Há dez anos, o Papa Francisco afirmava, na exortação apostólica Amoris laetitia, que “A alegria do amor que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja”. E acrescentava: “Apesar dos numerosos sinais de crise no Matrimônio (…) ‘o desejo de família permanece vivo, especialmente entre os jovens, e isto incentiva a Igreja’” (AL, 01).
É justamente por causa do grande valor da família e do amor que nela se pode viver, aprender e testemunhar, e por prevalecer em muitos o desejo de família, que a Igreja, neste mês de agosto, nos propõe vivenciar a Semana da Família.
A família é querida por Deus, foi abençoada e santificada em Cristo, que nasceu e cresceu no seio de uma família e instituiu o Matrimônio como sacramento (cf. Mt 19,4-6; Jo 2,1-11), tornando-o, no dizer de São Paulo, imagem da união de Cristo e da Igreja (cf. Ef 5,32).
Quarenta e cinco anos atrás, São João Paulo II, na exortação Familiaris Consortio, insistia sobre a importância da família e sobre a missão que lhe é confiada. Dizia ele: “A Igreja encontra assim na família, nascida do sacramento, o seu berço e o lugar onde pode atuar a própria inserção nas gerações humanas, e estas, reciprocamente, na Igreja.” (FC, 15). E elencava quatro deveres que competem à família cristã: a formação de uma comunidade de pessoas (FC, 18-27); o serviço à vida (FC, 28-41); a participação no desenvolvimento da sociedade (FC, 42-48) e a participação na vida e na missão da Igreja (FC, 49-64). Ele fazia às famílias o convite que, hoje, a Semana da Família repropõe: “Família, torna-te aquilo que és!”, acrescentando: “O amor jamais acabará” (1Cor 13,8).
Mas o que a família é chamada a se tornar? Ele mesmo respondia: “A família tem a missão de se tornar cada vez mais aquilo que é, ou seja, comunidade de vida e de amor” (FC, 15); “é-lhe confiada a missão de guardar, revelar e comunicar o amor, qual reflexo vivo e participação real do amor de Deus pela humanidade e do amor de Cristo pela Igreja, sua esposa” (FC, 15).
A família é chamada a ser verdadeira “igreja doméstica”, na qual a vida é acolhida, o amor é vivido, a comunhão e o respeito mútuo, na diversidade das pessoas, são aprendidos e praticados, a partilha é ensinada e exercitada, a fé é transmitida e vivida em conjunto.
Diante dos imensos desafios com os quais a família é chamada a lidar – econômicos, sociais, culturais, morais, de comunicação, de transmissão de valores etc. – não podemos simplesmente nos resignar e achar que não há caminho para ela viver sua vocação cristã e cidadã, no sentido de ser promotora do Evangelho no mundo e formadora de gerações que ajudem o Reino de Deus a se propagar. É preciso reafirmar com força e coragem a verdade da presença de Cristo em seu meio. Cristo vive! Ele está no meio de nós!
A família não caminha sozinha, pois além de fazer parte da grande família de Deus, que é a Igreja, pode contar com a presença e a graça do Senhor que prometeu estar entre aqueles que se reúnem em Seu nome! Ela não precisa temer suas próprias imperfeições, mas concentrar-se na graça de Deus que vem em auxílio de nossa fraqueza (cf. Rm 8,26). O Papa Francisco dizia: “Com efeito, (…) nenhuma família é uma realidade perfeita e confeccionada de uma vez para sempre, mas requer um progressivo amadurecimento da sua capacidade de amar.” (AL, 325) Ensinava ainda a não pretendermos exigir uma perfeição que só alcançaremos no Reino definitivo, mas, ao mesmo tempo, exortava: “Avancemos, famílias; continuemos a caminhar! Aquilo que se nos promete é sempre mais. Não percamos a esperança por causa dos nossos limites, mas também não renunciemos a procurar a plenitude de amor e comunhão que nos foi prometida.” (AL, 325).
Sagrada Família de Nazaré, rogai por nossas famílias!




