No final do mês missionário, desejamos refletir um pouco sobre a origem e o fundamento da missão da Igreja para a qual todos somos chamados. O próprio Jesus afirma aos discípulos: “Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio” (Jo 20,21). O verdadeiro encontro com Jesus Cristo, e o consequente seguimento, cheio de ardor missionário, deve tornar-se realidade concreta em todos os estados de vida: leigos, consagrados, ministros ordenados. São João Paulo II afirma que a vocação ou a consagração “é para a missão” (cf. Pastores Dabos Vobis PDV 24). E São Paulo alerta: “Ai de mim, se eu não anunciar o evangelho” (1Cor 9,16).
O Concílio Vaticano II afirma que nosso “ser missionário” está inerente ao Batismo, pelo qual participamos da Igreja – Povo de Deus, no qual todos possuem a mesma dignidade. Todos somos chamados à santidade e todos convocados a participar da vida e da missão da Igreja (Lumen gentium LG 2). “Toda a Igreja é missionária! A obra da evangelização é um dever fundamental do povo de Deus” (Ad gentes AG 35). Evangelizar é a missão essencial da Igreja. Do contrário, ela perderia sua razão de ser.
A missão não é uma atividade de origem humana, mas provém do Pai, que envia seu Filho e o Espírito Santo para fazer a humanidade participante de sua divindade. A missão é obra de uma comunidade: a Trindade. A missão não é obra de indivíduos isolados que anunciam o que mais lhes convém, mas também depende de uma comunidade, que é a Igreja. Os primeiros cristãos não viviam separados, mas punham tudo em comum. Celebravam a Eucaristia, rezavam nas casas, no Templo e mantinham-se fiéis ao ensinamento dos apóstolos (cf. At 2,42).
A Igreja somente existe por causa da missão que lhe foi confiada por Jesus Cristo e porque Ele quis que seus discípulos a continuassem. Missão e Igreja são inseparáveis. Tudo o que a Igreja faz e anuncia deve estar voltado para o anúncio do Evangelho e para o encontro com Jesus Cristo. Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar, ser o dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na santa missa, memorial da sua Morte e gloriosa Ressurreição (Evangelii Nuntiandi EN 14).
Evangelizar consiste em testemunhar Jesus Cristo e tornar presente o Evangelho nas realidades concretas da história, promovendo a dignidade humana, a justiça, a fraternidade e a paz. A Igreja é chamada a dialogar com o mundo, discernir os si-nais dos tempos e orientar as transformações sociais e tecnológicas à luz da Palavra de Deus, para que o progresso esteja a serviço da pessoa humana e do bem comum. Evangelizar é, portanto, colaborar na construção de uma humanidade renovada pelo amor de Deus, na qual todos possam viver com dignidade e esperança (Magnifica humanitas MH 11-15).
Toda a ação da Igreja precisa estar voltada para a missão: a pregação, a catequese, a liturgia, os atos de devoção, o serviço da caridade, entre outros. É a partir da realidade em que se faz presente que a Igreja deve anunciar o Evangelho da conversão, do mesmo modo como fez o próprio Jesus.
O compromisso missionário não é algo que se acrescenta à vida cristã como se fosse um ornamento, mas, pelo contrário, situa-se no âmago da própria fé (Papa Francisco). O mundo é o espaço de missão da Igreja em que os agentes evangelizadores, batizados, conscientes de seu chamado à santidade e ao anúncio do Reino de Deus, realizam o seu apostolado. A missão chama a Igreja para servir o propósito de Deus no mundo. Quanto a isso, nosso querido Papa Francisco dizia: a Igreja não possui uma missão, mas a missão possui a Igreja.




