“No deserto da guerra e da arrogância”, os cristãos são chamados a redescobrir a lógica da partilha e da caridade, que encontra seu ápice na Eucaristia. Foi o que disse o Papa Leão XIV durante o Angelus do 18º Domingo do Tempo Comum, dia 2, na Praça de São Pedro.

Em uma catequese dedicada ao Evangelho da multiplicação dos pães (cf. Mt 14,13-21), o Papa recordou o gesto de Jesus que “levantou os olhos ao céu, proferiu a bênção, partiu os pães e os deu” aos discípulos para que os distribuíssem à multidão.
O Pontífice convidou a reconhecer nesse milagre o modelo de uma fraternidade capaz de vencer a violência, o egoísmo e a indiferença. Essas mesmas ações, observou, encontram sua plenitude na Última Ceia, quando Cristo se entrega como pão de vida para a humanidade. Daí o convite para traduzir a celebração eucarística em gestos concretos.
“Enquanto saboreamos a graça da Eucaristia, comprometamo-nos a testemunhar sua beleza em nossos gestos cotidianos”, disse Leão XIV, indicando como primeiro sinal “a bênção da mesa”, quando o pão é compartilhado “em família e entre amigos”.

CRISTO SACIA VERDADEIRAMENTE
“Caríssimos, Cristo sacia verdadeiramente a fome da humanidade, a nossa fome de verdade e de vida. Ao mesmo tempo, o seu gesto ensina que nada se desperdiça quando é partilhado. A acumulação e o desperdício, por outro lado, são duas faces do mesmo mal: a ganância”, ressaltou.
O Papa comentou que essa “doença da alma faz perder o juízo”, na medida em que “embriaga de riquezas, ao ponto de ignorar aqueles que choram de fome e clamam de sede. E assim, perante a opulência das coisas que perecem, estão as mãos estendidas de quem não tem o que comer, as casas incendiadas de quem não tem paz”.
“Peçamos, à Virgem Maria, concluiu o Papa, mãe atenciosa, que nos faça crescer na caridade, para que a ninguém falte o pão de cada dia”, exortou.

PREOCUPAÇÃO COM A SITUAÇÃO EM CEUTA
Ao final da oração do Angelus, o Papa Leão XIV expressou sua preocupação com a “situação alarmante” em Ceuta, o enclave espanhol no Marrocos.
“Acompanho com preocupação a situação alarmante em Ceuta, pedindo a Deus, através da intercessão de Nossa Senhora da África, que se possam encontrar soluções de paz, estabilidade e justiça”, afirmou.
A cidade autônoma espanhola vive, nestes dias, uma situação definida como de “emergência humanitária e social absoluta”. As instalações de acolhimento já estão muito além do limite de capacidade máxima, enquanto milhares de pessoas passam a noite ao ar livre, aguardando saber qual será seu destino.
A emergência não se limita apenas a Ceuta. Também Melilla, o outro enclave espanhol em território marroquino, registrou um aumento repentino no número de chegadas. Centenas de jovens tentaram atravessar a fronteira passando pela cerca e pelo porto, provocando confrontos violentos com as forças de segurança marroquinas. As autoridades reforçaram os controles, fecharam temporariamente o posto de fronteira e mobilizaram um dispositivo de segurança maciço.
Leão XIV também pediu aos fiéis que continuem a rezar pela paz, para que cessem as guerras no mundo e se encontrem soluções diplomáticas para os conflitos: “Recordemos todas as vítimas das hostilidades, sobretudo os mais fracos e indefesos: crianças, idosos, doentes. Que o Senhor conforte aqueles que sofrem e abençoe a obra de quem leva ajuda e consolo”.
Antes de saudar os presentes na Praça São Pedro o Papa recordou que nestes dias, comemora-se o “Perdão de Assis”.
“São Francisco obteve essa Indulgência do Papa Honório III, em 1216, inspirado, enquanto rezava na Porciúncula, por uma visão de Jesus e de Maria, rodeados pelos Anjos. Agradecemos ao Senhor por essa grande dádiva e valorizemo-a, especialmente no oitavo centenário da morte do Pobrezinho de Assis, que faleceu justamente na Porciúncula em 3 de outubro de 1226”.
Fonte: Vatican News




