Aprender dos diálogos de Jesus

Vejo muito oportuno o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, sobre o diálogo como compromisso de amor, porque todos nós precisamos de alguém para conversar, ou seja, sentimos a falta do diálogo nos momentos de grande alegria ou de séria preocupação, por uma decisão importante, em que temos dúvida ou incerteza. Necessitamos tanto do diálogo humano quanto do diálogo com Deus.

Para aprender a dialogar, repassemos algumas páginas do Evangelho e encontraremos essa atitude constante de abertura ao diálogo por parte de Jesus. Ele é a Palavra viva e, portanto, o seu diálogo traz luz e alegria aos corações. As palavras de Jesus penetram no íntimo das pessoas, iluminam a sua inteligência, inflamam seu coração e suscitam em suas almas a correspondência ao amor e o desejo de reconhecer a verdade e, portanto, entrar no caminho da felicidade. É também frequente encontrar no Evangelho pessoas que, ao conversarem com Jesus, descobrem a sua vocação ou têm uma conversão profunda e mudam de atitude, fazendo de suas vidas uma entrega a Deus e aos irmãos.

Assim o vemos no diálogo de Jesus com a mulher samaritana: ainda que ela de início rejeite conversar, acaba se interessando quando Jesus fala de uma água viva, que sacia a sede de maneira definitiva. Aquela mulher percebe que Jesus a conhecia por dentro e todo o seu passado: isso a deixa radiante e transformada… 

Outra situação surpreendente acontece na entrada de Jericó: Jesus vê um homem em cima de uma árvore e lhe diz: “Zaqueu, desce depressa, porque hoje eu devo me hospedar na tua casa…”. As palavras do Senhor demonstram confiança, tocam o seu coração e resgatam o que há de melhor naquele homem. Por isso sua reação é generosa: “Dou metade dos meus bens aos pobres e, se defraudei alguém, restituirei o quádruplo…”. Jesus demonstra carinho, esbanja generosidade, comove e converte aquele publicano. Zaqueu recebeu Jesus em sua casa e se encantou, porque entendeu que a caridade, o amor aos outros, vale muito mais que o dinheiro acumulado.

Assim também acontece em muitos outros diálogos de Jesus: com Nicodemos, com Bartimeu, com a mulher cananeia, com Judas, o traidor, com o bom ladrão. Jesus dialoga com todos: pobres e ricos, homens e mulheres, judeus e gregos, sãos e enfermos, crianças e idosos… Sempre aberto a todos, disponível para todos. No entanto, não compactua com o erro e o pecado, e fala claramente ao coração de cada pessoa.

O Papa São Paulo VI escreveu em 1964 a encíclica Ecclesiam suam, ES, em que, na terceira parte, trata de maneira prática do diálogo. Vejamos apenas dois textos: “É preciso que tenhamos sempre presente esta inefável e realíssima relação de diálogo, que Deus Pai nos propõe e estabelece conosco por meio de Cristo no Espírito Santo, para entendermos a relação que nós, isto é a Igreja, devemos procurar restabelecer e promover com a humanidade” (ES, 42). “O colóquio é, portanto, modo de exercer a missão apostólica, arte de comunicação espiritual. As suas características são as seguintes: l) Primeira, a clareza. O diálogo supõe e exige compreensibilidade, é transfusão do pensamento, é estímulo do exercício das faculdades superiores do homem. (…) 2) Outra característica é a mansidão, aprendida na escola de Cristo, como Ele nos recomendou: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29). O diálogo não é orgulhoso, não é pungente, não é ofensivo. A autoridade vem-lhe da verdade que expõe, da caridade que difunde, do exemplo que propõe; não é comando, não é imposição. O diálogo é pacífico, evita os modos violentos, é paciente e é generoso. 3) Outra característica é a confiança, tanto na eficácia da palavra-convite quanto na receptividade do interlocutor. Produz confidências e amizade, enlaça os espíritos numa adesão mútua ao Bem, que exclui qualquer interesse egoísta. 4) E a última característica é a prudência pedagógica, que atende muito às condições psicológicas e morais de quem ouve (cf. Mt 7,6): se criança, se inculto, indisposto, desconfiado e mesmo hostil. Essa prudência leva a tomarmos o pulso à sensibilidade alheia e a modificarmos as nossas pessoas e modos, para não sermos desagradáveis nem incompreensíveis” (ES, 47).

Vamos pedir a Nossa Senhora e a São José, neste seu ano, que aprendamos a dialogar assim como Jesus nos ensinou constantemente. 

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