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O que você fez?

À medida que nos encaminhamos para o fim do ano, é prática natural que as empresas e o comércio se preparem para fazer um balanço de suas atividades. No entanto, também é preciso fazer uma avaliação da nossa vida e da nossa caminhada cristã. O que fizemos? Quais foram nossas conquistas pessoais? Onde é preciso concentrar mais energias? O que precisamos mudar ou reorientar para melhorar nossa vida e a caminhada como cristãos? O tempo de pandemia e de isolamento social também é um elemento que deve ser considerado nessa avaliação. Em nosso País, a situação em decorrência do coronavírus se agravou a partir do mês de março, com muitas mudanças.

Logo no início da pandemia, os canais de TV a cabo tiveram uma iniciativa bastante intuitiva e pragmática. Diversos deles abriram o sinal, facilitando o acesso às pessoas que ficaram em casa. Grande quantidade de séries, filmes, documentários e programas infantis ficaram à disposição, ou seja, entretenimento, diversão e cultura sem custo adicional. É claro, porém, que não se trata de uma simples benevolência, e sim de um investimento por parte das empresas e dos canais de TV. Certamente, quando os sinais foram novamente fechados, uma parte dos usuários passou a assinar o serviço. No entanto, qual o conteúdo de toda essa programação oferecida gratuitamente? É preciso considerar seriamente que a formação do pensamento recebe informação de muitas fontes, inclusive do que se assiste pela TV ou do que se lê em livros e jornais.

Entre as diversas séries que estão à disposição, com diferentes temáticas, há dois temas que chamam a atenção: um se refere à questão de gênero e, o outro, é de cunho feminista. Sobretudo nas séries, esses temas aparecem frequentemente, apresentando personagens com essas características. Mesmo em histórias mais clássicas ou de época, se faz uma releitura dos personagens, mudando suas características e acrescentando outras, com visão social e cultural diferente, de acordo com novos padrões e influências. Às vezes são homens fracos, superados por mulheres fortes, além dos relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. Como esse conteúdo influencia a formação de opinião e a mudança de valores?

Não se trata, aqui, de fazer uma “operação pente fino”, para excluir esta ou aquela série, nem cancelar as assinaturas de determinados canais. Também não se tem a pretensão de criar uma lista com o que pode ou não ser visto ou lido. A questão é perceber o que fazemos com o nosso tempo e como estamos aproveitando o isolamento e o distanciamento social. Uma vez que as opiniões são formadas a partir das fontes recebidas, e isso vale ainda mais para as crianças, precisamos estar atentos ao conteúdo recebido. Vigilância e atenção são palavras importantes para a espiritualidade cristã: “Não vos deixeis enganar por doutrinas ecléticas e estranhas” (Hb 13,9a).

A fé cristã, na sua vivência moral, quer formar pessoas livres e fiéis a Cristo, com capacidade para discernir entre as coisas deste mundo. Respeito, aceitação e convivência com as diferenças não são questões fechadas para a moral cristã. As verdades de fé, contudo, não podem ser substituídas nem se deixar corromper, simplesmente para parecer mais adequadas aos novos tempos. A consciência cristã não se forma sozinha: ela recebe das fontes que são oferecidas. A leitura que fazemos do mundo depende daquilo que conhecemos da nossa fé. Qual será o resultado do nosso tempo de isolamento social? Será que aproveitamos essas circunstâncias para saber mais sobre a fé que professamos?

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