‘Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos’

25º Domingo do Tempo Comum – 19/09/2021

Jesus anunciara solenemente sua Paixão, Morte e Ressurreição. Os discípulos, porém, sem entender essas coisas, discutiam pelo caminho qual deles seria o maior. O Senhor teve, então, de corrigir-lhes o pensamento mundano.


Para que exista ordem na família, na Igreja, no trabalho e na sociedade, é preciso que haja
atribuição de ‘autoridade’. Cada qual desempenha funções determinadas e respeita normas
preestabelecidas. Para isso, existe também ‘hierarquia’. Uns atuam como ‘cabeça’, pensando,
orientando e atribuindo funções aos demais. Outros executam certas ordens ou verificam o seu cumprimento. Até em grupos de simples amigos, é normal que alguém exerça liderança, neste caso devida ao temperamento, à inteligência ou ao carisma. Intuímos que precisamos de ordem para ter paz.


Afinal, o princípio da autoridade pertence à lei natural estabelecida por Deus e é expresso pelo 4º Mandamento: “Honrar pai e mãe”. Somos obrigados a respeitar os pais e obedecer-lhes, bem como às autoridades da Igreja, aos governantes legitimamente estabelecidos e às leis vigentes, pois vemos sua autoridade como dada por Deus. O respeito sempre lhes é devido; a obediência é devida desde que não nos mandem violar a Lei do Senhor. Uma lei ou autoridade só pode ser desobedecida –neste caso, deve ser desobedecida! – quando nos determinar fazer ou consentir algo que é pecado.


Os discípulos, porém, padeciam de uma visão deformada que acompanha a história humana: viam a detenção de poder como um proveito pessoal. No reino mundano que pensavam que Jesus estabeleceria, desejavam “ser o maior”, achando ingenuamente que isso seria vantajoso. Não compreendiam que as autoridades deste mundo serão submetidas a um juízo divino bem mais severo; e que Jesus Cristo, o Maior de todos e o Senhor de todos, morreria na Cruz em favor dos homens. Não percebiam que deter autoridade significa sofrer pelos outros e submeter-se ao juízo alheio, às críticas, à murmuração, à inveja, às calúnias e à perseguição.

O Senhor carregaria com dificuldade a Cruz até o lugar de seu próprio sacrifício para mostrar que “se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” (Mc 9,35). Na Paixão e Ressurreição, entendemos o significado do exercício humilde do poder, da autoridade que não pensa em si mas nos outros. Jesus mostrou seu poder infinito atraindo-nos e não tiranizando-nos. Quem exerce autoridade com orgulho, expõe-se mais ainda a reações hostis, torna-se detestável aos demais e, ao invés de gerar ordem, deflagra a desordem; essa é a experiência da história humana. Quem é humilde, ao invés, atrai.


Para nos atrair a si, Jesus foi temporariamente abandonado pelos discípulos, humilhado pela massa, tratado como um rei de fantasia e impostor. Mostrou assim que a solidão é, em maior ou menor grau, o destino de quem quer que seja investido de autoridade: pais, bispos, chefes, governantes. Ter ‘poder’ significa sofrer e servir.

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