A parábola do empreendedor

A linguagem humana está em contínua transformação porque a cultura, a tecnologia e as demais atividades humanas evoluem e, assim, exigem novas formas de expressão. Recentemente, uma expressão de língua inglesa vem sendo utilizada e, aos poucos, se incorporou ao nosso cotidiano. Trata-se da expressão startup, que significa o ato de começar alguma coisa, e que está ligada às empresas emergentes e inovadoras. Assim, uma startup é uma empresa nova, que vai aprimorando um formato de negócio que ainda não tinha sido desenvolvido.

Esse tipo de empresa geralmente está associado ao uso da tecnologia, mas é cada vez mais presente em todas as áreas de atividades produtivas e comerciais, trazendo inovação, agilidade e lucro. Por vezes, uma empresa que conhece o seu modo de produção está tão habituada a fazer as coisas do mesmo jeito que não percebe novas possibilidades. Quando alguém olha além desse ponto e descobre uma nova forma de fazer a mesma atividade, associando-lhe as novas tecnologias, esse alguém se dispõe a arriscar tudo no novo empreendimento. Exemplos disso são os aplicativos de transporte de pessoas e de aquisição de produtos, que revolucionaram a forma de pegar um táxi ou fazer compras no mercado, na padaria, na farmácia e no restaurante. O que isso, no entanto, tem a ver com a vida cristã?

A espiritualidade cristã está marcada por um processo contínuo de conversão, crescimento na experiência teologal com Deus e de outras atitudes de fé. A iniciativa ou empreendedorismo é uma dessas atitudes. Uma pessoa que se encontra com o Senhor e recebe o Batismo não pode dar por concluída a sua caminhada nem a busca de crescimento pessoal. O Senhor é a fonte da qual precisamos beber sempre. À medida que vão crescendo o conhecimento e a experiência da vida espiritual tanto mais se fazem necessárias a busca e a procura. Na vida espiritual, não se vive dos rendimentos, mas da procura cotidiana do encontro com o Senhor: “Buscai e achareis” (Mt 7,7).

Ao falar do Reino dos Céus, Jesus usa uma parábola apresentando um homem que encontra um tesouro e outro que acha uma pérola de grande valor (Mt 13,44-52). Nos dois casos, os homens venderam todos os seus bens para investir naquilo que foi encontrado. Na parábola, Jesus conta que o tesouro estava escondido no campo, enquanto a pérola foi encontrada e, nesse caso, podemos imaginar que estivesse junto com outras. Nesse ponto é necessário levantar algumas questões. Se o tesouro estava escondido, por que não foi encontrado pelo antigo proprietário, que vendeu o campo? Será que o comerciante de pérolas desconhecia o valor dos seus produtos? Que sentido existe em vender tudo para adquirir um tesouro ou uma única pérola?

Tanto o tesouro quanto a pérola foram devidamente encontrados por aqueles que estavam à procura de alguma coisa de valor. O êxito do encontro é proporcional ao esforço de buscar, e, assim, quem não está procurando não vai encontrar nada que seja precioso, mesmo que esteja debaixo do chão onde pisa. Não é suficiente ser o dono do campo onde o tesouro está enterrado nem comerciante de pérolas: é preciso procurar aquilo que tem valor.

A vida espiritual exige esforço, busca pela proximidade e pela graça de Deus, nosso bem mais precioso. Os tesouros e as pérolas estão escondidos numa boa leitura espiritual, na vida sacramental, no bom testemunho dos santos e nos ensinamentos da Igreja. Será, porém, que estamos comprometidos a encontrá-los? Já sabemos que empreender é importante para o sucesso no mundo dos negócios, contudo, para a vida espiritual, é ainda mais importante, pois, nas palavras de Jesus, o caminho cristão ou o caminho para o Reino se compara “a um pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas”. Quem empreende encontra o tesouro nesta vida e o guardará para a vida eterna.

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