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‘Estavam cansados e abatidos’ (Mt 9,36)

11º DOMINGO DO TEMPO COMUM 14 DE JUNHO DE 2020

O desânimo não é novidade na história humana. Segundo o Evangelho, Jesus compadeceu-se das multidões porque “estavam cansadas e abatidas” (Mt 9,36). Diante dessa triste constatação, escolheu os doze apóstolos e os enviou para expulsar demônios, realizar curas e fortalecer os que padeciam de fraqueza física ou espiritual (cf. Mt 10,1).

A ação da Igreja começou com o encargo de fortalecer os que se encontram fracos. E, ainda hoje, pela Unção dos Enfermos, ela encoraja os doentes, comunicando-lhes fé, esperança e vigor. Pela Confissão, cura as chagas das almas e perdoa os pecados. Por meio da pregação, fortalece fracos na fé. Mediante o serviço caritativo em hospitais, creches, casas de acolhidas etc., sustenta os que padecem de alguma debilidade material.

A fraqueza humana, em certo sentido, é a razão de ser da Igreja no mundo, pois o Filho de Deus se fez homem porque se compadeceu de nossa fraqueza! Para consolar os cristãos de Roma, Paulo recorda: “Quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios” (Rm 5,6). E o próprio Deus manifesta a debilidade da nossa condição: “És pó, e ao pó deverás retornar” (Gn 3,19). Assim, reconhecer a própria fraqueza é necessário para que tenhamos parte com Ele.

Existe uma fraqueza ruim: é aquela dos pusilânimes, dos que se fazem de vítimas, dos que reclamam o tempo todo, dos que fogem de suas responsabilidades, dos que deixam tudo inacabado, dos que não querem se cansar pelos demais… É possível que muitos dos que agem assim o façam porque se acham “fortes”. Talvez não contem suficientemente com o auxílio divino, não pensem nos outros, sejam centrados em si mesmos e, consequentemente, caem facilmente. Julgando-se vigorosos, quando descobrem seus pontos fracos, desesperam-se.

Há, porém, uma fraqueza boa: é a dos que reconhecem que precisam do Senhor, que constatam a necessidade de ser ajudados pelos demais, que compreendem que o cansaço e a sensação de impotência fazem parte desta vida. Esta fraqueza boa nos faz ser compassivos e solidários como Nosso Senhor, que teve compaixão de nós, pois Ele mesmo passou por provações semelhantes (cf. Hb 4,15). Ele recebeu a ajuda do Cireneu; pediu água à Samaritana; na Cruz, rezou “Meu Deus, por que me abandonaste?”; ao ser sepultado, contou com a caridade de José de Arimateia.

Por isso, ao se referir ao ministério de fortalecer os demais, Paulo ressalvou: “Trazemos, porém, este tesouro em vasos de argila, para que esse incomparável poder seja de Deus, e não nosso” (2Cor 4,7). Encontraremos paz quando percebermos que somos barro quebradiço e que toda força vem do Senhor! Recordando a difícil fuga do Egito, Deus disse a Moisés: “Vistes como vos levei sobre asas de águia e vos trouxe a mim” (Ex 19,4). Ele nos leva e até faz voar, ainda que nos sintamos sem forças e no chão! Não nos escandalizemos da nossa própria fraqueza! Jamais entreguemos os pontos! Afinal, “quando sou fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,10).

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