Arcebispo Metropolitano presidiu a missa solene na Praça da Sé e motivou os fiéis à participação consciente, ativa, plena e frutuosa na celebração deste Sublime Sacramento

Centenas de fiéis lotaram a Praça da Sé, na manhã desta quinta-feira, 4, para participar da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, o Corpus Christi, ocasião em que os católicos, unidos e dando testemunho público de fé, reafirmam a presença real de Cristo nas espécies do pão e do vinho consagrados na Santa Missa.
“Nós celebramos na praça e vamos às ruas, levando a Eucaristia para o meio da cidade, como sinal, testemunho da nossa fé, e para dizer ‘Ele está no meio de nós’, caminha conosco, nos reúne como um só corpo na Igreja e nos estimula a caminharmos uns com os outros, unidos, atentos às necessidades uns dos outros”, afirmou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, no começo da missa, que teve transmissão pelas mídias sociais da Arquidiocese de São Paulo e pela rádio 9 de Julho.
“Hoje, agradeçamos a Deus pelo dom inefável da Eucaristia, que Jesus confiou à Igreja”, disse ainda o Arcebispo Metropolitano em sua saudação inicial, quando também exortou que os fiéis no ato penitencial pedissem perdão pelos pecados cometidos em relação à Eucaristia, como nas ocasiões em que não deram o devido valor a este sacramento, não participaram da Santa Missa, comungaram indignamente ou não testemunharam a comunhão do Corpo de Cristo por meio da caridade e misericórdia com o próximo.
Antes da proclamação do Evangelho, foi entoada a Sequência de Corpus Christi, na qual se recorda que “hoje a Igreja te convida: ao Pão Vivo que dá vida, vem com ela celebrar. Este pão, que o mundo creia, por Jesus, na Santa Ceia, foi entregue aos que escolheu”.
EMPENHO PARA BEM CELEBRAR A EUCARISTIA
Ao iniciar a homilia, Dom Odilo agradeceu a todos que se empenham para que a Eucaristia seja bem celebrada: os bispos e padres, “que exercem este ministério tão central na vida da Igreja e das nossas comunidades”; os diáconos e ministros extraordinários da Sagrada Comunhão, “que estão a serviço da Sagrada Eucaristia, para que ela seja bem celebrada e para que a comunhão também seja levada àqueles que não podem ir à igreja, como os doentes, idosos e demais pessoas impossibilitadas de participarem da missa”; bem como os acólitos, coroinhas, servidores do altar, músicos e todos os envolvidos na organização da liturgia.
O Arcebispo enfatizou que a Igreja tem extremo cuidado litúrgico-pastoral com a celebração de todos os sacramentos, incluindo a Eucaristia, para que “Deus seja mais plenamente glorificado e para que as pessoas participem da melhor forma”.

‘EM MEMÓRIA DE MIM’
Dom Odilo explicou que a celebração de Corpus Christi remete à Última Ceia, na Quinta-feira Santa, quando Jesus instituiu a Eucaristia e recomendou aos apóstolos que continuassem a celebrar “Em memória de mim” até que Ele venha e a todos conduza à Casa do Pai: “A Eucaristia, portanto, é profecia e anúncio do banquete da vida eterna”.
O Arcebispo também enfatizou que a celebração da Eucaristia não é apenas um momento de memória histórica, mas que sempre indica que Jesus “se faz presente no meio de nós”. Lembrou, ainda, que a “Eucaristia faz a Igreja”, na medida em que ao celebrá-la toda a comunidade de fíéis se reúne em torno de Cristo, sacramentalmente presente no pão e no vinho consagrado, bem como na palavra anunciada, na oração em comum e na caridade fraterna.
“Jesus é o verdadeiro alimento que nutre para a vida eterna. Ao mesmo tempo, ao término de cada missa, Ele nos envia em missão e nos acompanha a cada dia para o testemunho na vida cristã da caridade, da misericórdia, das obras que são condizentes com o Evangelho que Ele nos deixou”, sublinhou o Cardeal.
O CENTRO DA VIDA DA IGREJA
Ainda na homilia, Dom Odilo ressaltou que a Eucaristia é “o centro da vida da Igreja”, e que, portanto, jamais deve faltar nas comunidades eclesiais a celebração da Eucaristia, especialmente a dominical: “O Domingo é o grande dia do sacramento da Igreja com Jesus, e de Jesus com Sua Igreja na Eucaristia”.
O Arcebispo apontou ainda que a Eucaristia é “o sacrifício de Jesus, mediante o qual Ele deu a perfeita glorificação a Deus, e em que nós celebramos a redenção e, sempre de novo, recebemos os frutos da redenção”, estando Cristo, assim, presente na Igreja e na vida dos fiéis.
Dom Odilo também alertou que quem deixa de participar da Eucaristia acaba por se tornar fraco na vida de fé, pois se distância sempre mais de Cristo e da Igreja: “A liturgia é a fonte da vida cristã, na qual sempre nos renovamos”.
O Cardeal também mencionou alguns significados da Eucaristia para os católicos, entre os quais o sacrifício do Corpo e Sangue de Jesus, oferecidos a Deus sobre a cruz em favor da redenção dos homens; o sacramento da piedade; a prática religiosa por excelência, não devendo ser substituída de modo algum por outra ação oracional ou de piedade popular; e o vínculo da caridade cristã.

