Advento durante a pandemia

Com a celebração do Advento, iniciamos um novo ano litúrgico. Cada etapa do ano litúrgico é marcada pela celebração de alguns aspectos fundamentais da nossa fé e da vida cristã. Na Liturgia, nós celebramos a fé que professamos e, ao mesmo tempo, acolhemos em nossa vida os mistérios celebrados. Eles são sempre atuais porque dizem respeito ao Mistério eterno de Deus e porque, na celebração da Liturgia, temos a possibilidade de participar deles no hoje de nossa vida e de nossa história.

Nesse sentido, vale perguntar: como devemos celebrar o Advento em tempos de pandemia de COVID-19? A Liturgia do 1º Domingo do Advento já nos dá boas indicações; antes de tudo, porém, vamos ao significado geral da Liturgia do Advento, tempo litúrgico marcado pelo pensamento da “vinda do Senhor”: Deus já veio a nós; Deus vem a cada instante; Deus virá em sua glória para julgar os vivos e os mortos e para levar à plenitude a obra da salvação. A dinâmica das promessas de Deus, que vem ao encontro da humanidade para lhe trazer salvação, está muito presente nas expressões das leituras bíblicas da Liturgia do Advento.

Recordamos a fidelidade de Deus às suas promessas, que trazem alegria e paz e anunciam um mundo renovado. Anunciamos as promessas de Deus, que já se realizaram pelo envio do Filho Salvador ao mundo, para consolar e libertar a humanidade. Ao mesmo tempo, recordamos que Jesus prometeu que virá uma segunda vez, com glória e poder, para julgar os vivos e os mortos. A segunda leitura do 1º Domingo do Advento resume a esperança desse novo e definitivo encontro com o Salvador com essas palavras: “Deus é fiel. Por ele fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo” (1Cor 1,9). A comunhão plena com o Filho de Deus é a meta final da salvação. No Advento, anunciamos que é necessário se preparar para esse encontro definitivo com Jesus Cristo, Juiz e Salvador de cada um de nós.

Ao mesmo tempo em que é marcado pela esperança e a consolação, em vista do alcance da meta de nossa fé, o Advento também traz um forte apelo à vigilância operosa. O Evangelho do 1º Domingo do Advento traz essas palavras de Jesus: “Vigiai, pois não sabeis o dia e a hora em que ele virá” (cf. Mc 13,33-37). Enquanto vivemos neste mundo, não devemos perder de vista a meta de nossa existência. Deus, porém, nos chamou à vida neste mundo para participarmos de sua obra de modo responsável. A vigilância cristã refere-se à constante atenção “para não cairmos em tentação”, ou seja, para não nos desviarmos do caminho que leva à meta, nem nos apegarmos às coisas que passam, mas buscarmos as verdadeiras e eternas, sem desanimarmos ou cansarmos na prática do bem e da virtude.

O Papa Francisco resumiu as atitudes do Advento durante a pandemia nessas poucas palavras, que resumem as indicações da própria Liturgia: com sobriedade, atenção solidária ao próximo necessitado e oração pessoal e em família (Mensagem do Angelus, no domingo, 29/11/2020). A sobriedade diz respeito à atenção e lucidez sobre as nossas escolhas e ações. Sobriedade é a qualidade de quem não está “embriagado”: na vida, podemos deixar-nos embriagar por várias coisas, que acabam obscurecendo a nossa lucidez e a capacidade de colocar a atenção sobre o rumo que a vida leva… São Paulo fala da embriaguez das riquezas, das vaidades deste mundo, do poder e da soberba, da luxúria e dos prazeres da vida. A sabedoria do Evangelho nos ensina a sermos sóbrios na busca e no uso de todas as coisas…

O Papa aconselha ainda a atenção solidária com quem mais precisa durante o Advento. De fato, a atenção às necessidades do próximo, que está perto e/ou longe, deve marcar nossa vida inteira e levar à prática das obras de misericórdia, que são absolutamente essenciais para quem deseja alcançar a vida eterna. O Advento pode ser um período de intensificação dessas práticas. Finalmente, o Papa recomenda a oração pessoal, em família e em comunidade. Advento é tempo de oração mais intensa. Uma das expressões bonitas da Liturgia nos recomenda que acolhamos a vinda do Senhor “firmes na fé, alegres na esperança, solícitos na caridade e vigilantes na oração”. E isso vale também para a celebração do Advento neste ano difícil da pandemia.

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