No encontro, foram celebrados os 100 anos do Dia Mundial das Missões e refletiu-se sobre os desafios da evangelização na realidade atual

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO
A Arquidiocese de São Paulo realizou, no sábado, 22, o 1º Congresso Missionário Arquidiocesano, com o tema “100 anos do Dia Mundial das Missões: Desafios e Oportunidades para a Missão Hoje”. O encontro, no auditório do Centro Universitário Assunção, na Vila Mariana, reuniu membros do Conselho Missionário Arquidiocesano e das regiões episcopais e agentes de pastoral para celebrar o centenário e refletir sobre os caminhos da evangelização diante dos desafios atuais.
O Congresso teve início com a missa presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, e concelebrada por Dom Celso Alexandre, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga e Referencial para a Animação Missionária; Dom Carlos Silva, OFMCap., Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia; e diversos padres.
Na abertura, o Padre Vidal Valentín Zapattinu, CSS, Assessor Eclesiástico Arquidiocesano para a Animação Missionária, recordou a instituição do Dia Mundial das Missões, em 1926, e ressaltou que este centenário deve renovar a consciência da responsabilidade missionária de todos os batizados. O Sacerdote manifestou ainda o desejo de que o Congresso fosse ocasião de um renovado impulso missionário, marcado pelo compromisso “de rezar, de ajudar e de partir para a missão”.

EM PERMANENTE SAÍDA
Em sua saudação aos participantes, o Cardeal Scherer enfatizou que a dimensão missionária pertence à própria identidade da Igreja. “A Igreja é missionária pela sua própria origem e natureza. A Igreja existe para a missão”, afirmou. Essa missão, acrescentou, começa pelo anúncio do Evangelho, realizado de diferentes maneiras e confirmado pelo testemunho da vida.
Dom Odilo advertiu que uma comunidade eclesial preocupada somente com sua própria manutenção corre o risco de perder a vitalidade missionária. “Na medida em que a Igreja deixa de ser missionária, que fica só internamente cuidando do que tem, administrando o que tem, ela se empobrece”, salientou, relacionando esse chamado à “Igreja em saída”, proposta pelo Papa Francisco.

O Arcebispo recordou diferentes momentos em que esse impulso foi renovado, com destaque para o Concílio Vaticano II, que ele definiu como um concílio de forte caráter missionário, e seu decreto Ad Gentes. Também mencionou a encíclica Redemptoris Missio, de São João Paulo II, e a Conferência de Aparecida, na qual ganhou força o conceito de “conversão pastoral e missionária”.
Para o Cardeal, essa consciência precisa alcançar concretamente dioceses, paróquias, comunidades e organizações eclesiais. “Não é só de vez em quando que a gente vai ser missionário”, observou, destacando que a perspectiva missionária deve atravessar tudo o que a Igreja é e faz, por meio do anúncio e do testemunho do Evangelho, da caridade, das obras de misericórdia e da presença cristã no mundo.
Ao concluir, Dom Odilo desejou que o Congresso reacendesse nos participantes o “ardor missionário”. E exortou: “Nossa Arquidiocese, nossa metrópole, deve ser, mais e mais, uma Igreja missionária”.

A MISSÃO NO CORAÇÃO DA IGREJA
Na sequência, Dom Carlos Silva proferiu a conferência magna “A missão no coração da Igreja: uma reflexão sobre os 100 anos do Dia Mundial das Missões”. O Bispo partiu de sua própria experiência vocacional para mostrar que a missão se realiza, antes de tudo, na proximidade e no encontro com as pessoas.
Antes do episcopado, Dom Carlos participou, como frade capuchinho, das Missões Populares e viveu por dez anos como missionário no México. Posteriormente, como Conselheiro Geral de sua Ordem, conheceu diferentes países e realidades eclesiais. “Essas experiências me ensinaram que a missão não é uma atividade entre tantas outras da Igreja. A missão é o seu coração”, sintetizou.

Ao refletir sobre o mandato de Jesus – “Ide, fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28,19) –, Dom Carlos ressaltou que o chamado continua dirigido a toda a Igreja: “A missão começa em nosso próprio coração, passa pela família, pela comunidade, pela paróquia e se estende até os confins da terra”.
O Bispo destacou que celebrar os 100 anos do Dia Mundial das Missões não significa apenas recordar um acontecimento histórico, mas renovar o compromisso evangelizador. Recordou, ainda, a atualidade do ensinamento de São João Paulo II sobre a missão ad gentes e o impulso dado pelo Papa Francisco à compreensão de uma “Igreja em saída”.

Dom Carlos também apontou alguns dos atuais campos da missão: as grandes cidades, as periferias, as realidades dos jovens, dos pobres, dos migrantes e o ambiente digital. Mais do que estratégias pastorais, ressaltou, a missão necessita de discípulos apaixonados por Jesus Cristo e capazes de irradiar o Evangelho com a própria vida.
“Celebrar os 100 anos do Dia Mundial das Missões é renovar nossa resposta ao mandato de Cristo”, concluiu, fazendo votos de que o Congresso fortalecesse as comunidades e renovasse em todos o ardor evangelizador.

NOVAS FRONTEIRAS
A programação prosseguiu com o painel “Experiências missionárias no mundo de hoje”, conduzido pelo Padre José Miguel Portillo, CSSp. Com o tema “Das fronteiras do mundo às periferias da vida”, o Sacerdote destacou que a missão precisa atravessar não apenas fronteiras geográficas, mas também as fronteiras humanas presente nas cidades, bairros, famílias e no coração das pessoas.
Partindo de sua experiência na Paróquia Santíssima Trindade, no Recanto dos Humildes, em Perus, Região Brasilândia, Padre José Miguel ressaltou a disposição do missionário para também aprender com aqueles aos quais é enviado: “Eu não fui simplesmente evangelizar a periferia. A periferia também me evangelizou”.

Ainda pela manhã, o Padre Antonio de Lisboa Lustosa conduziu o painel “Desafios e oportunidades para a missão hoje”. À tarde, os participantes se reuniram em grupos de trabalho, organizados pelas regiões episcopais, e, posteriormente, partilharam suas reflexões em assembleia.
O Congresso foi concluído com mensagem e bênção de envio de Dom Celso Alexandre, reafirmando o propósito que atravessou toda a jornada: renovar na Igreja em São Paulo a consciência de que a missão não é tarefa de alguns, mas vocação permanente de todo o Povo de Deus.




