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O sacramento da Unção dos Enfermos

O sacramento da Unção dos Enfermos se inclui no contexto da solicitude da Igreja para com os doentes e sofredores. Por meio dele, Cristo continua a tocar-lhes as feridas, manifestando Sua ternura e compaixão, auxiliando-os com a graça do Espírito Santo. A Igreja, fazendo-se próxima deles, por meio dos presbíteros, diáconos, ministros extraordinários da Sagrada Comunhão e da Pastoral da Saúde, responde ao apelo do próprio Cristo, que se identificou com os sofredores e, especificamente, com os enfermos (cf. Mt 25,36). Estes agentes de pastoral tornam-se uma espécie de “sacramento” para os enfermos, isto é, sinal concreto da presença amorosa de Cristo: “O cuidado dos enfermos, sobretudo dos mais pobres e oprimidos, será sempre mais um sinal de que o Reino faz sua marcha na história e os pobres são evangelizados (cf. Mt 11,5-6), garantindo-nos, do Cristo juiz que servimos no Cristo pobre e doente, o convite consolador: ‘Vinde, benditos de meu Pai… porque estive enfermo e me visitastes’ (Mt 25,34.36).” (CNBB, Doc. 44, “Pastoral da Unção dos Enfermos”, último parágrafo). 

É neste contexto que se insere o Sacramento da Unção. O Concílio de Trento viu em Mc 6,12-13 – no qual os discípulos ungiam os doentes com óleo e estes eram curados – a insinuação deste sacramento e, em Tg 5,14-15, a sua promulgação – Tiago atesta a prática da comunidade primitiva que, diante de um membro enfermo, chamava os presbíteros para orarem e ungirem-no com óleo, para que se erguessem, fossem salvos, recebessem alívio e conforto e, se necessário, o perdão dos pecados. 

Muitos ainda têm receio deste sacramento, pois o associam com a iminência da morte. De fato, ele era chamado de “extrema unção”. O Concílio Vaticano II (cf. Sacrosanctum Concilium SC 73-75 e Lumen gentium LG 11), entretanto, retomando a compreensão dos primeiros séculos, nos dá uma nova perspectiva, isto é, ele passa a ser visto como sacramento dos enfermos, para o doente grave e para os anciãos – ainda que não acometidos por doenças graves – e não como preparo iminente para a morte. A ênfase passa a ser colocada na ajuda da graça que o fiel recebe para viver de maneira cristã a situação de enfermidade e sofrimento: “Pela santa Unção dos enfermos e pela oração dos presbíteros, toda a Igreja encomenda os doentes ao Senhor pade-cente e glorificado para que os salve (cf. Tg 5,14-16); mais ainda, exorta-os a que, associando-se livremente à Paixão e morte de Cristo (cf. Rom 8,17; Col 1,24; 2 Tim 11,12; 1 Ped 4,13), concorram para o bem do Povo de Deus” (LG 11). 

Os efeitos deste sacramento são: o conforto-remédio espiritual para o revigoramento espiritual, de modo a viver cristãmente, mesmo na dor e sofrimento, e a abolição dos restos ou consequências do pecado, de tal maneira que possa resistir às tentações do demônio em sua luta para viver unido a Cristo, em estado de graça. Além disso: a cura corpórea imediata, que pode se dar em decorrência do auxílio espiritual, que repercute em todas as dimensões constitutivas do ser humano – unidade corpóreo-espiritual; a cura corpórea escatológica, aquela cura definitiva que se operará somente na glória, pois nesta vida o ser humano continuará sujeito à enfermidade e à morte; a remissão dos pecados, quando não é possível recorrer-se ao sacramento da Reconciliação; e a preparação para a morte, quando esta se torna o desfecho inevitável da situação de enfermidade. Com o sacramento da Unção, nos casos em que o fiel está – aí sim – prestes a partir deste mundo, dá-se o Viático: a Santa Eucaristia como alimento da viagem – este, de fato, é o último sacra-mento para aquele que parte para o Senhor: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eter-na: e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia” (Jo 6,54). 

Sugiro que leiamos o Catecismo da Igreja Católica, nos números 1499 a 1525, e ajudemos, por meio de uma boa catequese, os nossos irmãos a pedirem a Unção com fé, sempre que necessário, como São Tiago nos ensinou. Com isso, só teremos a ganhar! 

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