Nossa Arquidiocese vem preparando seu novo Plano de Pastoral. É uma prática boa que as dioceses tenham seu planejamento pastoral, no qual mostram a percepção e a consciência de sua própria realidade eclesial, social e cultural, como espaço onde a vida pastoral da Igreja deve ser realizada. Após avaliação criteriosa, apresentam-se as propostas da vida pastoral ordinária e aquelas mais destacadas, como prioridades a serem especialmente trabalhadas no período de vigência do Plano de Pastoral. O Plano de Pastoral é como se fosse um propósito coletivo que uma diocese assume para realizar bem a sua missão no aqui e agora.
Mas é preciso observar que a Igreja sabe o que ela deve fazer, mesmo sem um novo Plano de pastoral aprovado pelo Bispo… O grande Plano de Pastoral da Igreja nos foi dado pelo próprio Jesus Cristo e pelos Apóstolos e se resume nisso: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mt 28,19; Mc 16,15); e ainda: “Vós sereis minhas testemunhas (At 1,8). E poderíamos acrescentar nesse Plano de Pastoral originário as Bem-Aventuranças (cf. Mt 5,1-12), os 10 Mandamentos da Lei de Deus e o Mandamento novo do amor ao próximo (cf. Jo 13,34-35)… Em suma, o Plano de Pastoral originário e permanente é o Evangelho transmitido a nós pelos Apóstolos. E nenhum planejamento pastoral da Igreja, ainda hoje, pode desconhecer isso.
No entanto, faz-se necessário traduzir o Evangelho e os ensinamentos dos Apóstolos em cada época e circunstância local vividas pela Igreja. Por isso, estamos diante do desafio de fazer isso mais uma vez, no momento e nas circunstâncias vividas pela Igreja no mundo inteiro, no Brasil e, especialmente, na arquidiocese de São Paulo. A Igreja inteira, pela voz dos papas e dos bispos, é chamada a renovar a evangelização, o testemunho de fé, esperança e caridade, a comunhão e o ânimo missionário. Especialmente, é chamada a ser mais “sinodal”, caminhando unida, em comunhão, participação e missão. No Brasil, o episcopado aprovou as novas Diretrizes da Ação Evangelizadora para os próximos seis anos, mediante as quais somos todos chamados a viver concretamente a comunhão sinodal, a realizar um processo verdadeiro de “conversão pastoral” e a renovar-nos na missão, alargando a “tenda” das nossas comunidades para acolher a todos. A Igreja é servidora do Evangelho para a vida de todos, sem exclusão de ninguém.
Em nossa Arquidiocese, vivemos a fase pós-sinodal do nosso sínodo arquidiocesano (2017-2023). O sínodo arquidiocesano revelou-nos muitas coisas bonitas sobre a Igreja nesta Metrópole, mas também muitas carências e lacunas na evangelização e na vida pastoral. Após a conclusão do sínodo, já fizemos uma ampla reorganização pastoral e administrativa, conforme foi pedido pela assembleia sinodal. Essa foi a parte mais fácil, embora ainda precise de mais tempo para ser assimilada bem. Mas ainda restam abertas as questões mais profundas, importantes e necessárias, que apareceram no próprio tema do sínodo e nos trabalhos e propostas sinodais e nas diretrizes finais do sínodo: “Ouvindo o que o Espírito diz” à Igreja de São Paulo, percebemos que precisamos aprofundar nosso caminho de “comunhão, conversão e renovação missionária”. Isso não deve permanecer letra morta, apenas para os arquivos da história.
Essa mesma preocupação foi expressa e refletida no sínodo universal sobre a sinodalidade da Igreja (2022-2024): “Igreja sinodal – comunhão, participação e missão”. E o documento final do sínodo destacou a necessidade da conversão, em vários sentidos (relações, processos e vínculos), para sermos essa Igreja sinodal, como Jesus queria. Jesus não queria uma Igreja dividida ou fria estrutura organizativa, mas unida e em comunhão de pessoas reais e concretas. Não queria uma Igreja passiva, inconsciente do dom recebido, mas viva, alegre e participativa de todos nos bens e dons que o Espírito Santo suscita na Igreja; não queria uma Igreja desanimada, indiferente e sem esperança, mas envolvida na missão e no testemunho da graça recebida e das promessas de Deus.
As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil trazem as grandes indicações do Episcopado brasileiro para que a Igreja, em cada diocese e no Brasil todo, realize esse “caminho sinodal”. E nosso Plano de Pastoral deverá ajudar a apontar as propostas para a realização desse caminho nas organizações pastorais arquidiocesanas, paróquias e outras organizações eclesiais em nossa querida e desafiadora Arquidiocese, tenda de Deus na cidade de São Paulo. Essa grande tenda de Deus torna-se concreta em cada comunidade e expressão da vida eclesial, onde se deve buscar a acolhida, a comunhão, a conversão e a renovação missionária e o testemunho da vida nova em Cristo. Isso tudo não se fará sem a conversão das relações, dos processos e dos vínculos, para que expressem mais e melhor o testemunho de Jesus Cristo e do seu Evangelho nesta “cidade imensa, onde Deus habita”.




