A ‘insensatez’

32º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Jesus conta a parábola das jovens que, à noite, aguardavam a chegada do noivo com lâmpadas acesas. Cinco delas eram “previdentes” ou prudentes (phrónimoi). Percebendo que demorava, tomaram consigo vasilhas extras de óleo. Já as outras cinco eram “imprevidentes” ou, literalmente, insensatas (mōrai). Negligentemente – quiçá por preguiça –, não se precaveram. Somente à chegada do noivo foram comprar óleo, mas era tarde. A porta foi fechada e tiveram de ouvir com dureza: “Não vos conheço!” (Mt 25,12).

Normalmente, pensamos que o oposto da bondade é a “maldade”, como de Jezabel, Antíoco Epífanes, Herodes e outras pessoas perversas da Bíblia. No entanto, frequentemente o que se opõe a Deus não é a malvadeza pura e simples, mas a “insensatez”, como aquela demonstrada pelas jovens negligentes. Ainda que sem grande malícia, o homem estulto pode gerar efeitos tão negativos ou até piores do que os perversos. A insensatez levou Adão a cometer o primeiro pecado, Esaú a perder a primogenitura, Pilatos a condenar Jesus e Judas a vender o Salvador.

Diferentemente dos demônios, que se voltaram contra Deus com profundo conhecimento e firmíssima resolução, nós, homens em geral, pecamos por motivações estúpidas: curiosidade, covardia, sensualidade, impulsividade, avidez, preguiça, ligeireza ou falta de autodomínio. Depois de um pecado, é comum que alguém pense: “Que idiotice eu fiz!”… Por isso, o Senhor dirige ao Céu esta súplica: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem” (Lc 23,34). Os danos da insensatez, contudo, são reais.

Sem uma descomunal “maldade”, um homem pode passar a existência sem nunca pensar seriamente sobre a morte, ou sem jamais ter levado a sério a busca por Deus. Sem ser propriamente “um monstro”, pode aderir a um estilo de vida materialista, negligenciar a família, impedir a geração de filhos ou abandonar uma vocação, em nome do “conforto” e do “bem-estar”! Até os que cometem adultério, que abandonam a família, que despedaçam corações, que traem amigos ou que apostatam da fé, talvez não se sintam propriamente “criminosos”; desejam apenas “buscar a própria felicidade”. Contudo, erram o objetivo e a eles se aplica a reprimenda: “Insensato!” (Lc 12,20).

O néscio ignora o valor de cada coisa da vida; troca o ouro por lixo. Pensa ser inteligente, livre, ou mesmo estar acima do bem e do mal. Entretanto, é só mais um tonto, como outros tantos. Intelectuais, políticos, artistas, eclesiásticos, reformadores impetuosos, revolucionários, beldades, magnatas e homens comuns perseguem objetivos mundanos à custa da fidelidade a Deus. Omitem por leviandade deveres graves de justiça, encarnando em si a pergunta: “O que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma?” (Mc 8,36).

O drama do insensato, contudo, é que não enxerga a própria condição! Por isso, peçamos ao Senhor que nos dê um coração sábio, capaz de discernir o que é justo e vale a pena. E que Ele nos guarde vigilantes, sem distrações, à espera da Sua vinda.

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