Jesus Cristo é a cabeça da Igreja

Sergio Ricciuto Conte

Os mistérios celebrados da Encarnação do Verbo e a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo tornam-se os pilares da fé cristã. O Cristianismo alimenta-se a cada ano do nascimento do Redentor e renova-se, constantemente, com a Paixão, Morte e Ressurreição do Salvador do gênero humano. Para lembrar e celebrar, anualmente, a fé no Filho de Deus, os cristãos se preparam adequadamente. Ao Natal, antecede-se o Advento, tempo de espera. À Páscoa, antecede-se a Quaresma, tempo de reflexão e maturidade cristãs. Mistérios revelados por Deus são concedidos aos homens e mulheres de todos os tempos. Os cristãos lembram, celebram e passam adiante, formando as novas gerações.

Depois do Batismo nas águas do rio Jordão, realizado por São João, o Batista, Jesus Cristo iniciou seu ministério público e anunciou o Reino de Deus (cf. Mt 3,13-17). Convidou os seus ouvintes ao tempo novo que estava surgindo. Converter e crer foram os verbos utilizados pelo Bom Pastor. “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). A salvação consiste num olhar atento de si mesmo e suas relações com os outros e uma decisão assertiva ao Evangelho proclamado pelo Filho do Deus Altíssimo. Arrepender-se, converter-se e crer.

Jesus Cristo edificou a Igreja, para que a mensagem salvífica fosse assegurada depois da sua Morte e Ressurreição até a sua vinda nos fins dos tempos. Ele subiu ao monte e rezou e, diante dos discípulos, escolheu 12 apóstolos. “Depois, subiu à montanha, e chamou a si os que ele queria, e eles foram até ele. E constitui Doze, para que ficassem com ele, para enviá-los a pregar […].  Ele constitui, pois, os Doze, e impôs a Simão o nome de Pedro; a Tiago, o filho de Zebedeu, e a João, o irmão de Tiago, impôs o nome de Boanerges, isto é, filhos do trovão, depois André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, o filho de Alfeu, Tadeu, Simão o zelota, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu” (Mc 3,13-19).

Após a Ascensão de Jesus (cf. At 1,6-11) e a traição e morte de Judas Iscariotes (cf. At 1,6-20), Pedro propõe um substituto para compor o Colégio Apostólico: “Um outro receba o seu cargo” (At 1,20). Escolheram Matias (cf. At 1,23-26). Ao grupo dos apóstolos foi adicionado Paulo. Sua conversão e vocação estão relatadas nos Atos dos Apóstolos (cf. At 9,1-31). Na Primeira Carta aos Coríntios, Paulo atribui-se o chamado ao apostolado, como que a um abortivo (cf. 1Cor 15,8). Vemos, assim, os apóstolos constituídos e sua missão de evangelizar proclamando o Reino de Deus anunciado por Jesus Cristo.

Houve um impasse na Igreja presente em Antioquia (cf. At 15,1-4). A quem evangelizar? Como receber a mensagem do Redentor? Qual o lugar da circuncisão na comunidade cristã?  Dois grupos se formaram na assembleia. Haveria uma ruptura entre os apóstolos? A Igreja de Cristo seria dividida? Os apóstolos se reuniram, no chamado Concílio de Jerusalém, para tratar da questão imposta (cf. At 15,6). Após as partes apresentarem suas proposições, os apóstolos chegaram a uma resolução: “De fato, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor nenhum outro peso além destas coisas necessárias […]” (At 15,28). A assembleia reunida, formada por pessoas, invocou a ação de Deus sobre os participantes. E, sob a proteção do Espírito Santo, eles decidiram o melhor para a Igreja de Cristo. Não houve derrotados nem vitoriosos. A Igreja assegurou sua unicidade, sob a ação do Paráclito e orientação dos apóstolos. Como cristãos batizados, somos chamados a proclamar a Boa-Nova do Redentor. Como cristãos missionários, nós temos a necessidade de manter a unicidade da Igreja do Salvador do gênero humano. A Igreja é de Cristo Jesus: “Ele é a cabeça da Igreja, que é o seu Corpo” (Cl 1,18). Como membros da Esposa de Cristo, devemos buscar a unidade, antes que a divisão; devemos buscar o diálogo, antes que a contenda; devemos manter o anúncio do Evangelho, antes que disputas e querelas. “Tomai cuidado para que ninguém vos escravize por vãs especulações da filosofia, segundo a tradição dos homens, segundo os elementos do mundo, e não segundo Cristo” (Cl 2,8).


Padre José Ulisses Leva é professor de História da Igreja, da PUC-SP.

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