Efatá!

23° Domingo do Tempo Comum – 05/09/2021

No Batismo, o sacerdote tocou-nos nas orelhas e boca e ordenou em nome de Cristo: “Abre-te – Efatá!”. Assim, nossos ouvidos se abriram para a Palavra de Deus e nossa língua se soltou para professar a fé. Antes que a graça divina nos escancarasse as janelas da alma, éramos espiritualmente obtusos. Sofríamos, na ordem da graça, algo semelhante àquilo que, na vida corporal, limitava o surdo-mudo do Evangelho. 

A multidão levara-o a Jesus com uma “receita” pronta: o Senhor deveria impor-lhe as mãos. Antes de realizar o milagre, porém, “Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão” (Mc 7,33). Quis com isso mostrar que Ele não faz o bem para agradar ou impressionar os circunstantes e que não somos nós a determinar como deve Ele agir. Então, “colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele” e ordenou: “Efatá – Abre-te!”  (Mc 7,33s). O homem passou a falar sem dificuldade. 

Depois do milagre, Nosso Senhor agiu novamente de modo surpreendente: “Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém” (Mc 7,36). Mais uma vez, demonstrou que não atua por meio do espetáculo. Ao contrário, Ele realizou suas principais obras na total discrição; assim se deu com a Encarnação no ventre de Maria, com o nascimento em Belém, com a Ressurreição… 

Aliás, a “propaganda” – tal como a compreendemos hoje – pode até ser a “alma dos negócios” humanos, mas absolutamente não é o método de Deus. Jesus mandou anunciar o Evangelho pelo mundo inteiro, é verdade… Mas mandou anunciá-lo em forma de Cruz. A Igreja não julga saber de coisa alguma, “a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado” (1Cor 2,2). O Evangelho se propaga na história pelo martírio doloroso; pelas horas de oração recolhida; pelas penitências que somente Deus vê; pela solidão dos leitos de hospital; pela fé que supera o abandono na velhice…

Com a força da oração e da Cruz, as deficiências humanas foram sempre supridas. Ainda que os cristãos não fossem os mais belos, os mais ricos, os mais inteligentes, os mais atualizados nas novidades da comunicação, nem os mais eloquentes, o Evangelho foi divulgado contra a vontade de poderosos e “sábios”. Ainda que a Palavra de Deus contradissesse o pensamento e os costumes dominantes, ela acabou se estabelecendo com pureza, sem acomodações humanas, por meio do poder persuasivo que somente a Verdade pode conter. 

O rumor, os holofotes, as multidões em uníssono, os efeitos de luzes, as transmissões televisivas ufanistas, a aprovação “unânime”, a aparência de bondade, e tudo mais que a propaganda pode maquinar, servem somente até certo ponto e por certo tempo. Essas coisas são movidas mais pela vaidade humana do que pelo desejo da glória de Deus. Por causa delas, muitos pastores se perderam e ovelhas se desorientaram. O Evangelho de Cristo se propaga, ao invés, na oração, no sacrifício, no cansaço, na dor, na conversa fraterna de “tu a tu”, na discrição do confessionário, no aconchego modesto do lar… Essa é a receita de Jesus, Maria e José. 

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