Recentemente, comemoramos o “Dia do Catequista” e pareceu oportuno dividir “secretamente” algumas experiências.
No âmbito de todas as atividades na Igreja, definitivamente a de que mais gosto é a de ensinar. O leitor deve lembrar que minha esposa e eu somos catequistas de adultos, uma atividade que é, ao mesmo tempo, desafiadora e reconfortante.
Os encontros deste ano estão em seu curso. Do total de 17 encontros da Iniciação Cristã para Adultos que ministramos na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, estamos nesta semana ainda no encontro 6.
Apesar de nem termos chegado à metade, alguns alunos já começam a perceber as maravilhas e as tensões em seguir verdadeiramente a Cristo nos dias de hoje.
Não é incomum recebermos indagações como “mas isso é muito difícil!”. “Sim, é!”. Nesses casos, invariavelmente, recorremos a São João Bosco: “Eu não disse que seria fácil, mas que valeria a pena.”
Ano após ano, com turmas mais dóceis e outras mais difíceis, a jornada parece ser sempre semelhante. Os rostos vão se acalmando e os olhares ficando mais dóceis encontro após encontro. Não que fique mais fácil, mas parece haver um aumento no desejo de saber mais, de amar mais.
De forma geral, vemos que o mundo e seu algoz vêm realizando bem o seu trabalho. As ideias prontas, os conceitos distorcidos, a imagem da Igreja arrasada e toda sorte de preconceitos entram por aquela porta. Fingimos que não notamos. E vamos, tema após tema, tentando abatê-los com as armas humanas que temos.
Sejamos honestos, porém: não são nossos “lindos olhos castanhos” nem nosso “preparo intelectual” que fazem o trabalho: é o apoio incontestável do Espírito Santo, para quem pedimos socorro na missa, horas antes de cada encontro.
Difícil até de explicar, mas há horas em que, como catequista, parece claro quando sou eu quem fala e quando não sou eu. Entenda bem o que quero dizer.
É obrigação do bom catequista preparar o encontro, e preparar-se com um repertório de conhecimentos. Humanamente, ele traz seu histórico, sua retórica e sua capacidade argumentativa. Essas são as armas humanas que temos. Muitas vezes, é desse arsenal que sacamos para “combater o mundo”.
Entretanto, há momentos em que algo transcendente acontece. Percebo a diferença, pois, como seria de se esperar, isso não acontece em minhas palestras sobre Inteligência Artificial e Tecnologia.
De repente, diante de uma pergunta ou no meio de uma explicação, vem à mente uma sequência de ideias, argumentos, pequenos testemunhos e citações bíblicas em absoluta concordância. Você sabe que não preparou isso previamente, sabe que não falou daquela forma nos outros anos.
Mesmo que surpreso com o momento, parece haver em nós um impulso para continuar falando sem hesitações.
O público está de olhos atentos, algumas lágrimas aqui e ali, o ‘cara do fundo’ que estava sonolento parece que acordou, e a sensação que dá é que toda aquela sensação de rejeição e aquele “espírito do preconceito” vão sendo atingidos de morte por aquela sequência de ideias que eu não preparei.
Enquanto falamos, parece que ocorre uma mudança de ares. É como se as pessoas estivessem envenenadas e que nós, de alguma forma, estivéssemos aplicando-lhes algum tipo de antídoto; suas feições são como daquele que chegou com as dores de uma pedra nos rins e que vai se acalmando ao receber um analgésico.
Nessa hora, é necessário “segurar a tentação”, e não podemos nos achar “especiais”, pois não somos. Colocamo-nos ali para servir de canal, e é assim que deve ser.
Para estes momentos, a mim vem a lembrança das passagens: “Agora, portanto, vai; e Eu estarei contigo, e te ensinarei o que hás de falar e como falarás!” (Ex 4,12); “Vai, pois, eu estarei contigo quando falares, e ensinar-te-ei o que terás de dizer.” (Mt 10,19).
Agradeço a Deus a oportunidade de servir como catequista e rezo: Que a Sua mensagem fique naqueles corações para a eternidade, e que o catequista seja esquecido na semana que vem.