A DEVIDA PARTICIPAÇÃO NA EUCARISTIA
Ainda na homilia, o Cardeal Scherer explicou que a Eucaristia é sinal de unidade e de comunhão entre os católicos, e que, assim, não deve haver divisões a respeito da maneira de celebrá-la: “O magistério da Igreja bem diz como se deve celebrar a liturgia. Não é questão de escolha. Quando participamos da Eucaristia, devemos sempre lembrar que estamos unidos à Igreja. Não estamos simplesmente praticando uma devoção privada”.
Dom Odilo recomendou aos padres, diáconos e ministros extraordinários da Sagrada Comunhão que recorrentemente orientem os fiéis sobre a correta maneira de bem participarem da celebração da Eucaristia, tendo por base as recomendações da constituição conciliar Sacrosanctum concilium, do Concílio Vaticano II: “Talvez nós ainda suponhamos que todo mundo sabe sobre a Eucaristia, mas não é bem assim. Precisamos retomar sempre a catequese litúrgica”.
Conforme recordou Dom Odilo, este documento conciliar indica que a participação dos fiéis na celebração da Eucaristia deve ser consciente, compreendendo tudo o que está sendo celebrado acerca dos divinos mistérios; ativa, de modo que se unam espiritualmente e com os gestuais no momento celebrativo – “deve-se participar com a alma, com a presença, com a atenção, compenetrado no mistério celebrado”; plena, estando envoltos e participativos do começo ao fim da missa; e frutuosa, a fim de que se possam colher os frutos da participação da Eucaristia, “isso acontece se nós celebramos com verdadeira fé e de coração aberto para acolher o dom de Deus com humildade, com piedade, dando abertura a Deus e estando em sintonia com Ele”.
EM COMUNHÃO COM A IGREJA
Na conclusão da homilia, o Arcebispo Metropolitano recordou que a celebração deste Sublime Sacramento sempre se dá em comunhão com toda a Igreja.
“Lembremos de modo muito especial: não dá para participar da Eucaristia e não estar em comunhão com a Igreja, o que significa estar em comunhão com o Papa, com o bispo, enfim, em comunhão com tudo aquilo que a Igreja tem como organização da sua vida, e conforme suas orientações em relação à liturgia, aos sacramentos e aos deveres cristãos. Por isso, a Eucaristia celebrada requer de nós a participação na Igreja em comunhão. Na Igreja não cabem bolhas, bolhas isoladas que são autossuficientes, autorreferenciais”, ressaltou o Arcebispo, recomendando ainda que especialmente a missa dominical seja o grande momento de reunião de todas as expressões de vida cristã que há em uma paróquia.
“A Eucaristia deve nos unir na comunhão, ser expressão da multiplicidade de donos, carismas e ministérios, momento em que todos louvam, adoram e agradecem a Deus, expressando o bem comum da Igreja. Que Deus nos ajude, e como São Paulo nos recorda hoje na segunda leitura [cf. 1Cor 10,16-17], todos somos um só corpo, pois todos participamos de um único pão, o pão da Eucaristia”, concluiu.

COM JESUS EUCARÍSTICO NO CENTRO DE SP
Após a comunhão, Dom Odilo deu a primeira bênção com o Santíssimo no altar montado em frente à Catedral da Sé e fez súplicas ao Senhor em favor das pessoas em situação de rua.
Na sequência, ocorreu a procissão com o Santíssimo, iniciada sobre o tapete com 65 metros de comprimento, montado nas proximidades do marco zero da Praça da Sé pelos membros da Missão Belém, organização católica voltada para o atendimento da população em situação de rua e dependência química.
Na passagem da procissão eucarística pelo Pateo do Collegio, as preces foram na intenção das pessoas enfermas.
A conclusão foi no Mosteiro de São Bento, quando o Cardeal Scherer deu a bênção com o Santíssimo à Igreja e à cidade de São Paulo.
Na tarde e na noite desta quinta-feira, 4, nas paróquias da Arquidiocese haverá missas da Solenidade de Corpus Christi. Algumas delas farão celebrações conjuntas no âmbito dos decanatos. Informe-se a respeito nas redes sociais de sua paróquia.
A cobertura completa da celebração de Corpus Christi na Arquidiocese pode ser vista nas redes sociais do O SÃO PAULO (@jornalosaopaulo). Fotos e vídeos das celebrações nas paróquias estão marcadas nas redes com a hashtag #CorpusChristiArquiSP.
| ENTENDA AS ORIGENS DA SOLENIDADE CORPUS CHRISTI Na Solenidade de Corpus Christi, a Igreja Católica reafirma sua fé na presença real de Jesus Cristo nas espécies do pão e do vinho consagrados na missa. Esta celebração foi instituída pelo Papa Urbano IV em 11 de agosto de 1264. No entanto, sua origem remonta ao ano de 1247, em Liège, na Bélgica, quando surgiu um movimento eucarístico com a finalidade de propagar a fé católica na presença real de Cristo nas espécies eucarísticas. Naquela ocasião, aconteceu a primeira procissão eucarística pelas ruas da cidade. Anos depois, essa celebração se tornou nacional e, em 1313, o Papa Clemente V a estabeleceu como uma festa de caráter mundial. |




