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Prudência e temperança: aliadas para boas férias

Em julho inicia-se para a maior parte das escolas a época das férias escolares. Este é um período muito aguardado pelas crianças: após passarem meses se dedicando aos estudos, possuem agora 30 dias para descansar, divertir-se e renovar as energias para o restante do ano. Contudo, como acontece em tantas outras circunstâncias da vida, o tempo livre é uma faca de dois gumes: tanto pode ser utilizado sabiamente para o justo e ordenado repouso e diversão quanto pode ser ocasião de fragilidade da vontade e consentimento em tentações. Dessa forma, é essencial saber utilizar-se desse tempo com prudência e retidão.

A relevância desse tópico é tamanha que, ao longo da história da Igreja, diversos santos já advertiam, de várias maneiras, sobre a necessidade da cautela nas férias. São João Bosco, por exemplo, cuja vida foi sempre dedicada à educação das crianças e formação da juventude, dizia: “O demônio não tem férias; por isso, nós também não devemos tirá-las no que diz respeito a fazer o bem e vigiar a nós mesmos”. Além disso, fazia a seguinte recomendação aos pais: “Quereis que vossos filhos passem bem as férias? Ocupai-os. Se não os ocupardes vós em coisas boas, o demônio os ocupará em coisas más”.

O tema da ociosidade extrema permeia boa parte da preocupação com o tempo livre. Na sabedoria popular, também é um fato concorde pela maioria das pessoas – para ilustrar, quem nunca ouviu o famoso ditado “mente vazia, oficina do diabo”? Isso não significa, de maneira alguma, que se deva trabalhar ou manter uma agenda cheia no período de descanso. Pelo contrário, o repouso é algo querido e desejável. Entretanto, é necessário, sim, virtude para moderar o grau de ociosidade. Desse modo, para se fazer uma reta avaliação e encontrar a medida correta entre o descanso e a preguiça, o lúdico e o descompromisso, duas aliadas são fundamentais: a temperança e a prudência.

Quanto à temperança, um bom conselho que poderíamos seguir é o de São Josemaría Escrivá: “O descanso não é não fazer nada; é distrair-se em atividades que exigem menos esforço”. Esse é um lembrete que reforça a importância de manter algum grau de rotina durante o recesso escolar, somente uma menos intensa. Assim, é bom que as crianças mantenham algum hábito de estudo – lendo livros edificantes, aprendendo com jogos, desenvolvendo-se em um esporte de predileção – ao mesmo tempo que aumentam as interações com amigos e diversões diversas.

Já a prudência ensina a não negligenciar as atividades essenciais à formação humana e à perfeição cristã, ordenando-as devidamente, mesmo no período das férias. Isso significa não abandonar de forma alguma a vida espiritual, não permitir companhias ou tarefas que levem ao pecado e estar sempre atento ao cotidiano dos filhos para corrigi-los, caso estejam desvirtuando-se. Isso exige, invariavelmente, um esforço por parte dos pais, porém faz parte justamente da responsabilidade que possuem para com suas crianças e, para bem desempenhá-la, recebem de Deus todas as graças necessárias.

Por isso, é mister possuir três pilares sempre fixos em nossa mente neste mês: o demônio não tira férias; o repouso não é um ócio destrutivo; e a oração não tem recesso. Essas colunas basicamente fundamentam o ensinamento dos santos quanto ao bom uso do tempo livre e norteiam todos os fiéis que buscam viver esse período com retidão.

Assim, que saibamos aproveitar com sabedoria a época das férias com nossos filhos. Que saibamos fruí-la com ordem, utilizando-a como escada para crescermos em virtudes e amor a Deus. Descansemos com calma e moderação, a fim de renovarmos nossas energias e iniciarmos o próximo ciclo com ânimo, diligência e alegria. Por fim, que aproveitemos prudentemente os momentos de lazer, tornando-os ocasião de fortalecer os laços de família e de amizade.

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