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Cem mil mortos de COVID-19

No sábado, dia 8 de agosto, o Brasil ultrapassou a impressionante soma de 100 mil mortos, em decorrência da COVID-19, desde o início da pandemia, em fevereiro passado. Bem entendido, trata-se apenas daqueles casos que, efetivamente, foram constatados, mas é de se supor que podem ser ainda mais numerosos, tendo em vista que nem todos os óbitos por essa doença tenham sido oficialmente constatados.

E ainda estamos longe do controle da pandemia, com um número elevado de vítimas a cada dia. O número de infectados no Brasil também é impressionante e já ultrapassa os 3 milhões. Ainda bem que a maioria dos que se contagiaram com o vírus não enfrenta consequências especialmente graves e já recuperou a saúde. O novo coronavírus não poupa ninguém e todos estão sujeitos a contrair a doença.

A duras penas, estamos aprendendo muita coisa sobre o vírus e sua atuação, e já estamos em condições melhores para a prevenção contra o seu contágio. É verdade, porém, que a vitória sobre a doença só virá com uma ou mais vacinas eficazes contra os efeitos do vírus e com medicamentos que curem efetivamente quem a contraiu. Graças a Deus, a ciência faz o seu trabalho e há esperanças fundadas de que, em breve, haverá vacinas à disposição, o que será um grande alívio para a humanidade. No entanto, a vacinação deverá ser ampla e alcançar a população inteira, para prevenir contra o risco de contágio, uma vez que o vírus, ao que tudo indica, será nossa companhia incômoda daqui por diante, por muito tempo.

Não é meu propósito fazer aqui considerações sobre os erros e acertos no enfrentamento da pandemia. É inegável que alguns países conseguiram enfrentar melhor que outros esta emergência sanitária; e os que não levaram devidamente a sério, desde logo, este grave problema, amargam agora as consequências e devem assumir sua responsabilidade. Será que, no Brasil, o enfrentamento da pandemia foi adequado, até agora, em toda parte? Somos uma população numerosa e temos um território continental, o que explica, em parte, o elevado número de vítimas e a lentidão na superação da pandemia. Não explica tudo, no entanto, e, sobretudo, não alivia a dor de quem foi duramente atingido. E teremos consequências sociais e econômicas graves por muito tempo.

De nossa parte, como Igreja, não estamos isentos do contágio e participamos do sofrimento do povo no combate diário desta doença. Podemos afirmar que demos a nossa contribuição para o enfrentamento da pandemia, quer limitando e reduzindo a movimentação de fiéis em nossas atividades religiosas e pastorais, para evitar aglomerações, quer colocando nossas organizações e estruturas eclesiais a serviço dos doentes e pobres, que aumentaram muito desde a manifestação do vírus em nosso País. É considerável o volume de assistência diária das iniciativas das organizações eclesiais aos necessitados.

E, daqui por diante, quando já se começa a entrever uma certa melhora na emergência sanitária, qual será a atitude da Igreja em São Paulo? Nossa atitude continua sendo a da prudência, sem descuidar nada das recomendações das autoridades sanitárias. Mesmo que os hospitais e os centros de terapia intensiva já não estejam mais tão cheios, ainda estamos longe de ter superado os riscos. E a conhecida “segunda onda” pode estar à espreita e atacar a qualquer momento. Portanto, mesmo se retomamos aos poucos o atendimento das pessoas em nossas igrejas, expedientes paroquiais e iniciativas pastorais, isso requer que mantenhamos alta a vigilância e continuemos a ajudar a população, de muitas maneiras, a fazer o mesmo. Por outro lado, as consequências da pandemia continuarão ainda por muito tempo, antes que seja superada a crise econômica que ela desencadeou, causando pobreza e sofrimento para muitos. Todas as nossas organizações eclesiais continuarão empenhadas na atenção aos pobres e na prática da caridade e das obras de misericórdia.

Nossas comunidades e organizações precisam, no entanto, ser sinais de alento e esperança para todos, passando às pessoas a certeza de que Deus olha para seus filhos e não os abandona em meio aos seus sofrimentos e angústias. A acolhida do povo em nossas igrejas e espaços de atendimento religioso, com os cuidados recomendados, ajudará a nutrir a fé e a esperança, tão necessárias neste tempo.

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