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Aulas presenciais – voltar ou não voltar?

Inicia-se uma nova fase deste momento tão diferente que estamos vivendo: a perspectiva do retorno às aulas presenciais!

Isso já acontece em alguns lugares do País e se anuncia para o dia 8 de setembro também em São Paulo. Essa retomada vem mexendo com quase todas as famílias!

Depois de tantos meses vivendo em clima de medo, aprendendo estratégias e procedimentos para proteção de todos os familiares, mudando hábitos e rotinas, aproxima-se o momento em que algumas atividades, que antes nos eram corriqueiras, voltem a acontecer.

Embora haja um clima de desejo de retomar a vida, há também no ar uma grande preocupação: será que nossos filhos estarão em segurança voltando à escola antes da existência de uma vacina?

Certamente, essa será uma decisão a ser tomada por cada família com muito critério e prudência. Gostaria apenas de ajudá-los com algumas considerações que podem ser importantes para tal decisão.

Em primeiro lugar, devemos cuidar para não tomar decisões impulsionados pelo sentimento de medo, que não é um bom conselheiro. Tentem buscar informações sobre como será organizado esse retorno, os procedimentos de segurança que as escolas vão adotar, quais são os perigos reais de acordo com a idade dos filhos, enfim, conhecer a realidade dos fatos ajuda a tomar uma decisão mais acertada.

Depois disso, considerem com cuidado alguns pontos, dentre eles:

1. Condições emocionais: como estão nossos filhos em decorrência deste período prolongado de confinamento? Crianças precisam de espaço, de brincadeiras, de colegas para brincar. Adolescentes precisam de vínculos com iguais, de certa autonomia em relação à família, de experiências em que sintam autoconfiança. Enfim, para se desenvolverem de modo adequado, necessitam de vivências diferentes. Isso está sendo de algum modo garantido neste momento? A saúde emocional é tão importante quanto a saúde física e, de acordo com a circunstância vivida por cada família, é preciso considerar qual será o menor prejuízo.

2. Interesse e atenção nas aulas on-line: dependendo da faixa etária dos filhos, os recursos digitais não são tão eficazes para garantir a aprendizagem e as vivências que são necessárias ao bom desenvolvimento. Se eles não voltarem à escola, permanecerão em casa confinados e precisarão ir a parques, praças etc., acabando por se relacionar com outras pessoas e lugares que não sabemos como estão cuidados.

3. Rotina: seu dia a dia de estudos e atividades está organizado de modo que percebam a importância de aprender? Por meio da rotina, do que estipulamos como prioridades, ensinamos valores aos nossos filhos e, também, todos nós exercitamos virtudes.

Neste período de confinamento, como isso tem sido feito?

Precisamos lembrar que a vida continua e que, cedo ou tarde, colheremos os benefícios e os prejuízos do modo como estamos vivendo este período que acabou se prolongando por praticamente meio ano. Para os filhos pequenos e adolescentes, seis meses é muito tempo – significa uma fatia considerável do tempo de vida deles. As experiências vividas neste período marcarão suas vidas, e é bom que sejam marcas positivas – que aprendam virtudes no convívio familiar, que desenvolvam hábitos de estudo em casa, que cresçam em capacidade de servir ao ambiente familiar. Se assim for, quando retornarem ao ambiente escolar, certamente, conseguirão aprender rapidamente o conteúdo que estiver faltando.

Caso contrário, será um tempo de ócio prolongado demais para trazer aprendizagens positivas – podem criar maus hábitos em relação ao sono, aprender muitas brincadeiras impróprias à idade, perder muito tempo com coisas pouco edificantes e, o pior, voltar à escola despreparados para retomar as atividades e aprender aqueles conteúdos que, a distância, ficaram prejudicados.

Qualquer que seja a decisão, é muito importante que cada família tenha consciência das implicações que trará ao processo de aprendizagem dos filhos, para poder atuar de modo adequado e minimizar os prejuízos.

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