A caminho de Belém

Estamos chegando ao fim de um ano que não deixa de ter surpresas a cada dia, até murmúrios de que “este ano não haveria Natal” foram ouvidos, e, em vista de possível novo lockdown, já há protestos em toda a Europa. O comércio, mal recuperado, já prevê, com angústia, estas decisões ditas “científicas”. Mas não vamos falar de pandemias. O que está se percebendo este ano é que, de fato, após décadas de transformação da festa do nascimento de Jesus Cristo em um feriado comercial economicamente farto, as pessoas estão tendo a oportunidade de olhar, refletir, rezar e comemorar o verdadeiro motivo do Natal: nascerá o Messias! O Salvador!

Evidentemente que o Natal nunca deixará de existir para aqueles que levam no seu coração a fé pelo Evangelho de Cristo, a esperança nas promessas de Jesus, e procura se esforçar por viver cada dia melhor a sua mensagem de Amor, apesar de todas as dificuldades das limitações humanas ou impostas pela força de terceiros que querem calar o Cristianismo para uma nova ordem mundial. Esquecem-se de que por quatro séculos vivemos pelo sangue dos mártires, que nunca deixaram de existir, e atualmente crescem. Não leram as palavras de Gamaliel: “Agora, pois, eu vos aconselho: não vos metais com estes homens (cristãos). Deixai-os! Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá; mas se provier de Deus, não podereis desfazê-la. Vós vos arriscaríeis a entrar em luta contra o próprio Deus” (At 5,38-40). Em mais de 2 mil anos, temos uma maravilhosa história que a cada dia revela de modo mais claro a verdade do conselho de Gamaliel, “a todos os homens de boa vontade” (Lc 2,14). 

Nada é tão sublime quanto a história de Deus feito homem, nascido de uma virgem, chamada Maria, num estábulo, sob os cuidados de José: “Porque não havia lugar para Ele” (Lc 2,6-7). Uma história que em séculos encanta das crianças até os idosos. Um cenário que, por inspiração de São Francisco, passou a ser reverenciado no presépio, que hoje se multiplica nos lares católicos. Não é possível que num lar católico falte o presépio, e existam somente árvores e bonecos de neve, e a simpática figura do Papai Noel. O presépio, por si só, é uma escola de educação às crianças, de evangelização aos leigos, de esperança aos que creem, de conforto aos que sofrem e contemplação aos que estão se despedindo ao encontro com o Senhor.   

Aproveitar o Natal e fazer o presépio em casa com os filhos ou os netos é maravilhoso! Não há criança que não se encante! E, enquanto desembrulhamos as imagens, montamos a gruta ou a casinha (com criatividade), colocamos caminhos e luzes, vamos contando a história de Jesus. E falaremos de Maria e José, da anunciação dos anjos aos pastores numa noite fria e estrelada e da estrela que guiou os magos ao local… E faremos isto com muita alegria no coração. Nesta singela história, estamos levando o Menino Jesus aos pequenos. Colocando sementes em seus corações que crescerão, se fortalecerão e darão frutos. E dos seus filhos aos seus netos e bisnetos, e assim o Amor de Cristo se sucede há mais de 20 séculos na face da terra. 

A cada família, conforme suas posses, a confraternização à mesa, com a oração que lembre a todos quem é o aniversariante, é fundamental. Os presentes estarão muito mais no comportamento que procuraremos ter em melhorar para Jesus. E aqui não podemos esquecer a lição do amor ao próximo que Ele nos deixou. Que nos lembremos de repartir com aqueles que nada ou pouco têm, ainda mais nos tempos em que vivemos. Repartir o alimento, o presente e a companhia; isto incluindo a colaboração dos filhos é a melhor maneira de apresentar a eles o carinho e a amizade de Jesus. Participaremos da Missa de Natal, e nos uniremos em família, pois acreditamos, com toda a nossa convicção, que mais uma vez nos nasce o Salvador, que permanecerá até o fim dos tempos vitorioso.

Teremos Natal, sim! “Quem nos separará do amor de Cristo? (…) Estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,35-39). Então, comecemos já o nosso caminho a Belém, para estarmos com o menino.

Valdir Reginato é médico de família. E-mail: reginatovaldir@gmail.com.

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