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Educação da vontade: caminho seguro para a liberdade e decisões acertadas

Mesmo sem perceber, tomamos inúmeras decisões todos os dias, desde as mais simples e corriqueiras até algumas mais complexas. Decidimos a que horas vamos acordar, o que vamos comer no café da manhã, que atividade desenvolveremos em primeiro lugar, o que vamos falar ou não com determinada pessoa, qual reunião de trabalho é prioritária, enfim, ao fim de um dia é praticamente impossível contar o número de vezes que fomos chamados a decidir.

Todas as decisões, de algum modo, determinam nossa vida e nos trazem consequências: nossa saúde depende das decisões que tomamos em relação à alimentação, higiene e cuidados com o corpo; a qualidade de nosso trabalho depende de decisões cotidianas que indicam nosso compromisso e capacidade de exercê-lo bem, e assim por diante.

Além de ser algo de tamanha importância, decidir é uma das responsabilidades inerentes à função dos pais – cabe a nós tomar as decisões pelos nossos filhos quando pequenos e ir, aos poucos, acompanhando-os para que ganhem autonomia na capacidade de decidir. Esse processo é longo e termina somente quando o filho alcança a maioridade, ou seja, quando está juridicamente apto a assumir as consequências de suas decisões.

Percebo hoje, no entanto, crianças pequenas tomando decisões sobre o que comer, a que assistir, com quem brincar, o que vestir, e os pais acolhendo tais decisões. Muitas vezes, até dizendo aos filhos que não são boas, mas deixando que aconteçam como estes decidiram.

As motivações dos pais podem ser as mais variadas: dificuldade de verem o filho frustrado, medo de serem autoritários, medo de tirarem a liberdade da criança etc.

Para formar nossos filhos de modo que saibam, no futuro, fazer boas escolhas e decidir pelo mais adequado, precisamos educar a sua vontade, ou seja, ensinar critérios para que decidam.

A seguir, alguns pontos práticos que podem ajudar a conduzir essa questão:

Em primeiro lugar, é preciso saber que todos nós, por natureza, tendemos a escolher o que é mais fácil, mais simples e mais confortável. Nossa tendência natural é buscar o prazer imediato. Com as crianças isso é ainda mais intenso – são absolutamente movidas pela sensibilidade e buscam os prazeres sensíveis imediatos –, querem comer o que lhes agrada, querem vestir aquilo que acham belo, querem bater quando sentem raiva, enfim, vivem de impulsos. Decisões tomadas por impulso rumo ao prazer normalmente não são as mais adequadas.

Desde pequenos, precisamos ensiná-los a querer, ou seja, devemos ensinar a distinguir entre o que parece bom e aquilo que realmente é bom. Como faremos isso? Quando bem pequenos, decidindo com firmeza e carinho por eles e fazendo valer o que decidimos (isso ensinará que as decisões são sérias e não podem ser simplesmente agradáveis). À medida que forem crescendo, oferecendo-lhes opções para que decidam por uma delas. Na adolescência, estabelecendo em quais assuntos podem decidir e em quais a decisão permanece nas mãos dos pais, e combinando um modo de balizar essas decisões antes de colocá-las em prática. Tais atitudes ensinam os valores familiares e permitem que os filhos enxerguem um bem maior do que a satisfação imediata.

Somos exemplos: se eles percebem em nós a luta por fazer bem mesmo aquilo que custa, o trabalho, o almoço, a ordem na casa etc., identificarão sentido nas tarefas árduas e perceberão que trazem, ao final, um bem e uma alegria (a da conquista).

Envolver os filhos com alegria em atividades exigentes – preparar um prato diferente juntos, arrumar um armário ou a cama, pintar uma parede, ajudar alguém que precisa: cada um saberá identificar em sua circunstância o que é possível propor e, ao fim da tarefa, celebrar o resultado do esforço conjunto.

Lembrar sempre: quando escolhem pelo prazer, estão escravizados por ele, não conseguem romper com esse ciclo tão primitivo na vida humana.

Se escolhem o bem, estão livres. Se os queremos livres, é preciso trabalhar firme na educação da vontade.

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