUE DEUS TEM RESERVADO PARA NÓS
Atendo-se à página do Evangelho dominical, o Santo Padre ressaltou aos 20 mil fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro que as parábolas de Jesus descrevem a novidade do que Deus tem reservado para nós, mas, em geral, também manifestam a resistência que estamos dispostos a opor a uma justiça mais generosa e a um amor maior. Hoje, em particular – observou -, escutamos a história dos trabalhadores chamados para a vinha (cf. Mt 20, 1-16): uns por um dia inteiro, outros apenas por algumas horas, outros ainda já quase ao pôr-do-sol.
“Mas o núcleo da parábola está no momento da remuneração, quando o dono da vinha cumpre a palavra dada aos trabalhadores da primeira hora e lhes paga conforme acordado, embora queira que eles vejam a sua bondade tratando, diante dos seus olhos, os últimos da mesma forma”.
A REVELAÇÃO DA BONDADE DE DEUS É PARA TODOS
Há um pormenor que não nos deve escapar. O dono dá ao capataz uma ordem precisa a seguir: os trabalhadores devem ser pagos ‘começando pelos últimos até aos primeiros ‘. Assim, a reação negativa daqueles que tinham trabalhado o dia inteiro poderia facilmente ter sido evitada; no entanto, foi intencional, porque a revelação da bondade de Deus é para todos, não apenas para alguns.
“Deus tem caminhos diferentes e pensamentos novos também para aqueles que se consideram os primeiros e acham que conseguiram o que são por si mesmos, que mereceram os resultados que alcançaram. No entanto, todos nós experimentamos alegria, inteligência e futuro quando a lei do amor interrompe a do cálculo, a experiência da misericórdia amplifica a do mérito, o dom da paz coloca fim às rivalidades e nos aproxima na gratidão”.

ESPERAR EM DEUS E A CONFIAR NA SUA MISERICÓRDIA
O Pontífice afirmou, ainda, que é uma graça sermos colaboradores de Deus, trabalhar na Sua vinha, servir o Seu Reino de justiça e paz! Onde irrompe a novidade de Deus, não há lugar para invejas nem divisões. Procuremos, pois, o Senhor enquanto Ele se pode encontrar, invoquemo-Lo enquanto está perto; abandonemos os caminhos tortuosos e os pensamentos iníquos! – disse Leão XIV ecoando as palavras de exortação do profeta Isaías.
“Olhemos para a nossa Mãe Santíssima: é uma criatura como nós, mas sem mancha; por isso, Ela ajuda-nos a esperar em Deus e a confiar na sua misericórdia, para que os seus caminhos se tornem os nossos caminhos e os seus pensamentos os nossos pensamentos”, afirmou.
PREOCUPAÇÃO COM A CRISE NA SOMÁLIA
Após a oração mariana, Leão XIV manifestou sua proximidade e preocupação com a crise humanitária na Somália, no continente africano.
“Acompanho com grande preocupação a atual crise humanitária em algumas regiões da Somália, onde episódios de violência e fenômenos climáticos extremos estão a piorar as já precárias condições de vida da população, em particular das mulheres e das crianças. Espero que a comunidade internacional se mobilize generosamente, para que não falte a estes nossos irmãos e irmãs a assistência necessária”, afirmou.
A Somália está enfrentando mais uma seca prolongada. Uma emergência humanitária que coloca em risco a vida de milhões de pessoas, entre elas quase 2 milhões de crianças, que ficaram sem água nem alimentos suficientes. No total, segundo denúncias de organizações humanitárias internacionais, quase 6 milhões de somalis enfrentam hoje uma fome aguda. Um número que dobrou em relação ao início de 2025. Uma grave seca atinge algumas regiões do norte, à qual se somam conflitos e deslocamentos e, na esteira da guerra no Irã, o aumento dos custos do combustível e dos fertilizantes.
Fonte: Vatican News




