Fatos que marcaram nossas vidas para sempre

O ano de 2022 terminou com as alegrias e esperanças para a Igreja de Cristo Jesus, por ocasião dos 60 anos da abertura do grandioso evento eclesiológico. No dia 11 de outubro de 1962, São João XXIII abriu solenemente o XXI Concílio Ecumênico, na cidade do Vaticano. A Igreja e a sociedade voltaram seus olhos para o acontecimento eclesial e, certamente, muitas perguntas foram feitas no fundo dos corações dos católicos. Homens e mulheres de boa vontade ficaram à espera de respostas. Quais seriam os passos da Igreja? O que estava propondo o Papa João XXIII? Qual o significado do aggiornamento anunciado pelo Pontífice? 

O ano de 1963 transcorria, quando o mundo recebeu a triste notícia do seu falecimento, ocorrido no dia 3 de junho. Faleceu o Papa Bom, no Palácio Apostólico. A Igreja e a humanidade choraram com a morte de São João XXIII, um homem que abriu as portas e as janelas da Igreja para o diálogo, com seu sorriso e amabilidade. Mostrou ao mundo as belezas e riquezas da bimilenar Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. Outras quantas perguntas surgiram, quando da morte do Pontífice: quem assumirá a Igreja Católica? Manterá e continuará o Concílio Ecumênico? Tempos de condolências ao Papa falecido e momento de expectativa para os encaminhamentos da Esposa de Cristo.  

A alegria foi renovada para a Igreja. No dia 21 de junho de 1963, foi escolhido para a Cátedra de Pedro o Cardeal Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini, assumindo o nome de Paulo VI. Sua imediata decisão foi continuar o Concílio Ecumênico, iniciado pelo seu predecessor. Portanto, há exatos 60 anos, subia ao Sólio Pontifício o Papa que daria continuidade ao Concílio e o encerraria, em 1965. Coube a esse magnânimo homem da Igreja colocar na ordem do dia as constituições, decretos e declarações emanados da extraordinária habilidade e magnífica competência dos padres conciliares. Os batizados não sucumbiram à morte do propositor da presença da Igreja na sociedade, mas se maravilharam com a dinâmica e mestria do sucessor de São Pedro.

A Igreja está sempre a caminho. Marcando o compasso do tempo e se apropriando do espaço em que se faz presente, a Esposa de Cristo tende a dar as respostas aos homens e mulheres às muitas indagações que são colocadas, e que necessitam de postura corajosa e testemunhal. Com renovada esperança, a Mãe e Mestra, em 2013, escolheu o Papa Francisco para conduzir os católicos e ser sinal de profunda alegria em meio à sociedade contemporânea, um Cardeal vindo de longe e o primeiro das Américas a orientar o rebanho de Cristo.

Portanto, são quase dez anos de presença do pontificado de Francisco. As palavras-chave utilizadas por ele são misericórdia, dirigindo-nos ao Altíssimo, e alegria, reafirmando o Concílio Ecumênico Vaticano II. O Pontífice abriu o Ano Santo da Misericórdia, em 8 de dezembro de 2015. Deu-nos a exortação apostólica Evangelii gaudium (A Alegria do Evangelho), em 24 de novembro de 2013. A “Igreja em saída”, reafirma, internamente, a Doutrina Cristã, e vai ao encontro do outro, buscando nas periferias existenciais e geográficas homens e mulheres sedentos de Deus. Sejam, portanto, os fatos que marcaram a História e a Igreja momento oportuno de diálogo com a sociedade, nas muitas etnias e diversas culturas, para evangelizar com misericórdia e alegria toda a humanidade.

Padre José Ulisses Leva é professor de História da Igreja na PUC/SP. 

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