Estamos vivendo no calendário litúrgico da Igreja o Tempo Pascal. O Tempo da Páscoa dura 50 dias e vai até a festa de Pentecostes, que é a vinda do Espírito Santo. É um tempo de grande alegria, em que a Igreja celebra as alegrias da Ressurreição. Durante o Tempo Pascal, os domingos têm uma sequência solene, ou seja, não se diz “2º Domingo depois da Páscoa”, mas sim, 2º Domingo da Páscoa. Após a Oitava da Páscoa, todo domingo é Páscoa. A cada domingo do Tempo Pascal, a Igreja, comunidade de ressuscitados, proclama solenemente: “Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos” (Sl 118,24). A vida venceu a morte.
Para nós, cristãos, a Páscoa tem um novo sentido, que é a passagem da morte para a vida. O coração do mistério e do anúncio cristão está todo nestas palavras: Cristo ressuscitou! Aleluia! O Evangelho do Domingo de Páscoa nos fez ouvir este anúncio pela boca do anjo: Ide depressa contar aos discípulos que Ele ressuscitou dos mortos, e que vai à vossa frente para a Galileia. Lá vós o vereis (Mt 28,7). Neste tempo, a Liturgia reflete em suas celebrações a convicção da fé na Ressurreição de Jesus.
Nos textos litúrgicos deste tempo se fazem presentes as palavras alegria, júbilo, felicidade. A nascente de tudo se encontra na vitória de Cristo sobre a morte. Por isso, a Oração depois da comunhão da segunda-feira da Oitava da Páscoa reza: Transborde em nossos corações, Senhor, / a graça do sacramento pascal / e tornai dignos dos vossos dons aqueles que fizestes entrar / no caminho da salvação eterna. E na terça-feira, pede-se a Deus: Preparai os corações de vossos filhos / que enriquecestes com a graça do batismo, para merecerem a felicidade eterna.
O Tempo Pascal é privilegiado para o nosso encontro com Jesus Ressuscitado, fonte da nova vida, pois Ele vem ao nosso encontro de diversos modos. Revela-se na Liturgia da Palavra, sobretudo pelo Evangelho, nas narrativas da Ressurreição e das aparições (primeira semana); o Ressuscitado se apresenta ainda como aquele que nos faz nascer de novo pela graça do batismo (segunda semana); manifesta-se como aquele que é o pão vivo, descido do céu, pela Eucaristia (terceira semana); e depois é apresentado, nas semanas seguintes, as quais antecedem Pentecostes, como o bom pastor, a porta, a luz, o caminho, a verdade, a vida, a videira, o amor.
A Palavra de Deus que nos é proclamada durante este tempo conforta esta experiência, colocando diante dos nossos olhos a multiplicidade de dons que Jesus ressuscitado coloca nas nossas mãos: a Palavra, a Eucaristia, a alegria, a paz, o dom do Espírito Santo e como que sintetizando tudo, oferece-nos aquela bem-aventurança que se concretiza na nossa vida: “Felizes os que acreditam sem terem me visto”. (Jo 20,29). No Evangelho do relato sobre os discípulos de Emaús (Lc 24,13-36), Jesus se manifesta no caminhar ao lado de dois discípulos que retornam desanimados de Jerusalém para Emaús. Nesse encontro, faz arder o coração deles na explicação das Escrituras que anunciavam os fatos vividos (Palavra) e revela-se no partir do Pão (Eucaristia), se faz boa notícia na boca dos que anunciam aos demais que ele está ressuscitado.
Os encontros de Jesus Ressuscitado com aqueles que com Ele conviveram, suscitam novamente neles a fé e apontam a comunidade como o primeiro lugar do encontro com Ele. Foi isso que aconteceu ao incrédulo Tomé, que em um primeiro momento não se encontrava reunido com os Apóstolos. É na comunidade reunida no primeiro dia da semana, o domingo, que o Cristo Ressuscitado se manifesta. A Comunidade (Igreja) é testemunha viva de Cristo. Nos relatos pascais aparece sempre, em pano de fundo, a convicção profunda de que a comunidade dos discípulos nunca estará sozinha, abandonada à sua sorte: Jesus ressuscitado, Aquele que venceu a morte, a acompanha em cada passo do seu caminho histórico (Jo 20,19-23).




