Maria Madalena: discípula missionária de Jesus

Em 22 de julho, celebramos a memória de Santa Maria Madalena. Muito se escreveu e se especulou sobre seu papel no grupo do Mestre e sua fidelidade a ele. Imaginações férteis e distorcidas quanto aos textos bíblicos não deixaram de navegar por trilhas romanescas, às vezes até mesmo obscenas. Talvez não seja ocioso gastar alguns parágrafos para recolocar Maria Madalena no lugar privilegiado ao qual Jesus a destinou.

Também não será ocioso relembrar, uma vez mais e sempre, a presença significativa das mulheres, não somente em relação ao primeiro anúncio da Boa-Nova do Evangelho, mas de forma particular nas comunidades, paróquias e pastorais nos dias de hoje. Difícil imaginar o dia a dia da Igreja sem a persistência de tantas mulheres, conhecidas ou anônimas, que, nos mais diversos ministérios, dedicam sua existência ao serviço do Reino de Deus.

O que se sabe ao certo, segundo as narrativas evangélicas, é que Maria Madalena foi uma das mulheres que andavam constantemente com o grupo que seguia Jesus pelas estradas da Galileia, Judeia e Samaria. Seguiu- -o destemidamente até o pé da cruz. Ainda segundo os Evangelhos, figura como uma convertida à Boa-Nova do Mestre, tendo sido a primeira a reconhecer Cristo Ressuscitado.

Mais do que isso! Se utilizarmos retrospectivamente a linguagem do “Documento de Aparecida”, Madalena foi a primeira “discípula missionária”. Seguindo a narração do Quarto Evangelho, “Jesus lhe disse: ‘Mulher, vai a meus irmãos e dize-lhes: subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus. Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: ‘Vi o Senhor’” (Jo 20,17-18).

Arte: Sergio Ricciuto Conte

Estamos diante de uma das exigências fundamentais do Papa Francisco. De fato, a expressão “Igreja em saída” foi usada pelo Pontífice na exortação apostólica Evangelii gaudium (EG). Maria Madalena deixa sua vida cotidiana para seguir os passos do profeta de Nazaré. Depois, é enviada justamente por Ele para levar a grande notícia aos demais discípulos.

Estava em jogo, desde os primórdios, o embrião vivo da “Igreja, enviada por Deus a todas as gentes para ser ‘sacramento universal de salvação’”, conforme o decreto Ad gentes, sobre a atividade missionária da Igreja (AG, 1). Erguiam-se do solo os brotos das sementes lançadas pelo semeador. A partir de então, e sobretudo depois de sacudidos pelo “barulho”, pelo “vento forte” e pelas “línguas de fogo”, imagens da vinda do Espírito Santo no Pentecostes, os apóstolos – ou discípulos missionários – se dispersam para fundar e fortalecer as primeiras comunidades cristãs.

Convém citar a frase célebre de um missionário pioneiro da Terra de Santa Cruz, o Padre Antônio Vieira. Dizia ele: “Para quem lavra com Deus, até mesmo o sair é semear, porque também das passadas colhe fruto” (cf. “Sermão da Sexagésima”, capela real, 1655). O atual Papa tem insistido muito a respeito da necessidade de deixar o comodismo das sacristias e dos problemas internos, para ir ao encontro dos doentes e indefesos, dos pobres e excluídos, dos migrantes e descartáveis.

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