
Luciney Martins/O SÃO PAULO
No último domingo de agosto, Mês Vocacional, a Igreja no Brasil rende graças a Deus pela vocação dos catequistas e reza para que mais homens e mulheres se disponham à missão de ser “simultaneamente, testemunha da fé, mestre e mistagogo, acompanhante e pedagogo que instrui em nome da Igreja”, como afirmou o Papa Francisco na carta apostólica Antiquum Ministerium.
Natália Claro, 35, catequista desde 2020 na Região Santana, percebeu, participando da missa em sua comunidade paroquial, o chamado de Deus para essa missão: “Eu sentia um desejo profundo de servir, e a própria caminhada foi me conduzindo à catequese, na qual percebi que as crianças precisam não só conhecer a Deus, mas aprender a amar a Igreja. A importância do catequista está justamente em formar essa base de fé: crianças que compreendem o Evangelho hoje têm facilidade em dar o seu ‘sim’ amanhã”.
UMA GRANDE RESPONSABILIDADE


Dom Edilson de Souza Silva, Bispo Auxiliar da Arquidiocese e Referencial para a Animação Bíblico-Catequética, destacou ao O SÃO PAULO que o catequista deve viver aquilo que ensina: “Se ele será um transmissor da fé para crianças, jovens e adultos que estão iniciando sua caminhada cristã ou complementando a iniciação cristã – sejam os catecúmenos, isto é, aqueles que ainda não foram batizados, sejam os catequizandos, ou seja, aqueles que, embora já tenham sido batizados, ainda não completaram a iniciação cristã – isso exige que testemunhe a fé que está anunciando”.
Referenciando-se na carta Antiquum Ministerium, o Bispo detalhou que o catequista “é mestre, porque participa do ministério da Palavra exercida pela Igreja, e, por isso, precisa ter os conhecimentos necessários sobre o essencial da fé cristã e a experiência do encontro com Cristo; acompanhante, porque, de certo modo, é um guia espiritual para aquela pessoa que está adentrando no mistério de Cristo e na vida eclesial; pedagogo, pois ajuda crianças e adolescentes que estão amadurecendo humanamente e no caminho da fé a penetrar no mistério, a conhecer a Palavra de Deus, inserir-se na vida da Igreja, e, também, ajuda os adultos neste caminhar; e mistagogo, pois ajuda o catecúmeno ou o catequizando a mergulhar no mistério de Cristo, sobretudo pela participação nos momentos orantes, de ensino e na liturgia da Igreja”.
PRIMEIROS PASSOS


Padre Paulo César Gil, Assistente Eclesiástico do Grupo de Animação Bíblico-Catequética da Arquidiocese de São Paulo, explicou à reportagem que quem sente o chamado para “esse serviço de amor, inserido na vida de uma comunidade, deve procurar o pároco a fim de receber orientação e apoio em seu discernimento. Ser catequista é responder ao chamado de Jesus, pois estamos falando de uma vocação. O catequista é chamado por amor e para o amor! Para transmitir a fé, porém, é necessário ter disponibilidade, perseverando em um caminho formativo e motivador”.
O Sacerdote explicou que o acolhimento inicial do pároco e de toda a comunidade é fundamental, e sublinhou que quem deseja ser catequista deve buscar participar de formações em âmbito paroquial, regional ou arquidiocesano e de outros eventos de apoio e de inspiração para a catequese.
Dom Edilson sublinhou que “ninguém começa a ser catequista da noite para o dia”, e que após a pessoa receber as formações básicas, poderá acompanhar e auxiliar um catequista mais experiente, “até que, pouco a pouco, se sinta segura para assumir um grupo de crianças, de jovens ou adultos que estejam fazendo a iniciação à vida cristã”.
Em 2021, o Papa Francisco instituiu o ministério do catequista por meio da carta apostólica Antiquum Ministerium, mas nem todo catequista torna-se “automaticamente” ministro. “Para receber o ministério de catequista, há critérios apresentados no Diretório Arquidiocese de Catequese, como: ser uma pessoa iniciada plenamente na fé, tendo recebido todos os sacramentos da Iniciação; ter idade mínima de 30 anos; exercer o ofício de catequista há, pelo menos, 10 anos; ter feito o devido acompanhamento vocacional e formativo, com maturidade humana e espiritual; estar disponível para exercer o ministério onde for necessário e animado por verdadeiro entusiasmo apostólico”, disse Padre Paulo.
‘SERÁ QUE SEREI CAPAZ?’


Diante das responsabilidades do catequista, muitos dos que sentem este chamado questionam-se se terão condições de bem fazê-lo.
“Antes de pensar ‘eu não sou capaz’, ‘eu não dou conta’, procure discernir esta vocação, conversando com seu pároco ou vigário paroquial. Ele vai orientá-lo para que saiba se este é o apelo que o Espírito Santo está fazen do a você, para que, assim, comece a se preparar”, recomendou Dom Edilson.
“Deus, quando nos chama para uma missão, também nos dá a graça necessária para cumpri-la. Portanto, não desista por causa do medo, não se assuste diante da responsabilidade, busque o discernimento. Não tenha pressa, participe das formações que são oferecidas em nossa Arquidiocese. Temos a Escola Bíblico-Catequética São José de Anchieta para ajudar os catequistas e a Comissão de Iniciação à Vida Cristã sempre oferece muitos momentos de formação. Você não está sozinho! E haverá sempre o seu pároco para dar orientações e a própria comunidade eclesial, especialmente os catequistas que já exercem este serviço na paróquia e devem ser acolhedores e ajudar os que se sentem chamados a se tornarem catequistas”, sublinhou o Bispo.
FÉ, AMOR, DETERMINAÇÃO E ZELO

Padre Paulo enfatizou que a catequese não deve ser “feita na base no improviso, tampouco simplesmente com ‘boa vontade’. Esse serviço requer fé, amor, determinação e zelo”. Ele também recomendou: “Se você quer ser catequista ou se já o é, ame o seu trabalho, seja praticante da Palavra e solícito na caridade. Busque acolher a todos com ternura e alegria. Promova a integração das famílias na catequese e na vida da comunidade. Acredite em si mesmo e procure capacitar-se e aprofundar, constantemente, sua formação humana, social, moral e espiritual”.
O Sacerdote também afirmou que para o surgimento de mais catequistas, os padres e as lideranças paroquiais devem sensibilizar a comunidade sobre o valor do serviço da catequese, propor um itinerário de fé aos adultos que tenham potencial para tal, bem como “proporcionar espaços formativos e momentos de espiritualidade com os catequistas atuantes, despertando o compromisso de formar novos discípulos para o trabalho pastoral; além de investir, pessoal e financeiramente, em uma renovada ação catequética e assumir o projeto de Iniciação à Vida Cristã na comunidade”.
Dom Edilson sublinhou que o catequista deve estar firme e convicto na missão assumida: “Jesus disse que quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus. Assim, precisamos assumir com garra, com amor, com responsabilidade. E a graça de Deus virá em nosso socorro para tudo mais que precisarmos”.
Maria Virginia Alves, 71, da Paróquia Santo Antônio de Pádua, da Região Lapa, é catequista desde 1991. “O amor a Jesus Cristo – Caminho, Verdade e Vida – é minha motivação em servir na Igreja”, ressaltou. “A vocação do catequista é importante para a evangelização e para a transformação da realidade em que vivemos. Ele testemunha o amor misericordioso de Deus, se compromete com a justiça e a verdade, é fiel aos ensinamentos de Jesus e pratica a caridade”, assegurou.




