
Em 12 de junho de 1926, um jovem sacerdote desembarcava em Tambaú, no interior de São Paulo, com muita disposição para exercer seu ministério, rezar e acolher os pobres. Nascido em Cássia (MG), em 1882, Donizetti Tavares de Lima viveu em Franca (SP) desde os 4 anos de idade. Ingressou no seminário diocesano aos 12 anos e, três anos mais tarde, cursou o colégio em Sorocaba (SP), mas depois voltou para o seminário. Estudou Direito, Filosofia e Teologia para se preparar para o sacerdócio.
Ordenado padre em 12 de julho de 1908, foi incardinado na então Diocese de Pouso Alegre (MG), atuando inicialmente na Paróquia de São Caetano. Mais tarde, foi para a então Diocese de Campinas (SP), sendo Vigário Paroquial da Paróquia Santa Mãe de Deus, em Jaguariúna (SP). Em 1909, foi nomeado Pároco da Igreja de Sant’Ana, em Vargem Grande do Sul (SP).
Padre Donizetti exerceu seu ministério por 35 anos em Tambaú. Em 2026, no marco do centenário de sua chegada, a Diocese de São João da Boa Vista (SP) instituiu um Ano Jubilar ao Santuário Nossa Senhora Aparecida, localizado na cidade. No decreto da iniciativa, Dom Eugênio Barbosa Martins, Bispo diocesano, ressalta que desde que chegou à cidade, em 1926, o Beato Donizetti “trouxe a devoção à Virgem Maria sob o título da Conceição Aparecida, no desejo de edificar um templo para a acolhida dos fiéis devotos, peregrinos e romeiros”.
O Ano Jubilar prossegue até 12 de junho de 2027, com itinerários de peregrinação e, sobretudo, um convite: o de encontrar, na história de um homem simples, um testemunho de fé que atravessa gerações.
COM A INTERCESSÃO DO BEATO
Hoje com 20 anos de idade, Bruno Henrique Arruda de Oliveira foi miraculado pela intercessão do Beato Donizetti Tavares, milagre reconhecido pela Igreja para a beatificação do Sacerdote, ocorrida em 23 de novembro de 2019.
Diagnosticado com pé torto congênito bilateral ao nascer, Bruno teria de enfrentar um longo tratamento com gesso, botas ortopédicas e cirurgia. Antes do início dos procedimentos médicos, porém, sua mãe, Margarete Rosilene Arruda, recorreu àquele que desde a infância conhecia pelas histórias contadas pela avó.
“Ela sempre dizia que Nossa Senhora atendia tudo o que o Padre Donizetti lhe pedia. Quando meu filho nasceu, lembrei dessas palavras e fiz o mesmo: conversei com o Padre, como quem conversa com um amigo, e pedi a cura do meu filho”, recordou.
Na manhã seguinte à oração, Margarete percebeu que os pés do bebê estavam completamente alinhados. Com o passar dos meses, as pernas também se desenvolveram normalmente, sem necessidade de qualquer tratamento previsto.
“O médico olhou os exames e perguntou se eu acreditava em Deus. Quando respondi que sim, me disse: ‘Então foi Ele’”, rememorou, emocionada.
Atualmente, Bruno é estudante universitário e vendedor: “Trabalho, estudo, faço faculdade e sempre pratiquei esportes. Às vezes, penso como seria minha vida se esse milagre não tivesse acontecido. Sou muito grato a Deus e ao Bem-aventurado Padre Donizetti. Fico feliz por ter sido agraciado com o dom da cura. Ele é meu amigo espiritual e meu padrinho na fé. Sempre agradeço e recorro ao Beato”.
A DEVOÇÃO QUE ATRAVESSA GERAÇÕES


“Padre Donizetti marcou a história da cidade antes mesmo das grandes bênçãos e peregrinações. Era extremamente querido e acolhedor. Depois vieram os acontecimentos extraordinários, mas a santidade já era percebida pelo povo”, afirmou o Padre Reginaldo Carreira, Reitor do Santuário Nossa Senhora Aparecida e Vice-postulador da causa de canonização do Bem-aventurado Padre Donizetti.
Entre as décadas de 1940 e 1950, Tambaú tornou-se um dos maiores centros de peregrinação do País. Mesmo após a morte do Padre Donizetti, em 1961, a devoção a ele continuou crescente.
“O que impressiona é que hoje muitos jovens chegam porque ouviram os pais e os avós contarem suas experiências. A internet e os meios de comunicação também ampliaram este alcance para todo o Brasil e até para outros países. Duas características que permanecem profundamente inspiradoras: sua santidade sacerdotal e sua capacidade de acolher cada pessoa sem distinção; por isso, é conhecido como o ‘apóstolo da acolhida’”, explicou Padre Reginaldo.
OBTENÇÃO DE INDULGÊNCIAS
Padre Donizetti foi Pároco da Igreja Matriz Histórica de Santo Antônio, hoje renomeada para Paróquia Santo Antônio e Beato Donizetti, cuja matriz é o Santuário Nossa Senhora Aparecida. Sendo esta uma igreja franciscana – Santo Antônio pertenceu à ordem fundada por São Francisco de Assis – todos que a ela peregrinarem até 10 de janeiro de 2027 também poderão obter a graça da indulgência plenária, conforme concedido pelo Papa Leão XIV ao estabelecer o Ano Jubilar Franciscano, desde que cumpram as outras condições estabelecidas, entre as quais, realizar a Confissão sacramental, participar da comunhão eucarística, rezar pelas intenções do Santo Padre , desapego de todo pecado, além de invocações à Virgem Maria, a São Francisco de Assis, a Santa Clara e aos santos da família franciscana.
“O Ano Jubilar é uma oportunidade para que as pessoas venham peregrinar, renovar sua fé e viver uma profunda experiência espiritual. Queremos acolher todos aqueles que desejam conhecer mais de perto a história e a santidade do Beato Donizetti. Convidamos, de modo especial, os sacerdotes para virem celebrar a missa aqui em nosso Santuário”, destacou o Reitor. “Temos recebido diariamente pessoas que vêm agradecer curas, livramentos, empregos alcançados, recuperações e tantas outras graças”, assegurou.
MEMÓRIA DO BEATO DONIZETTI

No decreto de instituição do Ano Jubilar em Tambaú, Dom Eugênio Barbosa incentiva a “visita aos locais marcados pela presença e memória do Beato Donizetti Tavares de Lima”: Santuário Nossa Senhora Aparecida (onde repousam as relíquias do Beato); Igreja Matriz Histórica de Santo Antônio (lugar no qual o Beato foi Pároco); Réplica da Igreja de São José (memorial do lugar em que os feitos do Beato aconteceram); Casa dos Milagres (onde se encontram algumas relíquias e bens pertencentes ao Beato, bem como a custódia dos testemu-nhos dos milagres e graças alcançadas pelos fiéis); e Mausoléu no Cemitério Municipal (local de seu sepultamento).
Francisco Donizete Sartori, jornalista e membro da Comissão da Causa de Canonização do Bem-aventurado Padre Donizetti, comentou à reportagem que o Ano Jubilar é um convite aos fiéis para que peregrinem a Tambaú para “conhecer a história do Sacerdote que marcou o interior paulista e renovar a esperança por meio da oração, da devoção e da confiança na intercessão daquele que continua sendo lembrado pelos devotos de várias gerações”.






