Um ‘amigo virtual’ e o verdadeiro amigo

Sergio Ricciuto Conte

Todos precisamos de amigos para ser felizes, apesar de sermos cada vez mais vítimas da solidão e do individualismo – mais ainda nestes tempos de pandemia. Como tentativa de solução para esse problema, um aplicativo de inteligência artificial (AI) chamado Replika foi recentemente criado para dar oportunidade às pessoas de desabafar e atenuar a solidão por meio do relacionamento com um personagem virtual. 

O aplicativo foi desenvolvido por profissionais de AI que queriam continuar se relacionando com um amigo recém-falecido, pelo menos virtualmente. Com pouquíssimo tempo de existência, o aplicativo já foi usado por mais de 10 milhões de pessoas. Uma jornalista o testou durante um mês e escreveu sobre a sua experiência. O “amigo” virtual, ela relata, é muito atencioso, inteligente, curioso, sabe muitas coisas e tem várias informações.

Consegue manter uma conversação sobre os assuntos mais variados, tem iniciativa e dialoga com facilidade. A jornalista conta ainda que o melhor, em comparação a um parceiro amoroso ou um amigo tradicional, é que sempre está acordado e disponível.

Eugenia Kuyda, a criadora, diz que a principal força destes personagens fictícios ou avatares é a empatia. “É excelente para fazer companhia a qualquer momento que você precisar, sempre está disponível e sempre está ao seu lado.” Eugenia lembra que “ter alguém em quem você sempre possa confiar é incrivelmente importante para as pessoas, especialmente nos tempos difíceis pelos quais todos estamos passando na atualidade”. 

Esse “amigo” virtual (avatar) talvez ajude algumas pessoas a não se fazerem mal ou quererem terminar a sua vida. Mas não é real. Pode influenciar nossos sentimentos, pensamentos e até decisões, como vem sendo discutido na grande mídia sobre a capacidade da AI. É incapaz, porém, de salvar o ser humano. E é isso de que realmente precisamos: ser salvos. 

O que é a salvação? O que descobriram os primeiros que encontraram Jesus e se depararam com o mistério da sua Morte e Ressurreição? O encontro com Jesus Cristo, a sua companhia, levou-os a fazer a experiência de uma “excedência”, um “a mais”, não um mundo melhorado, mais confortável e sereno, mas “um outro mundo”, onde se vive como “cidadãos do céu”, como descreve o autor da Carta a Diogneto (em 120 d.C.).

Os primeiros cristãos eram incompreendidos, perseguidos e condenados. Apesar das enormes dificuldades, tinham encontrado algo de extraordinário: um amor que lhes permitia viver de modo completamente diferente dos outros. Era algo maravilhoso, um amor que os enchia de certeza e segurança, e gerava benevolência para com todos e força descomunal nas adversidades.

Jesus lhes havia ensinado um modo de amar, curado as doenças de muitos e ressuscitado dos mortos. Era uma experiência real de salvação. 

Essa inteligência artificial, a Replika, nos mostra o quanto o ser humano tem necessidade de amigos. Sabemos que Jesus se faz presente por meio do seu Espírito quando e onde quer, e, sobretudo, nos corações sinceros e humildes. Assim o pressentem, mesmo aqueles que não tiveram a oportunidade de conhecê-Lo.

Cristo é o verdadeiro amigo sempre presente, mas precisamos conhecê-Lo e aprender a viver uma real amizade com Ele.

Ana Lydia Sawaya é doutora em Nutrição pela Universidade de Cambridge. Foi pesquisadora visitante do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e atualmente é professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

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