‘Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede!’

Os Salmos contêm súplicas, louvores, agradecimentos, lamentos, atos de confiança e outras formas de oração. Eles captam sentimentos da alma humana e ensinam-nos a direcioná-los ao Pai; são preces exemplares inspiradas pelo Senhor. Santo Agostinho considerava os Salmos como oração do próprio Cristo. Quando a Igreja os reza na liturgia, tornam-se a prece do ‘Cristo Total’, Cabeça e Corpo. O Salmo 42 diz: “minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando verei a Face de Deus?”. Revela, assim, que o Senhor nos criou com um desejo profundo Dele: da união, da semelhança e da visão de Deus. Ao longo da vida, ou fazemos essa sede crescer ou a diminuímos. Para que a sede cresça, é preciso buscar o Senhor, conhecê-lo, obedecê-lo e orar! Quanto mais santa é uma pessoa, mais ela percebe essa sede de Deus. 

Pouco antes de sofrer o martírio, Santo Inácio de Antioquia escreveu da prisão: “Meu amor está crucificado, a matéria não me inflama, porque uma água viva e murmurante dentro de mim me diz ‘vem para o Pai’”. Não é que desprezasse a vida, dom precioso de Deus; mas ele estava tão unido a Jesus – a sede havia crescido tanto! – que podia dizer: “Considero tudo como perda! Perdi tudo e considero como esterco, para ganhar a Cristo!” (Fl 3,8).  

Ao contrário, quanto mais alguém se afasta do caminho justo, menos se dá conta dessa sede que, entretanto, permanece no fundo da alma. Há quem busque saciá-la por meio de bens materiais, de superstições ou de pecados compulsivos. Cedo ou tarde, tais práticas sufocarão o desejo do Senhor e, se não se converterem, esses irmãos cairão numa triste condição de autossuficiência. Seu único temor será, então, perder a saúde, a prosperidade, a boa fama, a vida… Mas não se entristecerão por abandonar o Criador.   

No Evangelho, Jesus humildemente pede água a uma mulher samaritana. Ela estranha, pois os judeus não se davam com os samaritanos. O Senhor lhe diz: “se tu conhecesses o dom de Deus e quem te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a Ele, e Ele te daria água viva” (Jo 4,10). A ‘água viva’ é a graça do Espírito Santo, esse “rio de água viva” (Jo 7,38) que brota na alma a partir do Batismo e que nos une realmente a Deus, saciando a sede da alma. 

A ‘água’ representa também a oração. Santa Teresa comparava a oração è escavação de um poço profundo. No início, é necessário muito esforço e sentimos que trabalhamos em vão, como se o Senhor estivesse longe. Quando menos esperamos, porém, somos inundados por uma água fresca e vivificante: “derramarei sobre a casa de Davi um espírito de graça e de oração” (Zc 12,10). 

A ‘água viva’ significa também a visão de Deus. Como consequência da vida da graça que recebemos já neste mundo, Deus dará aos seus filhos a visão beatífica na eternidade. Ela nos saciará definitivamente, pois para isso fomos criados. Com a Samaritana, supliquemos: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede” (Jo 4,15)!  

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Monica
Monica
11 meses atrás

Amém 🙏 Oração , súplicas e gratidão ao amor de Deus ❤️🙏Busca diária pela água viva 🙏