Paróquias missionárias

Por ocasião deste Mês das Missões, dedicamos o editorial passado ao tema do apostolado leigo: da exortação que lhes dirige a Igreja para que vivam as realidades do mundo orientados pelo espírito cristão, oferecendo a Deus sacrifícios espirituais.

Nesta edição, desejamos falar da missionariedade do ponto de vista das paróquias: como podem nossas comunidades paroquiais aumentar sua força evangelizadora e atrair de volta as ovelhas desgarradas do rebanho? Não é novidade que, de maneira geral, nossa sociedade vem se tornando, já há algumas décadas, cada vez menos religiosa. Ainda existem muitas conversões à Igreja – inclusive muitos jovens, de famílias não católicas, têm abraçado a fé –, embora tal situação esteja longe do ideal. 

Em 2014, os bispos do Brasil discutiram o tema da conversão pastoral da Paróquia, reconhecendo a urgência de “passar de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária” (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, Documento 100, 51). O documento é bastante abrangente, mas gostaríamos de destacar dois de seus principais pontos: a importância de capacitar bem e dar mais responsabilidades aos leigos, em primeiro lugar, e depois, a valorização adequada da liturgia.

De fato, o modelo típico de paróquia brasileira ainda centraliza nos padres não apenas a celebração dos sacramentos (que é o papel próprio do sacerdote, “constituído a favor dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados” – cf. Hb 5,1), mas também todo o resto da vida paroquial: formação catequética, administração de bens, evangelização… A esse respeito, adverte a CNBB que “o laicato precisa assumir maior espaço” (Idem, nº 32).

Seria importante que houvesse em nossas paróquias um bom número de leigos com sólida formação católica. Pessoas imersas nas Sagradas Escrituras e nas riquezas da tradição da Igreja: a leitura orante (lectio divina) da Palavra, os tesouros de nossos mestres espirituais (a Imitação de Cristo; a Pequena Via, de Santa Teresinha; a Indiferença, de Santo Inácio; o Caminho de Perfeição, de Santa Teresa d’Ávila…). E mais ainda: leigos com profundo conhecimento da doutrina católica, que pudessem responder aos questionamentos das pessoas de boa vontade: “Por que há tanto sofrimento no mundo? Por que é importante ser católico, e não apenas acreditar em Cristo? Para que precisamos dos sacramentos? Como fica a fé diante das descobertas científicas? Como fica minha liberdade e minha felicidade diante dos mandamentos de Deus?

Por outro lado, a revitalização missionária da paróquia só será possível com uma nova tomada de consciência do valor e da importância da liturgia – pois a Eucaristia é “fonte e centro de toda a vida cristã” (Lumen gentium, 11). As missas, porém, não devem ser confundidas com shows ou espetáculos: o Concílio Vaticano II já pedira que ritos “brilhem pela sua nobre simplicidade, sejam claros na brevidade e evitem repetições inúteis” (Sacrosanctum concilium, 34). Nesse sentido, a CNBB nos urge a evitar, entre outras coisas, os “comentários infindáveis, cânticos desalinhados com a Palavra, homilias longas e a ausência de momentos de silêncio” (Documento 100, 274). Ninguém, afinal, é “dono” da missa – quem deveria nela ficar em evidência não são os fiéis, os músicos, nem mesmo a pessoa do sacerdote, mas sim o próprio Cristo.

Busquemos, então, cooperar sempre mais com a graça, para que em nossos corações e paróquias habite sempre mais a vida de Cristo. Deus o quer – e esperam-no as almas.

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