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Na Índia, ministério intecongregacional dá suporte a viúvas católicas

Na Índia, ministério intecongregacional dá suporte a viúvas católicas - Jornal O São Paulo

O marido de Mary Paulose morreu em um acidente de carro em 2016.

“Fiquei arrasada e perdi toda a espe­rança na vida”, partilhou a mãe de dois filhos, que mora em Pulloorampara, no estado de Kerala, no sudoeste da Índia.

Ela enfrentou o luto e a ansiedade por vários meses até que uma integran­te das Irmãs dos Desamparados foi até sua casa.

“A freira me falou sobre um fórum para viúvas que sua congregação havia criado na minha paróquia e me pediu para ir lá compartilhar minha dor com outras pessoas”, lembrou Mary. Ela entrou para o Fórum Judite a contragosto.

Uma década depois, Mary atua como presidente do Fórum na Diocese de Tha­marassery e dedica seu tempo a ajudar novas viúvas a saírem do isolamento.

A Irmã Reni Jose, 64, membro da Congregação de Nossa Senhora do Car­mo e animadora diocesana do Fórum Judite, disse que Mary está entre os mais de mil membros de 60 das 123 paróquias da Diocese.

“Nossa congregação iniciou o Fórum como uma pequena iniciativa para ajudar mulheres enlutadas, mas logo se tornou um raro ministério colaborativo de con­gregações femininas para oferecer com­paixão e apoio”, sublinhou a freira.

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Diocese of Thamarassery

O Fórum foi lançado pelas Irmãs Carmelitas em 16 de outubro de 2016, em Thiruvambady, uma cidade no distrito de Kozhikode, em Kerala, em colaboração com o apostolado familiar e o ministério pró-vida da Diocese de Thamarassery. Posteriormente, mais cinco congregações aderiram à missão.

O Padre José Pennaparambil, dire­tor fundador do Fórum, afirmou que o ministério é o reconhecimento, por parte da Igreja, do sofrimento invisível das viúvas. Inspirado em Judite, a viúva bíblica lembrada por sua coragem e fé, o movimento inicialmente se concentrou em viúvas, mas posteriormente incluiu mulheres solteiras e separadas, contou o Padre.

“Nossa diocese tem cerca de 4 mil vi­úvas e muitas permanecem invisíveis até mesmo na Igreja”, disse ele.

O que torna o ministério singular é sua estrutura intercongregacional, frisou o Padre José. “Isso ajuda as congregações femininas a trabalharem juntas.”

Juntamente com a Congregação de Nossa Senhora do Carmo, participam do ministério a Congregação do Sagra­do Coração, as Irmãs Missionárias de Maria Imaculada, a Congregação Fran­ciscana Clarissa, as Irmãs da Adoração do Santíssimo Sacramento e as Irmãs dos Desamparados.

“A beleza do Fórum Judite reside na união de congregações com diferentes carismas, formando um só grupo”, afir­mou a Irmã Jancy Maria, da Congregação Franciscana Clarissa, que lidera o fórum na paróquia de Chakkittapara.

As freiras coordenam as unidades paro­quiais do Fórum, nas quais as mulheres se reúnem para oração, aconselhamento, re­flexão bíblica, programas culturais e apoio mútuo. Algumas unidades também orga­nizam peregrinações, visitas domiciliares e atividades geradoras de renda, como con­fecção de Terços, produção de sabão em pó e processamento de alimentos.

Como movimentos semelhantes sur­giram em outras dioceses com nomes diferentes, o Conselho Episcopal Católico de Kerala uniu as iniciativas em 2022 sob o nome de Fórum Judite-Naomi.

A constituição do Fórum Judite-Naomi, divulgada em 2024, descreve sua missão como a promoção do pro­gresso espiritual e material das viúvas por meio da comunhão e do apoio co­letivo. Seu lema é: “Despertem e des­pertem outras pessoas”.

Em diversas paróquias, a organização apoia a educação de crianças, oferece as­sistência médica para mulheres e disponi­biliza empréstimos sem juros.

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A Irmã Melvin Alappattu, 71, da Adoração do Santíssimo Sacramento, disse que o Fórum também ajuda as freiras a vivenciarem a unidade entre as diversas congregações, algo que “raramente se vê no âmbito diocesano”. Segundo ela, a colaboração fortalece tanto o ministério quanto as freiras envolvidas.

“Quando diferentes congregações compartilham um objetivo comum, elas obtêm ideias melhores e mais tem­po para as pessoas”, destacou Irmã Mel­vin, que auxilia o Fórum na paróquia de Vilakkamthode.

O Fórum tem seus desafios: “Alguns párocos não estão interessados e algumas mulheres, especialmente as que vivem nas cidades, hesitam em participar por medo de serem publicamente identificadas como viúvas. Em alguns casos, membros da fa­mília impedem que mulheres idosas façam parte do Fórum”, relatou o Padre José.

Ao mesmo tempo, o ministério já transformou inúmeras vidas.

Os filhos de Mary agora moram no exterior, enquanto ela vive sozinha em Pulloorampara.

“Depois de participar do Fórum, percebi que a viuvez não é o fim da vida. Digo isso para outras pessoas. Nós nos tornamos uma família umas para as outras”, disse ela. “Agora, enten­do por que Deus levou meu marido”, concluiu.

(Fontes: Global Sisters Report e Global Catholic)

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