No mundo da fé e da oração, quando se vive o relacionamento com Deus, é possível acontecerem momentos em que, por meio de experiências concretas e reais, o que se deseja apareça absolutamente impossível. Aquilo que nos parece absolutamente impossível, mas profundamente desejado, é exatamente o que Deus vai realizar para nós. Ele o faz quando todas as possibilidades humanas se esgotaram, estamos de mãos vazias e não podemos fazer mais nada.
Entretanto, ainda existe um nível mais profundo a descrever: é no momento em que nos rendemos completamente que Deus age. Ele é Deus e nós somos nada. Esta é a verdade, e quando ela se torna clara aos nossos olhos – palpável – é que entramos em uma relação verdadeira com Ele. Há real “comunicação”, “concordância”. Estamos com Ele e Ele conosco. Nós nos “encontramos”; cada um com a sua natureza. E a natureza de Deus livre dos nossos empecilhos: falta de liberdade, ilusão, presunção, pretensão, orgulho… pode finalmente agir com todo o seu poder (pois Ele é todo-poderoso) e amor. Não estamos mais “contra” Ele e “contra” nós, mas “com” Ele, pois estamos em nossa posição real: somos nada, mas amados. E, assim, deixamos Deus, finalmente, ser Deus.
A experiência concreta e real do nosso nada permite a Deus demonstrar-nos todo o Seu amor por nós. Várias vezes fiz esta experiência na vida: diante de um momento de clareza indiscutível do meu nada e da minha impotência para conseguir algo de bom, Deus agiu de maneira maravilhosa diante dos meus olhos.
Mas não é fácil nem indolor chegar a essa experiência do nosso nada. É preciso que a realidade vá nos despojando de todos os nossos ilusórios recursos humanos. É preciso paciência, confiança, fidelidade ao nosso desejo de bem e deixar que a realidade vá nos mostrando a nossa total impossibilidade. Aqui há um pulo do gato: não se rebelar contra a nossa impotência, nem se desencorajar, mas, ao contrário, abraçar completamente a nossa impotência. Só aí podemos nos entregar totalmente a Deus. E Ele precisa desse “totalmente” para agir, pois Ele respeita e segue acima de tudo a nossa liberdade; nunca a violenta.
Deus é Deus e nós somos nada: esta é a realidade que permite o verdadeiro encontro com Deus, que nos ama e é sempre nosso amigo. Peçamos a Jesus, Deus-conosco, para que nosso despojamento necessário aconteça muitas vezes para que Ele possa agir com toda a sua liberdade divina em nossa vida.




