Neste quinto domingo de agosto, a Igreja no Brasil celebra conjuntamente a vocação do catequista. O chamado para ensinar, evangelizar e ser um dos primeiros guias de alguém na fé é um dos mais nobres e importantes que um católico pode assumir em sua paróquia. Por livre e espontânea vontade, aquele que generosamente contribui com sua comunidade realiza, em muitos aspectos, um elevado sacrifício pessoal: oferece seu tempo, seu estudo e seu amor para proporcionar o que muitas vezes é o primeiro encontro de seus catequizandos com Cristo. Vale, portanto, recordar algumas características dessa bela missão e as responsabilidades que ela implica.
Em muitas ocasiões, o catequista é visto como um “professor”. Ambos possuem muitas semelhanças: educam, transmitem conhecimentos, acompanham os alunos e procuram favorecer seu crescimento. Entretanto, diferenciam-se em um ponto fundamental: o professor tem como finalidade própria a formação humana e intelectual de seus alunos, por meio do ensino das diversas matérias. Já o catequista tem como principal finalidade conduzir o catequizando ao encontro e à comunhão com Cristo. Em outras palavras, a catequese não visa apenas a fazê-lo conhecer conteúdos religiosos, mas também a ajudá-lo a entrar em intimidade com Jesus e viver como seu discípulo.
Nota-se, assim, o que torna o serviço do catequista uma verdadeira vocação no seio da Igreja: em comunhão com os bispos, sacerdotes e toda a comunidade eclesial, ele participa do mandato missionário deixado por Jesus: “Ide, pois, ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28,19). Reconhece, dessa maneira, que Deus o chama a colocar seus dons, seu tempo e sua vida a serviço da Igreja e da evangelização. Inflamados de amor por Cristo, os catequistas dedicam-se de corpo e alma a anunciar sua pessoa, sua verdade e sua graça.
Contudo, uma missão tão elevada traz consigo também responsabilidades. Um personagem bíblico que ilustra bem a postura ideal de um catequista é São João Batista, aquele que “prepara os caminhos do Senhor”. De forma semelhante, o catequista prepara o coração dos catequizandos para que possam ter um encontro pessoal com Cristo. Além disso, como disse São João Paulo II, “[João Batista] mostra grande coragem ao anunciar a vontade de Deus a todos, mesmo até às últimas consequências, e não cede à fácil tentação de assumir um papel de destaque, mas humilha-se para exaltar Jesus.” Analogamente, o catequista deve transmitir fielmente o conteúdo da Revelação, sem corrompê-la por comodismo ou conivência, e ser exemplo de cristão que conforma sua vida ao amor de Deus.
Para cumprir adequadamente esse chamado, deve também aprofundar continuamente o conhecimento da fé que recebeu e é chamado a transmitir. Não basta a boa vontade ou o desejo sincero de servir: aquele que ensina em nome da Igreja deve estudar a Palavra de Deus, conhecer a doutrina católica e buscar uma formação cada vez mais sólida. Ao mesmo tempo, o conhecimento da fé deve estar unido a uma profunda vida de oração e à comunhão com Deus. Afinal, como conduzir outros ao encontro com Cristo sem procurá-Lo diariamente? O catequista é chamado a falar Dele, mas também a falar com Ele; a transmitir seus ensinamentos e a conformar a própria vida à sua Palavra. Quanto mais unido estiver ao Senhor, mais fielmente poderá ser seu instrumento na formação daqueles que lhe são confiados.
Por isso, neste Dia dos Catequistas, toda a Igreja é convidada a reconhecer com gratidão o serviço generoso de tantos homens e mulheres que dedicam seu tempo e seus talentos à transmissão da fé. Aos fiéis, cabe rezar por eles, incentivá-los e ampará-los, conscientes de que a catequese é responsabilidade de toda a comunidade eclesial. Aos catequistas, renovamos a exortação para que perseverem com alegria e humildade em sua vocação, mantendo-se sempre fiéis a Cristo, à verdade do Evangelho e ao ensinamento da Igreja, em comunhão com seus pastores. Que, a exemplo de São João Batista, saibam apontar para o Senhor e diminuir-se para que Ele cresça, conduzindo muitos ao conhecimento, ao amor e à comunhão com Jesus Cristo.




