Anúncio do Evangelho, glorificação de Deus e testemunho da caridade

Nossa Arquidiocese vive a etapa pós-sinodal, quando buscamos traduzir em planejamentos e ações as grandes diretrizes e propostas que o nosso sínodo arquidiocesano produziu. Faz-se necessário esse planejamento, para que o esforço sinodal de 7 anos não caia no vazio e para que produza os frutos desejados de “comunhão, conversão e renovação missionária” em nossa Igreja particular.

É para isso que está sendo realizada a assembleia arquidiocesana de pastoral, que já teve sua primeira etapa em dezembro de 2023. Naquela ocasião, procuramos perceber juntos qual foi a primeira recepção do sínodo, sobretudo da Carta Pastoral “Comunhão, Participação e Missão”, de março de 2023. Percebeu-se que a fase pós-sinodal requer planejamento e um projeto pastoral coordenado. Assim, no dia 2 de março, haverá uma segunda etapa da assembleia arquidiocesana de pastoral, feita nas Regiões Episcopais, para elaborar indicações para esse Projeto Pastoral. E, em 18 de maio, uma terceira etapa da assembleia arquidiocesana de pastoral dará as indicações para o projeto pastoral arquidiocesano para os próximos anos.

A verdade é que o nosso sínodo pediu uma revisão da organização pastoral da Arquidiocese, que é muito ampla e complexa, com o risco de dispersão de forças e de falta de foco. Fazem-se numerosíssimas atividades pastorais, nos três níveis de organização da vida pastoral: arquidiocesano, regional (vicarial) e paroquial. Graças a Deus, mas é de se perguntar: faz-se, realmente, aquilo que é o mais importante? O que precisa necessariamente ser feito e o que pode ficar em segundo plano? Correr atrás de tudo, sem planejamento, traz o risco de um ativismo superficial e sem fruto.

Uma das diretrizes e propostas sinodais pedia: “Organizar a pastoral a serviço da vida e da missão da Igreja”. De fato, esse é o sentido dos planejamentos e atividades pastorais: são serviços à vida da Igreja e à sua missão. E são três os grandes focos da vida e missão da Igreja, que refletem também a vida e a missão de Jesus Cristo: 1. O anúncio do Evangelho, para despertar e alimentar a fé; 2. A celebração da fé, para a glorificação de Deus e a santificação do homem; 3. O testemunho da fé mediante a caridade e o serviço ao mundo.

O primeiro grande foco da vida e ação da Igreja, e de toda a sua ação pastoral, é o anúncio do Evangelho do reino de Deus. Sem esse anúncio, feito de muitas maneiras, a fé não desperta, nem se alimenta e se extingue. Contribuem para o anúncio do Evangelho todas as ações explícitas de pregação, leitura e acolhida da palavra de Deus, catequese, formação cristã, retiros, ação missionária e tantas outras atividades. Essas atividades precisam ser priorizadas em nossa ação pastoral. Sem elas, a Igreja perde seu chão, seu alimento e seu rumo.

O segundo grande foco da vida e ação da Igreja é a celebração da fé, para a glorificação de Deus e a santificação do homem, mediante os sacramentos da fé, a vida de oração, a prática da virtude e da vida moral condizente com a dignidade da vocação cristã, que é a santidade (cf 1Pd 1,15.16; Ef 1,4). Nesse sentido, a Igreja tem consciência de que ela é animada pelo Espírito Santo e sustentada pela graça de Deus. Ela não pode correr o risco de tornar-se uma instituição de muitas ações interessantes, mas sem referência a Deus. O Papa Francisco lembrou, recentemente, que a Igreja sem oração e comunhão com Deus é apenas uma instituição humana como as outras. A vida espiritual, alimentada no Evangelho, na Eucaristia e no exemplo de Jesus e dos Santos, faz toda a diferença da Igreja em relação a outras instituições beneficentes.

O terceiro grande foco da vida e ação da Igreja é o testemunho da caridade e o serviço ao homem e ao mundo. Não são verdadeiras a fé e a adoração de Deus que não frutificam na caridade, praticada de muitas maneiras. A exemplo de Je- sus, também os discípulos dele devem “compadecer-se das multidões” (cf. Mt 9,36; 14,14; Lc 10,33) pobres, enfermas, famintas, sofredoras, desorientadas, exploradas e desrespeitadas em sua dignidade. Fé cristã não combina com indiferença diante das dores do próximo. A fé cristã leva também a valorizar e respeitar toda a obra de Deus Criador, “casa comum da família humana”, e a lutar por um mundo justo, solidário, pacífico e bom para todos.

Portanto, a vida pastoral pós-sinodal da Arquidiocese vai se organizando em torno desses três focos: anúncio do Evangelho do reino de Deus, glorificação de Deus e santificação do homem e testemunho da caridade e do serviço ao mundo. Esses três focos são como três eixos, em torno dos quais as múltiplas organizações e iniciativas pastorais de âmbito arquidiocesano, regional e paroquial deverão se agrupar e ser acompanhadas. Isso também permite uma coordenação e acom- panhamento pastoral mais eficaz e com foco. Com a ajuda de Deus, vamos caminhando para essa nova impostação da vida e organização pastoral de nossa Arquidiocese. Deus nos ajude!

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Padre Barone
Padre Barone
2 meses atrás

do modelo devia falar do novo bispo que foi nomeado !

Jean-Baptiste Nabolle
Jean-Baptiste Nabolle
1 mês atrás

Sejamos todos testemunhas de Jesus.